A três semanas das urnas, distância entre Lula e Flávio Bolsonaro encolhe ante 2022
Levantamentos desta semana mostram que a folga do presidente encolheu de dois dígitos, em 2022, para menos de cinco pontos na disputa de 2026.

A três semanas do primeiro turno, o comparativo entre as duas últimas eleições presidenciais brasileiras expõe uma diferença relevante de cenário. Pesquisas divulgadas nesta segunda quinzena de setembro mostram Lula (PT) com vantagem apertada, e em alguns levantamentos dentro da margem de erro, sobre Flávio Bolsonaro (PL). Em 2022, no mesmo estágio da campanha, o presidente abria distância de dois dígitos sobre o então adversário, Jair Bolsonaro.
Como estava a corrida em 2022
Em 14 de setembro de 2022, a três semanas da votação, o instituto Quaest media Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Jair Bolsonaro, uma diferença de 8 pontos. No cenário de segundo turno, a vantagem também era de 8 pontos (48% a 40%). No dia seguinte, o Datafolha divulgou números ainda mais folgados para o petista: 45% a 33%, uma diferença de 12 pontos.
Esses números, no entanto, não se confirmaram integralmente nas urnas. No primeiro turno de 2022, Lula obteve 48,43% dos votos válidos contra 43,20% de Bolsonaro, uma diferença bem menor do que a apontada pelas pesquisas de véspera. O episódio ficou marcado como um dos principais casos de discrepância entre projeção e resultado no histórico eleitoral recente do país, e institutos de pesquisa vêm citando esse precedente para reforçar que os números atuais são "uma fotografia do momento", não uma previsão do resultado final.
O quadro atual é mais equilibrado. A pesquisa Quaest realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro (2.004 entrevistados, margem de erro de 2 pontos) apontava Lula com 37% no primeiro turno contra 30% de Flávio Bolsonaro, com Augusto Cury (Avante) em 10%. No segundo turno, o intervalo já estava dentro da margem de erro: 42% a 41%.
Duas semanas depois, em 14 de setembro, o mesmo instituto mostrou o primeiro turno com Lula em 36% e Flávio em 31% (diferença de 5 pontos), e o segundo turno tecnicamente empatado, com Flávio à frente por uma margem mínima (42% a 40%), dentro do erro amostral. O agregador de pesquisas Carta/Colectta, que pondera diferentes institutos registrados na Justiça Eleitoral, mostrava em 4 de setembro um cenário ainda mais apertado no segundo turno: Lula com 44,7% e Flávio com 44%, uma vantagem de 0,7 ponto para o presidente, também dentro da margem de erro.
A trajetória ajuda a explicar o movimento. Segundo o mesmo levantamento, entre fevereiro e abril Flávio chegou a liderar por cerca de dois pontos. Em maio, após as revelações do chamado "Caso Master", envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, Lula recuperou fôlego e abriu vantagem superior a cinco pontos. De lá para setembro, contudo, essa distância voltou a diminuir de forma consistente.
Um dado que ajuda a explicar a volatilidade é a queda expressiva de indecisos. Segundo a Quaest, esse grupo caiu de 51% para 42% da amostra com o início oficial da propaganda eleitoral, um sinal de que parte do eleitorado está migrando dos "não sei" para candidaturas definidas, movimento que tende a se acentuar nas últimas semanas de campanha.
Analistas de pesquisas eleitorais costumam apontar que corridas presidenciais em ambientes polarizados tendem a se estreitar à medida que o segundo turno se aproxima, à medida que o eleitorado indeciso se distribui e a base do adversário se consolida em torno da candidatura mais competitiva. No caso de 2026, parte da explicação parece estar na base eleitoral do próprio presidente: segundo a InfoMoney, Lula perdeu 4 pontos entre eleitores de baixa renda, com queda acumulada de 7 pontos nesse segmento em apenas um mês, um recorte historicamente importante para a sustentação de sua candidatura.
Essa combinação, erosão pontual na base tradicional e consolidação do adversário, é o principal fator citado para explicar por que a distância de 2026 é hoje menos da metade da observada no mesmo momento de 2022.
A diferença central entre os dois ciclos eleitorais é a margem de segurança. Em 2022, mesmo com a aproximação natural de Bolsonaro na reta final, Lula tinha folga suficiente para chegar ao segundo turno em posição confortável. Em 2026, essa margem praticamente desapareceu nos cenários de segundo turno, o que torna as últimas três semanas de campanha decisivas.
Para a campanha petista, o desafio citado pelos levantamentos é duplo: recuperar terreno perdido entre eleitores de baixa renda sem elevar a rejeição em outros segmentos, e mobilizar sua base tradicional em um cenário de menor abstenção de indecisos. Para o campo de Flávio Bolsonaro, a tarefa é consolidar o crescimento mostrado desde maio e transformar o empate técnico em vantagem antes do primeiro turno. Novas rodadas de pesquisa devem ser divulgadas nos próximos dias, e a discrepância registrada em 2022 reforça que o resultado de outubro pode continuar sujeito a surpresas.
Fontes: InfoMoney
FIDC NEWS
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