MAG Investimentos compra R$ 4,5 bi em FIDCs da More Invest

A MAG Investimentos está entrando no mercado de crédito estruturado por meio da aquisição da operação de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) da More Invest. A transação incorpora R$ 4,5 bilhões em ativos distribuídos em 10 fundos e eleva o patrimônio sob gestão da asset para quase R$ 25 bilhões, consolidando o movimento de crescimento via aquisições que a casa vem adotando desde 2022.

Contexto e cenário

O mercado de FIDCs vive um momento de forte expansão no Brasil, impulsionado pela combinação de juros elevados e demanda crescente por alternativas de financiamento fora do sistema bancário tradicional. Nesse ambiente, gestoras de renda fixa vêm buscando diversificar seu portfólio de produtos para atender plataformas de investimento, family offices, fundos de pensão e investidores institucionais que procuram retornos acima do CDI com estruturas de crédito privado.

A MAG Investimentos, historicamente forte em renda fixa tradicional e crédito privado, não tinha até então uma frente dedicada a crédito estruturado. “Faltava essa estratégia no nosso portfólio. Sempre fomos muito fortes em renda fixa tradicional e crédito privado, mas não tínhamos crédito estruturado”, afirma Fernando Gabriades, diretor comercial da MAG Investimentos.

O que mudou

A negociação com a More Invest foi costurada ao longo de cerca de seis meses. Com o acordo, a MAG absorve R$ 4,5 bilhões em ativos e o time responsável pela estratégia: David Kim e outros cinco profissionais que atuavam na frente de FIDCs passam a compor o quadro da MAG. A More segue operando com outras classes de ativos.

A gestora vai manter o modelo adotado pela equipe de Kim, que atua exclusivamente por meio de fundos de cotas de FIDCs (FIC-FIDCs). Segundo a MAG, esse formato evita potenciais conflitos de interesse, já que a casa não participa da originação das operações de crédito nem da montagem dos veículos investidos, concentrando sua atuação na seleção e no acompanhamento dos gestores e das carteiras.

A equipe vinda da More tem histórico de uma década nos fundos, com plataforma própria apoiada por inteligência artificial para monitorar os FIDCs investidos, chegando ao nível das garantias que lastreiam cada operação, segundo Gabriades. Os principais fundos da estratégia adquirida têm prazos de resgate de 30 e 60 dias, concentram mais da metade do patrimônio incorporado e apresentam retornos entre CDI mais 2% e CDI mais 3%.

Análise

Para Cláudio Pires, diretor de investimentos da MAG, o modelo de FIC-FIDCs permite oferecer ao investidor uma carteira diversificada, reduzindo o risco de concentração em uma única operação de crédito. “A estrutura de FIDC hoje é mais competitiva do que um banco. Ela consegue ofertar taxas melhores para o tomador de crédito final”, avalia Pires.

O executivo defende que a combinação de juros elevados e maior demanda por alternativas de financiamento deve seguir impulsionando tanto a oferta quanto a procura por esse tipo de estrutura, o que reforça a tese de que o crédito estruturado ganhará ainda mais espaço nas carteiras de investidores institucionais e qualificados nos próximos meses.

Perspectivas

A operação com a More Invest é a terceira incorporação realizada pela MAG desde 2022 e a maior já feita pela companhia. A primeira foi a absorção do Cash Renda Fixa, que chegou à casa com cerca de R$ 400 milhões e hoje soma R$ 5,5 bilhões. Em seguida, a gestora incorporou um fundo de ações da Somma Asset, com aproximadamente R$ 300 milhões.

Segundo Pires, o movimento de consolidação deve continuar, com a MAG se posicionando como agente ativo desse processo no mercado. Uma das prioridades é reforçar a presença da gestora em renda variável, segmento em que ainda tem pouca escala (apenas R$ 400 milhões de todo o AUM) e onde a casa vê oportunidade de crescer por meio de novas aquisições. “Dado o momento de mercado, é uma classe em que é mais fácil crescer com aquisições e incorporações do que organicamente”, conclui Pires.


Fonte: Pipeline Valor (Valor Econômico), reportagem de Maria Luíza Filgueiras, 14/07/2026

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