O bilionário já possui mais riqueza do que 173 das 195 nações do globo; abertura de capital prevista para junho pode mudar o ranking de fortunas para sempre
Com a estreia da SpaceX na bolsa de valores prevista para junho de 2026, Elon Musk pode deixar de ser apenas o homem mais rico do mundo para se tornar a primeira pessoa na história da humanidade a acumular uma fortuna superior a US$ 1 trilhão. Se concretizado, o marco tornaria seu patrimônio pessoal maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) de 90% dos países do globo, de acordo com levantamento da Forbes Brasil.
O número não é apenas simbólico. Ele reposiciona de forma estrutural a discussão sobre concentração de capital privado, o papel dos mercados de capitais na formação de riqueza e o impacto de grandes aberturas de capital sobre o fluxo global de recursos institucionais.
A fortuna atual e a distância para o segundo colocado
A fortuna de Elon Musk é hoje de US$ 800 bilhões, o equivalente a R$ 4 trilhões no câmbio atual. Para se ter uma dimensão da escala: o segundo colocado na lista de bilionários da Forbes é Larry Page, com patrimônio avaliado em US$ 315 bilhões, ou R$ 1,575 trilhão. A diferença entre o primeiro e o segundo lugar já ultrapassa US$ 500 bilhões, o que representa praticamente o PIB da Suíça ou da Argentina.
Com sua fortuna atual, Musk já possui mais riqueza do que 173 dos 195 países do mundo, ou seja, 88% das nações do globo. Apenas 19 países possuem PIB superior a US$ 1 trilhão, segundo dados do Banco Mundial. Entre eles estão Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Brasil. Países como Suíça, Bélgica, Suécia, Emirados Árabes Unidos e Israel ficam abaixo dessa marca.
A participação na SpaceX e o IPO que pode mudar tudo
O gatilho para o próximo salto patrimonial é o IPO da SpaceX. A companhia protocolou recentemente seu pedido de listagem na bolsa de valores junto à SEC (Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários americana), dando os primeiros passos para o que deve se tornar o maior IPO da história dos mercados de capitais.
Hoje, o valuation aceito pelos investidores é de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,25 trilhões), valor formado após a fusão com a xAI, empresa de inteligência artificial de Musk, realizada em fevereiro de 2026. O número ainda não é auditado por consultoria externa e tem como base negociações privadas no mercado secundário, os preços pagos por investidores recentes e os termos do acordo “stock-for-stock” da fusão.
A expectativa é que o valuation aumente com a abertura de capital, ficando entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões) e US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões), conforme precificado pelo mercado no momento do IPO.
A participação de Musk na SpaceX, embora não conste formalmente no prospecto, é identificada em diversas páginas do documento como sendo a de controlador e maior acionista. A apuração da Forbes indica uma fatia de 43% após a fusão com a xAI, equivalente a cerca de US$ 537 bilhões (R$ 2,685 trilhões). Somada às demais posições do empresário, a fortuna total poderia ultrapassar US$ 1 trilhão quando a SpaceX for ao mercado.
Se o patrimônio pessoal de Musk alcançar US$ 1 trilhão, ele passaria a representar 3,5% do PIB dos Estados Unidos, que está na casa dos US$ 28,7 trilhões.
A estrutura do IPO e a governança pós-abertura
A SpaceX planeja listar suas ações Classe A na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o ticker “SPCX”. O prospecto revela uma estrutura de supervoto: ações Classe A terão direito a um voto por papel, enquanto as ações Classe B terão dez votos por ação, garantindo o controle da empresa a Elon Musk mesmo após a abertura de capital. A Nasdaq classificará a SpaceX como “controlled company”.
O prospecto ainda não define faixa indicativa de preço, quantidade de ações ofertadas nem o tamanho total da operação. Esses detalhes serão definidos junto aos bancos coordenadores nas próximas semanas. O IPO será coordenado por Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan Chase e Citigroup.
Além dos foguetes: o modelo de negócios que sustenta o valuation
A SpaceX que chega ao mercado em 2026 é muito diferente da companhia conhecida apenas pelos lançamentos espaciais. Hoje, a empresa opera três grandes frentes de negócio: espaço, conectividade e inteligência artificial.
Na divisão espacial, a companhia afirma ter realizado cerca de 650 lançamentos orbitais e lançado mais de 80% da massa enviada ao espaço no mundo desde 2023, com taxa de sucesso superior a 99% nos foguetes Falcon.
A Starlink, serviço de internet por satélite, tornou-se o principal motor financeiro do grupo. São aproximadamente 9.600 satélites em órbita, 10,3 milhões de assinantes e operação em 164 países, incluindo o Brasil. É o segmento já altamente lucrativo e que responde pela maior parte da geração operacional de caixa do grupo.
A incorporação da xAI transformou a inteligência artificial no terceiro pilar central do negócio. O prospecto afirma que a companhia opera infraestrutura de IA em escala gigawatt. A plataforma X (antigo Twitter) aparece como peça estratégica do ecossistema, funcionando como fonte de dados em tempo real e plataforma de distribuição para os produtos de IA. A empresa também detalha planos de criar data centers orbitais alimentados por energia solar a partir de 2028.
O raio-X financeiro antes da abertura de capital
Financeiramente, a SpaceX chega ao IPO com crescimento acelerado, mas ainda com forte consumo de capital. Em 2025, a empresa reportou receita consolidada de US$ 18,67 bilhões (R$ 93,35 bilhões) e EBITDA ajustado de US$ 6,58 bilhões (R$ 32,9 bilhões). Apesar disso, registrou prejuízo operacional de US$ 2,59 bilhões (R$ 12,95 bilhões), resultado dos investimentos pesados em Starship, IA e infraestrutura computacional.
O perfil financeiro da companhia é típico de uma empresa de alto crescimento que prioriza expansão sobre rentabilidade de curto prazo, um padrão bem conhecido pelos investidores de crédito estruturado e renda variável que acompanham ciclos de capital intensivo.
Perspectivas: o que vem depois do maior IPO da história
“Um IPO dessa magnitude inevitavelmente vai redistribuir alocação de capital institucional em escala global”, avaliam analistas do mercado. Para gestores de fundos de crédito privado e de capital aberto no Brasil, o evento não passa despercebido: grandes IPOs internacionais historicamente atraem recursos que poderiam ser direcionados a mercados emergentes, ao menos temporariamente.
A questão que o mercado acompanha de perto é como a SpaceX performará sob o escrutínio público das demonstrações financeiras trimestrais. Os valuations formados no mercado secundário privado nem sempre se sustentam após a abertura de capital, especialmente quando envolvem fusões com ativos de difícil precificação, como a xAI.
O que não está em discussão é a escala do evento. Se a abertura de capital da SpaceX ocorrer nos patamares esperados, em junho de 2026, o mercado terá diante de si não apenas o maior IPO da história, mas também a consagração do primeiro trilionário da humanidade.
Fonte: Forbes Brasil, Eduardo Vargas, 21 de maio de 2026 Categoria sugerida: Internacional / Mercado de Capitais Tags sugeridas: SpaceX, IPO, Elon Musk, mercado de capitais, concentração de riqueza, Starlink, xAI, trilionário













