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Fidcs & FundosCrédito privado

QI Tech compra Autobanking e mira financiamento de veículos via FIDC

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários
QI Tech compra Autobanking e mira financiamento de veículos via FIDC

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A QI Tech anunciou a compra de 100% da Autobanking, plataforma de financiamento de veículos fundada em 2023, marcando a entrada da fintech em um dos maiores mercados de crédito do país. O negócio, que envolveu pagamento em dinheiro e troca de ações, abre caminho para que operações de financiamento automotivo sejam estruturadas por meio de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), ampliando o leque de investidores capazes de financiar esse tipo de crédito.

Contexto: um mercado de R$ 280 bilhões concentrado em bancos

O financiamento de veículos no Brasil movimenta cerca de R$ 280 bilhões por ano em novas concessões de crédito, um volume que segue praticamente restrito a um pequeno grupo de grandes bancos. Na prática, quando uma concessionária vende um carro financiado, a operação costuma ser encaminhada a uma instituição que aprova o crédito, usa o próprio balanço para emprestar os recursos e mantém o financiamento em carteira até o fim do contrato.

É justamente essa concentração, e a baixa presença de estruturas alternativas de financiamento, que a QI Tech pretende explorar. A empresa já opera como infraestrutura de crédito em outros segmentos, viabilizando operações para terceiros sem necessariamente empregar capital próprio, um modelo que o mercado conhece como "lending as a service".

O que muda: tecnologia sem balanço, financiamento via FIDC

Fundada por Fredy Evangelista e Heitor Orletti, que agora se tornam sócios da QI Tech, a Autobanking desenvolveu uma plataforma integrada aos sistemas de concessionárias e lojas de veículos, capturando a demanda por financiamento no momento da venda. Hoje a empresa atende mais de 80 companhias, que somam mais de mil lojas espalhadas pelo país.

Com a aquisição, a Autobanking continuará responsável por capturar essa demanda dentro das concessionárias. A partir daí, será a QI Tech quem executa toda a esteira tecnológica da operação: análise de crédito, formalização, liquidação financeira e administração do contrato, prometendo reduzir o tempo de aprovação de dias para poucos minutos.

O ponto central da estratégia, para o mercado de crédito estruturado, é que a QI Tech não pretende emprestar com recursos próprios. A ideia é estruturar os financiamentos por meio de FIDCs e outros veículos de securitização, o que deve permitir que gestoras, fundos de crédito, bancos médios e até as próprias concessionárias financiem essas operações. Vale registrar que, antes da aquisição, a Autobanking já operava parte de suas concessões usando um FIDC próprio, carteira que deixou de fazer parte do negócio após a compra pela QI Tech.

Análise: infraestrutura, não disputa direta com bancos

Segundo o CEO Pedro Mac Dowell, a lógica não é competir de frente com os bancos que hoje dominam o financiamento de veículos, mas se posicionar como camada de infraestrutura entre quem origina o crédito e quem tem apetite para financiá-lo. "Nós não queremos ser um banco de financiamento de veículos. Queremos ser a infraestrutura que conecta quem origina o crédito a quem quer financiá-lo", afirmou o executivo ao Brazil Journal.

Para gestores de FIDC e fundos de crédito privado, o movimento sinaliza a formação de um novo canal de originação de recebíveis automotivos, potencialmente padronizado e tecnológico, em um segmento até então de acesso mais restrito. Mac Dowell também destacou que a entrada no crédito automotivo era fundamental para sustentar o ritmo de expansão da companhia: "Nosso desafio hoje não é mais crescer dentro dos mercados em que já atuamos, mas encontrar novos mercados grandes o suficiente para que a companhia continue crescendo nesse ritmo."

A aquisição também trouxe um ativo considerado estratégico: o conhecimento operacional dos fundadores da Autobanking na recuperação de veículos inadimplentes, etapa que envolve registro de gravame, cobrança, retomada judicial, armazenamento e revenda. Segundo Mac Dowell, essa competência especializada foi um dos principais motivos para manter os fundadores à frente da nova unidade de negócios, um ponto relevante também para a gestão de risco de crédito de eventuais FIDCs lastreados nessas operações.

Perspectivas: meta de R$ 300 milhões em receita e nova vertical relevante

Hoje a Autobanking fatura cerca de R$ 50 milhões por ano. A meta da QI Tech é elevar essa receita para aproximadamente R$ 300 milhões nos próximos doze meses, cobrando um take rate entre 0,5% e 1% sobre as operações processadas. No longo prazo, Mac Dowell estima que a nova vertical pode responder por entre 10% e 20% da receita da companhia, que projeta faturamento entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões neste ano, mantendo crescimento e margens superiores a 50%.

O executivo já enxerga desdobramentos adicionais dentro do ecossistema automotivo, como linhas de crédito com garantia de veículo e capital de giro para concessionárias utilizarem seus estoques como colateral. Para o mercado de FIDC, o desenvolvimento que merece acompanhamento é o volume e o ritmo em que essas novas operações de financiamento automotivo passarão a ser efetivamente securitizadas, e quais gestoras e fundos de crédito privado serão os primeiros a acessar essa nova classe de recebíveis.


Fonte: Brazil Journal, "QI Tech compra a Autobanking e estreia no crédito automotivo", 8 de julho de 2026 (https://braziljournal.com/qi-tech-compra-a-autobanking-e-estreia-no-credito-automotivo/)

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