Flávio abre vantagem de 4,4 pontos sobre Lula no 2º turno, mostra pesquisa
Pesquisa Futura Inteligência aponta virada no 2º turno e acende alerta para gestores de crédito privado.

A um ano da votação, o mercado de crédito privado já monitora as pesquisas eleitorais como termômetro de risco fiscal. O novo levantamento da Futura Inteligência mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula num cenário de segundo turno, com margem que testa os limites da margem de erro e reacende a discussão sobre prêmio de risco para 2027.
O instituto Futura Inteligência ouviu 2.000 eleitores por telefone entre 11 e 15 de setembro de 2026, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-00749/2026 e foi divulgada nesta quinta-feira, 17 de setembro.
No cenário simulado de segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 48,1% das intenções de voto válidas, contra 43,7% de Lula (PT). A diferença de 4,4 pontos percentuais supera a margem de erro individual de cada candidato, mas ainda comporta empate técnico quando somadas as margens dos dois lados do confronto. Votos brancos e nulos somam 6,5% e 1,7% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
No primeiro turno, o quadro é de empate técnico: Lula tem 38,3% das intenções de voto contra 37,7% de Flávio, dentro da margem de erro do instituto.
O dado que chama atenção de analistas políticos e financeiros é o movimento entre ondas da mesma pesquisa. Segundo a Futura, Flávio avançou 2,7 pontos percentuais no cenário de segundo turno em relação ao levantamento anterior, enquanto Lula recuou 1,3 ponto no mesmo comparativo. É a primeira vez, nesta série de pesquisas, que o candidato do PL aparece numericamente à frente fora da margem de erro individual.
O instituto testou ainda outros cenários de segundo turno contra Lula: Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 45,1% contra 41,9%; Romeu Zema (Novo) tem 44,7% contra 40,6%; Renan Santos (Missão) soma 44,5% contra 39,3%; e Augusto Cury (Avante) marca 44,8% contra 41,5%. Em todos os cenários testados, o resultado favorece o adversário de Lula, o que reforça a leitura de desgaste do governo entre o eleitorado consultado.
Pesquisa eleitoral não move cota de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, veículo que compra recebíveis de empresas e os transforma em ativos financeiros) da noite para o dia. Mas o mercado de crédito estruturado precifica risco político com antecedência, via curva de juros futura, câmbio e spread de crédito exigido nas cessões.
Uma eleição mais competitiva, com viradas registradas em pesquisas sucessivas, tende a elevar a volatilidade da curva de DI e do dólar nos meses que antecedem o primeiro turno, o que encarece o custo de captação para originadores e pressiona a taxa de desconto aplicada na compra de recebíveis. Para gestores de fundos de recebíveis, o dado relevante não é o nome do candidato à frente, mas a instabilidade da corrida: quanto mais aberto o resultado, maior tende a ser o prêmio de risco embutido nas novas emissões e maior a atenção exigida na análise de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) de carteiras com prazo mais longo.
Avaliam gestores de crédito estruturado consultados por veículos do setor que o ciclo eleitoral de 2026 já entrou no radar de comitês de crédito, especialmente em operações com vencimento além do primeiro turno, marcado para outubro de 2026. A leitura predominante é de cautela seletiva, sem mudança abrupta de apetite, mas com reprecificação gradual do risco em novas cotas subordinadas.
A confirmação ou não da tendência apontada pela Futura Inteligência depende das próximas rodadas de pesquisa, que devem se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança. Institutos concorrentes, como Genial/Quaest, seguem mostrando cenários distintos, com Lula ainda na liderança em parte dos levantamentos, o que reforça a leitura de corrida em aberto e sem consolidação estatística.
Para o mercado de crédito privado, o ponto de atenção nos próximos meses é a curva de juros futuros e o comportamento do câmbio em resposta a cada nova pesquisa relevante, além de eventuais sinalizações fiscais dos candidatos mais bem posicionados. Gestores de FIDC e originadores devem acompanhar de perto o espaçamento entre as pesquisas e a evolução da rejeição dos principais nomes, variável que tende a pesar tanto quanto a intenção de voto na formação do prêmio de risco político embutido nas operações de médio e longo prazo.
Fontes: CNN Brasil
FIDC NEWS
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