Em mais de duas décadas operando nos bastidores do sistema financeiro brasileiro, a Finnet acumulou R$ 31 bilhões em operações de crédito corporativo e agora renova sua liderança para acelerar a próxima fase de crescimento, com Open Finance e risco sacado no centro da estratégia.
O mercado que cresceu na sombra dos grandes bancos
No ecossistema de crédito privado brasileiro, a maior parte dos holofotes recai sobre gestoras, FIDCs e originadores. Mas há uma camada de infraestrutura que viabiliza essas operações antes mesmo de qualquer decisão de crédito ser tomada: a conectividade entre empresas e instituições financeiras.
É nessa camada que a Finnet opera há mais de 25 anos. A companhia paulistana nasceu para resolver um problema específico: grandes empresas precisavam acessar dezenas de bancos simultaneamente, gerenciar contas a pagar e receber, operar cobranças e antecipações de recebíveis, tudo em sistemas diferentes, com integrações custosas e processos manuais.
A Finnet centralizou esse fluxo em uma única plataforma. Hoje, sua infraestrutura está integrada a mais de 120 instituições financeiras e conecta mais de 3 milhões de CNPJs em toda a cadeia produtiva brasileira.
O resultado concreto: mais de R$ 2,1 trilhões em transações financeiras já passaram pela plataforma, junto com R$ 31 bilhões em operações de crédito corporativo, número que ganhou tração especialmente com a expansão das operações de risco sacado e antecipação de recebíveis.
Crédito corporativo: o vetor que acelerou os números
Para o mercado de FIDC e crédito privado, o dado mais relevante está na vertical de crédito corporativo da Finnet. Em um cenário marcado por juros estruturalmente elevados e maior seletividade na concessão de crédito bancário, empresas de todos os tamanhos intensificaram o uso de operações de antecipação de recebíveis e risco sacado, modalidade em que fornecedores antecipam pagamentos com base na capacidade de crédito da empresa compradora, e não do próprio fornecedor.
Nesse modelo, a Finnet opera um marketplace de crédito corporativo que conecta grandes empresas âncoras, seus fornecedores e as instituições financeiras dispostas a prover o crédito. É exatamente o tipo de operação que alimenta FIDCs de recebíveis comerciais e cadeias de fornecimento de grandes grupos.
A expansão nesse segmento foi um dos três vetores que explicam o crescimento recente da companhia. Os outros dois foram o Open Finance e a ampliação do portfólio de produtos.
No Open Finance, a Finnet foi homologada pelo Banco Central para atuar na agenda regulada e passou a oferecer serviços de iniciação de pagamentos e conectividade financeira dentro do novo ecossistema, posicionamento que diferencia a empresa de concorrentes que ainda operam em modelos de integração bancária legados.
O resultado financeiro reflete a estratégia: receita operacional líquida de R$ 106 milhões em 2024, crescimento de 21% sobre o ano anterior. Para 2025, a companhia projeta expansão de 15% a 20%, acima da média do setor de fintechs B2B.
Nova liderança para o próximo ciclo
Fundada no início dos anos 2000 por Yoshimiti Matsusaki e Marcos Bonfá, que se conheceram durante passagem pela Nortel Networks, multinacional canadense de telecomunicações, a Finnet operou por mais de duas décadas sob liderança dos fundadores. A virada de ciclo começou em maio de 2026, com a chegada de Leo Monte como novo CEO.
Agora, a renovação do C-level se completa com dois novos nomes estratégicos.
Emerson Faria assume como CFO com mais de 30 anos de experiência nos mercados financeiro, de capitais e de tecnologia. Além da agenda financeira e de governança, responderá pelas áreas de jurídico, pessoas & cultura, compliance, controles internos e segurança da informação.
“A empresa tem uma trajetória sólida e uma posição construída ao longo de mais de duas décadas de relacionamento com corporações e instituições financeiras. Vamos combinar o legado dos fundadores com uma estrutura preparada para suportar os próximos ciclos de crescimento da companhia”, afirma Faria.
Já Marcelo Presente, com mais de 20 anos de carreira nos setores financeiro e de tecnologia, assume como COO, liderando as unidades de negócio, customer success, customer experience e implantação.
“Minha prioridade é conectar as diferentes partes da operação em torno de indicadores comuns e criar uma estrutura que suporte o crescimento com previsibilidade. Eficiência operacional não é só reduzir custo, é a empresa conseguir escalar sem perder qualidade”, diz Presente.
Os fundadores Matsusaki e Bonfá migraram para o conselho de administração, padrão de governança típico de empresas que se preparam para rodadas mais estruturadas de capital ou processos de M&A.
O portfólio que sustenta a operação
A arquitetura de produtos da Finnet é construída em quatro frentes que, juntas, cobrem o ciclo financeiro completo de uma grande empresa:
Conectividade financeira — integrações bancárias, Open Finance e comunicação com mais de 120 instituições por meio de uma única conexão integrada aos sistemas de gestão (ERPs) dos clientes.
Gestão de caixa — centralização de contas a pagar, contas a receber, extratos e conciliações bancárias em um único ambiente operacional.
Meios de pagamento e recebimento — cobranças corporativas, boletos, Pix, cartões e acompanhamento de transações em tempo real. O produto Luna integra boletos digitais ao Pix, automatizando juros, multas e fluxos de cobrança.
Crédito corporativo — antecipação de recebíveis, risco sacado e financiamento da cadeia de fornecedores. O Painel Fornecedor permite acompanhar notas fiscais, comprovantes e operações de risco sacado em tempo real.
O carro-chefe é o Bank Manager, plataforma que centraliza múltiplos bancos e operações financeiras em ambiente unificado. O PIS (Plataforma de Iniciação de Serviços) utiliza conceitos de Open Finance para conectar bancos, pagamentos e informações financeiras em canal único de gestão.
O que vem a seguir
A combinação de liderança renovada, crescimento de receita acima de 20% e posicionamento em segmentos de alta demanda, como risco sacado, Open Finance e crédito corporativo estruturado, coloca a Finnet em posição de interesse crescente para o mercado de FIDC e crédito privado.
Para gestores e originadores, a empresa representa um elo de infraestrutura que pode tanto operacionalizar cessões de recebíveis quanto acelerar a originação em cadeias de fornecimento de grandes grupos.
A próxima prova de tração estará nos resultados de 2025: se a projeção de crescimento de 15% a 20% se confirmar, a receita se aproximará de R$ 125 milhões e o volume processado de crédito corporativo deve superar marcas relevantes para o setor.
O mercado de infraestrutura financeira B2B raramente aparece nos grandes holofotes. Mas quando uma empresa que passou dos R$ 2,1 trilhões em transações renova o C-level e mira um novo ciclo de crescimento, o mercado de crédito privado tem razão em prestar atenção.
Fonte: Exame / Negócios em Expansão (21/06/2026)













