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A Pulverização do Dólar: Salto de 60% no Número de Exportadoras do Agro Abre Nova Fronteira para o Crédito

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A Pulverização do Dólar Salto de 60% no Número de Exportadoras do Agro Abre Nova Fronteira para o Crédito

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O crescimento expressivo de médias empresas e cooperativas a aceder diretamente ao mercado externo na última década quebra o domínio das gigantes e cria um vasto mercado para FIDCs focados em recebíveis cambiais.

O agronegócio brasileiro passou por uma revolução silenciosa na última década. Para além dos recordes sucessivos de volume colhido, houve uma profunda transformação na ponta vendedora. Dados recentes mostram que o número de empresas agroexportadoras cresceu impressionantes 60% em 10 anos.

O que este número nos diz é que a exportação deixou de ser um clube exclusivo para meia dúzia de mega-tradings multinacionais. Hoje, cooperativas regionais, indústrias de processamento de médio porte e até grupos de produtores mais estruturados do Centro-Oeste estão a saltar os intermediários e a negociar diretamente com compradores na Ásia, no Médio Oriente e na Europa.

A Maturidade da Cadeia e o "Selo de Qualidade"

Esse movimento de internacionalização das médias empresas ocorre por uma combinação de fatores: melhoria na infraestrutura de comunicação, plataformas digitais de negociação e a exigência global por diversificação de fornecedores.

Para a empresa, exportar é sinónimo de acessar linhas de crédito mais baratas (historicamente) e proteger parte do faturamento com receita em Dólar ou Euro, criando um hedge natural contra a volatilidade do mercado interno. Além disso, o mercado externo atua como um rigoroso auditor: quem consegue passar pelas barreiras sanitárias e de governança para embarcar um contêiner, automaticamente eleva o seu padrão de gestão corporativa.

O Mapa da Mina para os FIDCs e Fiagros

Para a indústria de crédito estruturado, o surgimento dessa nova classe de exportadores é, possivelmente, a melhor oportunidade da década:

  1. A Morte da Concentração: Até há pouco tempo, operar recebíveis de exportação significava concentrar muito risco num único grande sacado (uma grande trading). Agora, os fundos podem pulverizar o risco de crédito financiando centenas de exportadores de médio porte com tickets menores, mas com lastro de altíssima qualidade.
  2. O "GAP" Bancário nos ACCs/ACEs: As médias empresas agroexportadoras enfrentam frequentemente burocracia excessiva e falta de agilidade nos grandes bancos de varejo para aprovar linhas de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) ou Cambiais Entregues (ACE). Os FIDCs, com a sua esteira de decisão ágil e flexibilidade de garantias, têm aqui um "oceano azul" para oferecer crédito ponte a esses exportadores enquanto a mercadoria viaja.
  3. Melhoria do Perfil de Risco (Rating): Financiar uma empresa que tem 30% ou 40% da sua receita atrelada a exportações reduz o risco sistémico da operação. Se o mercado interno (consumo) travar, a empresa continua a gerar caixa lá fora.

"Estamos a ver a formação de uma nova 'classe média' empresarial no agro, robusta e dolarizada", analisa o nosso especialista do FIDCnews. "O dinheiro do mercado de capitais precisa encontrar essas empresas. Para o gestor de crédito, financiar esse exportador em ascensão é trocar o risco do mercado local pela segurança relativa de um contrato internacional."

Em suma, a base da pirâmide exportadora alargou-se. O mercado de recebíveis cambiais tem agora escala e pulverização suficientes para se tornar a estrela das carteiras de fundos mais sofisticados.


Fonte utilizada:

  • Globo Rural: "Número de empresas agroexportadoras cresce 60% em 10 anos"

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