Nubank Unifica Comando na América Latina sob Livia Chanes

O Nubank formalizou nesta semana a unificação da liderança de suas operações na América Latina, colocando Livia Chanes, até então CEO da unidade brasileira, no comando também do México e da Colômbia. A decisão amplia o raio de ação da executiva num momento em que a instituição consolida sua expansão bancária fora do Brasil.

Contexto: a expansão do Nubank fora do Brasil

O Nubank construiu no Brasil, ao longo da última década, a base de clientes que hoje sustenta sua tese de crescimento regional. A companhia soma mais de 135 milhões de clientes em toda a América Latina, número que a coloca entre as maiores instituições financeiras digitais do mundo em base de usuários.

Nos últimos anos, o banco tem replicado no México e na Colômbia o modelo de crescimento que funcionou no mercado brasileiro: entrada por produtos de crédito e conta digital, seguida de expansão de portfólio conforme a base de clientes amadurece. Neste mês, o Nubank recebeu autorização para operar como banco no México, um marco regulatório que muda o status da operação local, até então limitada a produtos financeiros sem a licença bancária plena. Na Colômbia, a instituição já acumula 5 milhões de usuários, volume que indica tração relevante num mercado historicamente dominado por bancos tradicionais.

Para gestores de fundos de crédito e originadores que acompanham o movimento de bancos digitais na região, esse tipo de credencial regulatória importa porque amplia o leque de produtos que o Nubank pode oferecer, incluindo linhas de crédito com lastro mais robusto e potencial de securitização futura.

O que mudou: uma única cadeira para três países

Com a mudança anunciada, Livia Chanes deixa de responder apenas pela operação brasileira e passa a ser CEO para toda a América Latina. Os country managers Armando Herrera, à frente do México, e Marcela Torres, responsável pela Colômbia, passam a se reportar diretamente a ela.

Livia ingressou no Nubank há seis anos, inicialmente como vice-presidente de produtos, e assumiu a cadeira de country manager da operação brasileira no segundo semestre de 2022. Neste período, o Brasil ganhou mais de 50 milhões de novos clientes sob sua gestão, o que a credenciou como nome natural para a nova função regional.

David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, resumiu a lógica por trás da decisão ao afirmar que “unificar a região sob a liderança da Livia é um passo natural”. A frase sintetiza o racional da companhia: replicar, sob comando único, o padrão operacional que já deu certo no maior mercado do grupo.

Análise: o que a unificação sinaliza para o mercado de crédito

Do ponto de vista de quem acompanha o mercado de crédito privado, a centralização de comando tende a acelerar a padronização de processos entre as três operações, o que inclui política de crédito, modelos de originação e, potencialmente, estruturas de funding. Bancos digitais que atingem escala relevante em múltiplos países costumam buscar eficiência via unificação de práticas de underwriting e de gestão de risco, o que pode se traduzir em maior previsibilidade para quem avalia o Nubank como contraparte, originador ou eventual cedente em operações estruturadas.

Analistas do setor financeiro avaliam que movimentos desse tipo tendem a preceder fases de aceleração comercial, já que a unificação de liderança normalmente vem acompanhada de metas mais agressivas de originação de crédito e de expansão de produtos nos mercados menos maduros do grupo. Para o ecossistema de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e crédito estruturado, a evolução do Nubank como originador relevante fora do Brasil é um dado a monitorar, sobretudo se a instituição buscar parceiros locais ou estruturas de securitização para financiar seu crescimento em mercados onde ainda não tem a mesma maturidade de capital que construiu no Brasil.

Perspectivas: o que observar daqui para frente

Livia Chanes é engenheira formada pela Escola Politécnica da USP e tem mestrado em desenvolvimento sustentável por uma escola de engenharia francesa. Antes do Nubank, passou por McKinsey e Itaú, trajetória que combina consultoria estratégica e experiência bancária tradicional. Em 2024, foi destaque na lista Forbes de Melhores CEOs, reconhecimento que reforça o histórico de execução que a companhia busca replicar agora em escala regional.

O próximo movimento a observar é como a nova estrutura de comando único vai se traduzir em produtos e política de crédito no México e na Colômbia. Para o mercado de crédito privado brasileiro, o desdobramento mais relevante é se o Nubank passará a demandar estruturas de securitização e parcerias com gestores locais para sustentar o ritmo de originação fora do Brasil, replicando um caminho que fintechs brasileiras já percorreram por aqui via FIDCs e outras estruturas de crédito estruturado.


Fonte: Forbes Brasil, “Nubank Anuncia Livia Chanes Como CEO para a América Latina”, 15 de julho de 2026

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