Safra 2025/26 de grãos bate recorde de 360,11 milhões de toneladas puxada pela soja, aponta Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou, no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 divulgado nesta terça-feira (14/07), que a produção nacional deve fechar em 360,11 milhões de toneladas, alta de 2,2% sobre o ciclo 2024/25. A soja foi a principal responsável pelo resultado, com produção estimada em 180,57 milhões de toneladas.

Contexto da safra

O 10º levantamento consolida a colheita já encerrada e confirma a tendência de expansão que a Conab vinha sinalizando nos boletins anteriores. A safra 2024/25 havia somado 352,27 milhões de toneladas, patamar que já era considerado elevado para os padrões históricos do país. O novo número representa um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado.

Na comparação com o levantamento de junho, a estimativa também subiu, 1,48 milhão de toneladas a mais, avanço de 0,4%. Para a Conab, esse ajuste reflete principalmente a ampliação da área plantada com grãos, que chegou a 83,54 milhões de hectares, 2,2% acima dos 81,73 milhões de hectares da safra anterior. A produtividade média nacional ficou praticamente estável, em 4.311 quilos por hectare, o que indica que o ganho de produção veio sobretudo do aumento de área, e não de um salto tecnológico pontual.

O fato central, a soja como motor do recorde

Com a colheita encerrada, a soja atingiu 180,57 milhões de toneladas, volume 5,3% superior às 171,48 milhões de toneladas da temporada 2024/25. O crescimento da cultura está ligado ao aumento de 2,7% na área cultivada, somado ao pacote tecnológico já consolidado entre os produtores e a condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo.

O desempenho da oleaginosa foi determinante para o resultado nacional. Segundo a Conab, o ganho de produção da soja compensou perdas registradas em outras cadeias agrícolas importantes, funcionando como o principal vetor de crescimento da safra de grãos como um todo. Ou seja, sem o avanço da soja, o resultado consolidado do país teria ficado bem mais próximo da estabilidade.

Análise, o que o número diz sobre o ciclo agrícola

Para analistas do mercado agrícola, o fato de a produtividade média nacional ter se mantido praticamente estável, mesmo com recorde de volume, mostra que o Brasil ainda está expandindo sua produção de grãos principalmente pela via da fronteira agrícola, com mais área entrando em produção a cada safra. Esse padrão tende a manter o país como fornecedor global relevante de soja, mas também acende um sinal de atenção sobre até que ponto o ganho de produtividade por hectare consegue acompanhar o ritmo de expansão de área nos próximos ciclos.

A revisão para cima entre os levantamentos de junho e julho também reforça que a Conab ainda está ajustando suas projeções à medida que a colheita se consolida em campo, um movimento típico do fechamento de safra, quando os números finais tendem a convergir com a realidade da lavoura.

Perspectivas, o que observar daqui para frente

Com a colheita 2025/26 encerrada e o número de 360,11 milhões de toneladas praticamente fechado, a atenção do mercado deve se voltar para o planejamento da safra seguinte, especialmente para a evolução da área destinada à soja e para o comportamento dos preços internacionais da oleaginosa, que influenciam diretamente a decisão de plantio dos produtores. Também vale monitorar se a estabilidade na produtividade média nacional se repete ou se o país consegue avançar em ganhos por hectare no próximo ciclo, o que mudaria a equação de crescimento da produção brasileira de grãos.


Fonte: Canal Rural, “Soja chega a 180 milhões de t e impulsiona safra brasileira recorde de grãos; dados são da Conab”, 14/07/2026

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