Itaú e CI&T Abrem ao Mercado Ferramenta de IA Que Mede Complexidade de Software Usado no Maior Banco Privado do Brasil

Metodologia BCP, desenvolvida desde 2015 e refinada com inteligência artificial generativa, é disponibilizada gratuitamente no GitHub e abre caminho para padronização de entregas tecnológicas no setor financeiro

O Itaú Unibanco e a CI&T anunciaram o lançamento em modelo open source do Business Complexity Points (BCP), um framework voltado à mensuração da complexidade funcional de projetos de software. A ferramenta, disponibilizada gratuitamente no GitHub sob licença MIT, foi desenvolvida ao longo de mais de uma década dentro do maior banco privado do Brasil e passou nos últimos anos por um processo de incorporação de inteligência artificial generativa para automatizar análises em escala.

Para o mercado financeiro e, em especial, para as instituições que operam com crédito estruturado e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), a iniciativa traz um sinal relevante: a tecnologia que sustenta as operações digitais de grandes bancos começa a sair dos silos proprietários e ganhar um caráter mais colaborativo e auditável.

O que é o BCP e como ele funciona

O Business Complexity Points nasceu em 2015 dentro da CI&T com um objetivo preciso: tornar mais objetiva a análise de escopo em projetos digitais. A metodologia calcula níveis de complexidade funcional a partir de histórias de usuário e requisitos de negócio, considerando três dimensões principais: regras de negócio, elementos de interface e limites de informação.

Na prática, o BCP funciona como um parâmetro comum entre as áreas de negócio e tecnologia, auxiliando no planejamento de projetos, na previsibilidade de entregas e na avaliação de produtividade das equipes. A métrica principal do modelo é o H/BCP (horas por BCP), que relaciona esforço e tempo de desenvolvimento à complexidade de cada iniciativa, permitindo acompanhar a evolução da capacidade produtiva dos times e apoiar decisões de priorização em projetos de tecnologia.

Com o tempo, a metodologia foi aprimorada em parceria com o Itaú Unibanco e incorporou recursos de inteligência artificial generativa para automatizar análises e ampliar sua aplicação em operações de engenharia de software em larga escala.

A camada de IA generativa: automação e acurácia na contagem

A etapa mais recente da evolução do BCP é a chamada “calculadora simplificada”, uma funcionalidade que usa modelos de linguagem para interpretar automaticamente histórias de usuário a partir do título, da descrição e dos critérios de aceite das demandas. Com isso, a contagem de complexidade, que antes exigia análise manual de especialistas, passa a ser realizada de forma automatizada.

Os resultados reportados pelas empresas são expressivos: taxa de acerto de 83% na classificação de histórias, redução de 10% na variação média da contagem de BCPs por demanda e expansão da ferramenta para todas as squads elegíveis de tecnologia do Itaú em 2025.

“No Itaú, temos usado a inteligência artificial como um instrumento para ganhar escala, consistência e eficiência na forma como planejamos e executamos entregas de tecnologia. O BCP ajuda justamente nesse ponto: transforma complexidade em informação estruturada, permitindo decisões melhores sobre priorização, alocação de esforços e evolução dos nossos processos, sempre com foco na qualidade das entregas e na geração de valor para o negócio. Além disso, também nos ajuda a entender com mais clareza onde o uso de IA tem gerado mais eficiência e valor, orientando nossas prioridades e fortalecendo nossa competitividade”, afirma Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco.

Open source no setor financeiro: a democratização como estratégia

A decisão de tornar o BCP um projeto open source sob licença MIT é um movimento que vai além da generosidade tecnológica. Ao disponibilizar a metodologia gratuitamente no GitHub, o Itaú e a CI&T criam um padrão de mercado que pode ser adotado por outras instituições financeiras, fintechs, gestoras de FIDC e empresas de tecnologia que prestam serviços ao setor de crédito.

“Com a abertura da metodologia em modelo open source, nosso objetivo é democratizar o acesso a uma abordagem já validada em milhares de cenários, capaz de apoiar organizações na tomada de decisões mais estratégicas, orientadas por dados e alinhadas aos ganhos concretos proporcionados pela IA no desenvolvimento de software”, ressalta Fulvio Parmejjani, head de AI transformation da CI&T.

O movimento é relevante porque o setor financeiro brasileiro ainda convive com silos de informação e metodologias proprietárias que dificultam comparações de eficiência entre diferentes operações tecnológicas. A abertura de uma ferramenta testada em escala dentro do maior banco privado do país cria um ponto de referência concreto para o mercado.

O que isso significa para o mercado de crédito e FIDC

A digitalização das operações de crédito no Brasil avançou de forma acelerada nos últimos anos, pressionada pela concorrência das fintechs, pela regulação da CVM e do Banco Central e pela demanda crescente por processos de originação, cessão e monitoramento de direitos creditórios mais ágeis e rastreáveis.

Nesse contexto, ferramentas que permitam medir com precisão a complexidade dos projetos de software financeiro têm impacto direto sobre o custo operacional das plataformas de crédito. Um FIDC que depende de sistemas de originação digital, por exemplo, tem nos projetos de tecnologia um fator crítico de risco operacional. Atrasos, retrabalho e escopo mal definido em entregas de software são fontes de custo que corroem margens e comprometem cronogramas de implantação.

A disponibilização do BCP como ferramenta open source oferece às gestoras, administradoras e cedentes que operam no universo do crédito estruturado um recurso concreto para melhorar a governança tecnológica de seus projetos digitais, com base em uma metodologia já validada em um ambiente de altíssima complexidade operacional.

Perspectivas: padronização e governança tecnológica no crédito

A tendência de abertura de ferramentas tecnológicas por grandes bancos não é nova globalmente, mas ainda é incipiente no Brasil. O movimento do Itaú com o BCP acompanha uma lógica que já se consolidou em mercados como o americano e o europeu, onde bancos como JPMorgan e ING contribuem ativamente com projetos open source voltados à infraestrutura financeira.

O próximo passo natural, segundo analistas do setor, é a criação de comunidades de contribuidores ao redor do BCP, com evolução colaborativa da ferramenta por parte de empresas que a adotarem. Quanto mais organizações utilizarem e aprimorarem a metodologia, mais robusto e preciso o modelo tende a se tornar.

Para o mercado de FIDC e crédito privado, que vive um momento de crescimento acelerado de patrimônio e de exigências regulatórias mais sofisticadas por parte da CVM, a chegada de ferramentas de gestão tecnológica abertas, auditáveis e sustentadas por IA generativa representa um passo concreto na direção de operações mais eficientes, previsíveis e resilientes.


Fonte: IT Forum, Redação, 18 de maio de 2026 Categoria sugerida: Tecnologia / Inovação Tags sugeridas: Itaú Unibanco, CI&T, inteligência artificial, open source, software financeiro, BCP, engenharia de software, FIDC, crédito privado, transformação digital

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