A nova fase do investimento estrangeiro em imóveis nos EUA
Menos imóveis foram comprados por estrangeiros nos EUA, mas quase metade das transações foi paga à vista e a Flórida segue como principal destino desse capital.

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O investimento estrangeiro em imóveis residenciais nos Estados Unidos entrou em uma nova fase. Entre abril de 2025 e março de 2026, compradores internacionais movimentaram US$ 45,3 bilhões no mercado americano, uma queda de 19,1% em relação ao período anterior, segundo levantamento da National Association of Realtors (NAR). No mesmo intervalo, foram adquiridos 67,1 mil imóveis, 14% menos que no ciclo anterior, o segundo menor volume desde o início da série histórica da entidade, em 2009.
A retração no número de negócios, porém, veio acompanhada de um dado que ajuda a revelar o perfil de quem continua comprando: 48% das aquisições realizadas por estrangeiros foram pagas integralmente em dinheiro, ante 28% entre todos os compradores de imóveis usados nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a Flórida permaneceu como principal destino internacional, com 20% das transações. O cenário aponta para um comprador mais seletivo, com capacidade financeira e maior preocupação com localização, qualidade do ativo e estratégia patrimonial.
Para Leandro Sobrinho, cofundador da Davila Finance, empresa especializada em investimentos imobiliários na Flórida, a redução no volume de compras não significa uma saída do capital internacional dos Estados Unidos. Segundo ele, o cenário mostra um investidor mais preparado para tomar decisões. “O mercado passou por uma fase de grande valorização e agora o comprador está mais criterioso. Ele quer entender o ativo, a região, a demanda existente e como aquele imóvel se encaixa dentro de uma estratégia de patrimônio de longo prazo”, afirma.
O pagamento à vista também chama atenção porque mostra que parte relevante desses compradores depende menos das condições de financiamento para concretizar uma aquisição. Em um período marcado por juros ainda elevados e maior seletividade no mercado imobiliário americano, a disponibilidade de capital amplia o peso de outros critérios na decisão, como localização, demanda, liquidez e perspectiva de longo prazo.
Segundo Thiago Davila, investidor e incorporador imobiliário, essa mudança alterou também os critérios utilizados na escolha dos imóveis. “Hoje, não basta comprar uma propriedade nos Estados Unidos. O investidor precisa avaliar fatores como localização, infraestrutura ao redor, potencial de ocupação e demanda futura. Um imóvel pode estar em um mercado conhecido e ainda assim não representar uma boa decisão financeira”, explica.
A Flórida segue como um dos principais polos de atração desse capital por reunir fatores como crescimento populacional, turismo, infraestrutura e presença de compradores internacionais. Dados do U.S. Census Bureau mostram que o estado continua entre os que mais recebem novos moradores nos Estados Unidos, movimento que mantém a pressão por demanda residencial em diferentes regiões.
Para investidores brasileiros, o mercado americano continua sendo uma alternativa de diversificação, principalmente pela possibilidade de exposição a ativos dolarizados. Nesse tipo de operação, porém, a rentabilidade não depende apenas da valorização do imóvel. Impostos, seguros, manutenção, estrutura da operação e regras locais entram na conta e ajudam a definir quais ativos são mais adequados para cada objetivo patrimonial.
“O investidor brasileiro muitas vezes chega aos Estados Unidos olhando apenas para a valorização histórica dos imóveis, mas essa não deve ser a única métrica. É necessário entender o fluxo de caixa, os custos envolvidos, a localização, a estrutura financeira da operação e o objetivo daquela aquisição. Na Davila Finance, esse trabalho passa justamente por avaliar essas variáveis e entender como cada propriedade se encaixa na estratégia e no horizonte de investimento de cada cliente”, afirma Leandro.
Thiago ressalta que o momento atual favorece uma postura mais técnica por parte dos compradores. “Os melhores investimentos geralmente aparecem quando existe uma análise cuidadosa do mercado. O objetivo não deve ser simplesmente comprar um imóvel nos Estados Unidos, mas escolher um ativo que tenha fundamentos e faça sentido dentro do planejamento do investidor”, diz.
A avaliação dos especialistas é que a Flórida continua relevante no mapa global de investimentos imobiliários, mas o perfil do comprador mudou. O movimento atual aponta para um investidor internacional menos impulsivo e mais estratégico, que busca ativos capazes de preservar patrimônio e gerar oportunidades ao longo do tempo.
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