Operação Carbono Oculto chega à 3ª fase e mira ex-diretor do Banco Genial
Crime organizado, combustíveis e mercado financeiro: investigação volta a bater à porta das instituições.

Nova etapa da investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados. Entre os alvos estão um executivo de banco e o dono de uma empresa de investimentos que fez delação à PGR. Para quem atua em FIDC e crédito privado, a operação volta a mostrar que o escrutínio sobre veículos de investimento e intermediários financeiros continua forte.
A Operação Carbono Oculto apura a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Desde as primeiras etapas, o caso ganhou peso no mercado de capitais porque a apuração seguiu o caminho do dinheiro: além de postos, distribuidoras e formuladoras, os investigadores passaram a olhar para as estruturas financeiras que teriam sido usadas para movimentar e esconder recursos.
A primeira fase, em agosto de 2025, colocou fintechs e fundos de investimento no centro do debate. Entre eles estavam FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), veículos que compram recebíveis como duplicatas, contratos e outros créditos. Na época, o episódio abriu uma discussão no setor sobre diligência, identificação do beneficiário final e o papel de administradores, gestores e custodiantes na prevenção à lavagem de dinheiro.
A chegada à terceira fase mostra que a investigação segue ativa e ficando mais ampla, agora com alvos ligados diretamente a instituições financeiras e a empresas de investimento.
Os alvos da terceira fase
Segundo reportagem do Metrópoles publicada nesta quinta-feira (24/9), os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em São Paulo e em outros seis estados. Um dos alvos é Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial. Os irmãos dele, André Tupinambá e Bruno Tupinambá, também foram alvo das buscas.
A lista inclui ainda Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", dono da Entre Investimentos. Ele firmou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a reportagem, a empresa de Freixo Junior teria sido usada para os repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinados à produção de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reportagem original não informa valores envolvidos, os crimes imputados a cada investigado nem a resposta das pessoas e instituições citadas. Até agora, não há acusação formal contra os alvos da nova fase. Busca e apreensão é uma medida investigativa e não significa culpa.
O que a nova fase sinaliza para o mercado
Para gestores, administradores fiduciários e investidores de FIDC, o caso reforça uma tendência que já pesa nas decisões do setor. O risco reputacional deixou de se limitar à qualidade da carteira de crédito. Hoje ele inclui também a origem dos recursos, a identidade dos cotistas e a rede de intermediários que cerca cada operação.
Na leitura de profissionais do mercado, cada nova etapa de operações desse tipo aumenta a pressão para que prestadores de serviço fiduciário reforcem os processos de conheça seu cliente (KYC) e de prevenção à lavagem de dinheiro. Isso vale principalmente em estruturas com cotistas pouco transparentes, cedentes com vínculos societários cruzados ou crescimento patrimonial fora do padrão. O efeito prático tende a aparecer na originação: comitês mais rigorosos, diligência mais demorada e mais recusas de mandatos com governança frágil.
A citação de um executivo de banco e de uma empresa de investimentos no mesmo inquérito também reacende o debate sobre como as instituições monitoram a conduta de pessoas em cargos de direção. Nesse ponto, as políticas de compliance acabam pesando tanto quanto os indicadores de crédito.
O que monitorar a partir de agora
Os próximos passos dependem da análise do material apreendido e do avanço da colaboração de Antonio Carlos Freixo Junior com a PGR. O mercado deve acompanhar três frentes: possíveis manifestações oficiais do Banco Genial e da Entre Investimentos, uma eventual abertura de processos administrativos por reguladores e o surgimento de novos nomes do sistema financeiro nas próximas fases.
Para a indústria de FIDC, o recado continua o mesmo desde o início da Carbono Oculto: governança, transparência sobre o passivo e rastreabilidade dos recursos já contam como diferencial competitivo na hora de captar e reter investidores institucionais.
Posicionamento do Banco Genial
O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.
A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.
Fonte: Metrópoles, "Diretor do Banco Genial é alvo da 3ª fase da Operação Carbono Oculto", 24/09/2026
FIDC NEWS
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