A securitizadora do BTG Pactual deixa de ser um braço de uso quase exclusivo do banco e passa a atender empresas, gestoras, instituições financeiras e investidores de forma ampla. A mudança chega em um momento de expansão do mercado de securitização no Brasil, que ganha espaço como alternativa de financiamento para empresas de diferentes setores.
O cenário do mercado de securitização
O mercado de securitização, operação pela qual recebíveis (direitos de crédito, como parcelas de vendas, aluguéis ou financiamentos) são transformados em títulos negociáveis, vem crescendo como via alternativa de captação para empresas que buscam alongar dívida ou diversificar fontes de recursos fora do crédito bancário tradicional.
Nesse ecossistema, a securitizadora funciona como a peça que estrutura a operação: origina o crédito, monta o instrumento jurídico e conecta esse papel ao investidor final. Até agora, a BSec, securitizadora do BTG Pactual, operava de forma majoritariamente voltada para dentro de casa, dando suporte às próprias emissões e fundos ligados ao banco.
Esse modelo é comum entre bancos de investimento que verticalizam a cadeia de crédito estruturado. Mas a decisão de abrir essa estrutura para fora, inclusive para concorrentes diretos, é o tipo de movimento que reorganiza a disputa por market share em serviços de securitização, escrituração e administração fiduciária.
O que muda na prática
A partir de agora, a BSec passa a reunir em uma única plataforma serviços que antes estavam distribuídos entre diferentes áreas do BTG Pactual: securitização, escrituração de renda fixa, renda variável e fundos, atuação como banco liquidante, Agente Fiduciário as a Service (AFaaS), Relações com Investidores as a Service (RIaaS) e administração e custódia de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).
A proposta é reduzir a complexidade operacional de quem estrutura uma emissão. Em vez de contratar cada etapa separadamente com prestadores distintos, o cliente encontra o fluxo inteiro dentro da mesma plataforma, o que tende a acelerar processos e baratear custos de estruturação.
A BSec vai atuar na estruturação e emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Recebíveis (CR) e Debêntures Securitizadas, conectando originadores de crédito a investidores que compram esses papéis no mercado de capitais. Segundo o BTG Pactual, o volume já movimentado pelas operações que compõem esse ecossistema soma mais de R$ 160 bilhões, entre estruturação e administração de ativos.
Governança como condição para operar com concorrentes
O ponto sensível de uma securitizadora que nasce dentro de um banco e passa a prestar serviço para concorrentes é o conflito de interesse. Por isso, a companhia informou que a BSec terá governança própria, com segregação total de informações em relação às demais áreas do BTG Pactual, criando uma barreira de informação entre a securitizadora e o restante do banco.
Esse tipo de mecanismo é justamente o que reguladores e o próprio mercado costumam exigir de instituições financeiras que combinam atividade bancária com prestação de serviços a terceiros: sem segregação clara, um concorrente dificilmente estruturaria uma operação sensível dentro da plataforma de um rival.
“O mercado demanda cada vez mais estruturas especializadas, capazes de conectar originadores e investidores de forma eficiente e segura. Nosso objetivo é ser uma plataforma de referência para parceiros que buscam expertise técnica, agilidade na execução e padrões elevados de governança e excelência”, afirma Cesar Ribeiro, sócio do BTG Pactual à frente da BSec.
O que monitorar a partir daqui
A abertura da BSec ao mercado testa se a promessa de governança segregada se sustenta na prática, à medida que gestoras e instituições concorrentes do BTG passem a usar a estrutura para suas próprias emissões de CRI, CRA e FIDCs. Para gestores e administradores de FIDC, o movimento amplia a oferta de prestadores com escala e histórico operacional relevante, num mercado que já discute concentração de serviços fiduciários e de custódia.
Vale acompanhar se outros bancos com securitizadoras próprias seguirão o mesmo caminho de abertura, e como a CVM e a ANBIMA reagirão à consolidação de serviços de escrituração, agente fiduciário e RI sob uma mesma plataforma ligada a um banco de grande porte.
Fonte: Exame Invest, “BTG Pactual abre plataforma de securitização a concorrentes e gestores”, por Mitchel Diniz, 16 de julho de 2026. Link: https://exame.com/invest/mercados/btg-pactual-abre-plataforma-de-securitizacao-a-concorrentes-e-gestores/













