Necessidade urgente de liberar espaço para a soja e estoques de passagem recordes criam “tempestade perfeita” de baixa para o cereal. Cotações recuam para a casa dos R$ 60, desvalorizando o lastro de produtores estocados.
O mercado de milho inicia fevereiro aprofundando a tendência de baixa que marcou janeiro. As cotações no mercado físico brasileiro registram recuos generalizados, voltando a operar em patamares próximos a R$ 60 – R$ 65 por saca em praças de referência. Diferente de quedas motivadas apenas por Chicago, o movimento atual é impulsionado por uma pressão logística interna aguda: o “efeito despejo”.
Com a colheita da soja ganhando tração (como analisamos na sexta-feira), o produtor rural se vê obrigado a vender o milho que estava estocado para liberar espaço nos silos para a oleaginosa, que tem maior valor agregado e menor resistência à armazenagem precária.
O Diagnóstico: Excesso de Oferta Reprimida
Dois fatores estruturais explicam por que o preço do milho está “derretendo” agora:
- Estoques de Passagem Recordes: O Brasil virou o ano com um volume de milho antigo estocado muito acima da média histórica (estimativas apontam cerca de 12 milhões de toneladas, contra médias normais de 2 a 3 milhões). O mercado está “cheio”.
- Safra de Verão: Além do estoque velho, a colheita da 1ª safra (milho verão) está entrando no mercado, especialmente no Sul.
- Resultado: Oferta abundante encontra uma demanda interna (fábricas de ração) que joga parada, comprando apenas da mão para a boca (“just in time”), sabendo que o produtor tem pressa para vender.
Implicações para o Mercado de Crédito (FIDC e Fiagro)
Para a indústria de crédito, a queda do milho acende um alerta específico sobre a qualidade das garantias:
- Desvalorização do Colateral: FIDCs que possuem CPRs financeiras ou físicas lastreadas em milho estocado veem o valor dessa garantia encolher. O índice Loan-to-Value (LTV) da operação piora. Se o preço cair abaixo do “preço de exercício” da dívida, o fundo pode ficar descoberto.
- Risco de Liquidez do Tomador: O produtor que segurou o milho esperando vender a R$ 70 ou R$ 80 agora é forçado a realizar o prejuízo (ou lucro menor) a R$ 60 para pagar contas de curto prazo. Isso corrói o capital de giro da fazenda justamente no início de um ano desafiador.
- Oportunidade na Exportação: A única válvula de escape é a exportação. Com o preço interno caindo, o milho brasileiro fica mais competitivo lá fora. FIDCs que antecipam contratos de exportação (ACC/ACE) podem ver um aumento de volume, já que o escoamento via portos será a solução para enxugar o mercado doméstico.
“O mercado está cobrando o preço da estratégia de retenção”, analisa nosso especialista do FIDCnews. “Quem segurou milho apostando na alta errou o timing. Agora, o mercado é do comprador. Para o gestor de crédito, é hora de remarcar o valor das garantias a mercado (mark-to-market) e verificar se o produtor ainda tem margem para honrar a CPR.”
Em resumo, fevereiro será um mês de “liquidação” no mercado de milho, limpando os silos para a entrada da soja.
Fonte utilizada:
- Globo Rural: “Preço do milho segue em queda no mercado brasileiro”













