Ata do Fed e desdobramentos do 2º turno das eleições pautam o mercado financeiro nesta quarta-feira
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Cenário Internacional
A principal referência do mercado internacional nesta quarta-feira será a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, às 15h. O documento poderá trazer detalhes sobre o debate entre os dirigentes após a alta de 25 pontos-base realizada em setembro, quando a taxa foi levada para o intervalo de 3,75% a 4,00%.
O mercado trabalha majoritariamente com a possibilidade de manutenção dos juros na reunião de outubro, enquanto uma nova alta passou a ser concentrada nas expectativas para dezembro. A perspectiva de uma pausa temporária, caso seja confirmada pela ata, tende a favorecer ativos de risco e mercados emergentes, especialmente operações de carry trade.
Nos Estados Unidos, os Treasuries recuaram, enquanto as bolsas renovaram máximas. O Dow Jones subiu 0,49%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Nasdaq ganhou 0,45%, impulsionados principalmente por empresas ligadas à inteligência artificial. O rendimento da Treasury de 10 anos permanece, porém, em níveis elevados.
O petróleo continua próximo dos US$ 100 por barril. O Brent dezembro subiu 0,26%, para US$ 100,58, diante de novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e de tensões envolvendo o Iêmen e a Arábia Saudita. A manutenção da commodity nesse patamar continua sendo um importante risco para a inflação global.
Cenário Nacional
O mercado brasileiro continua repercutindo o resultado do primeiro turno das eleições, que levou Flávio Bolsonaro e Lula ao segundo turno. Segundo a totalização oficial do TSE, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula; a votação decisiva está marcada para 25 de outubro.
A reação dos ativos perdeu força, mas não apresentou uma reversão relevante. Depois da disparada de 7,70% na segunda-feira, o Ibovespa recuou apenas 0,52% na terça-feira, enquanto o dólar permaneceu abaixo de R$ 5. O movimento indica que o mercado segue incorporando um cenário de menor prêmio de risco, embora agora passe a buscar informações mais concretas sobre a agenda econômica do próximo governo.
O discurso de Flávio sobre utilizar a maioria no Congresso para promover mudanças constitucionais aumentou a atenção sobre a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Para os mercados, a questão central será a capacidade de transformar a nova configuração política do Congresso em medidas efetivas de ajuste fiscal e reformas.
As primeiras pesquisas do segundo turno começam a ser divulgadas a partir de quinta-feira, acrescentando um novo vetor de volatilidade aos ativos domésticos.
Juros
A curva de juros manteve o movimento de fechamento das taxas intermediárias e longas, apoiada pela combinação entre o cenário eleitoral doméstico e a expectativa de uma pausa do Fed em outubro.
Contrato| Fechamento
DI Jan/27| 13,428%
DI Jan/28| 12,600%
DI Jan/29| 12,445%
DI Jan/31| 12,560%
DI Jan/33| 12,710%
O movimento mostra que o mercado continua antecipando uma redução mais rápida da Selic, especialmente a partir de 2027. A possibilidade de melhora do ambiente fiscal e de apreciação do real reforça essa expectativa.
Ao mesmo tempo, a magnitude do fechamento recente aumenta a sensibilidade da curva a qualquer sinal contrário. Uma ata do Fed mais hawkish, novas pressões fiscais ou uma deterioração do cenário eleitoral poderiam provocar alguma recomposição dos prêmios.
Câmbio
O dólar fechou em R$ 4,9756, com queda de 0,52%, após atingir R$ 4,9456 durante a sessão. É a menor cotação desde maio.
A moeda continua beneficiada pelo forte movimento de redução do prêmio de risco doméstico e pela expectativa de entrada de capital estrangeiro. A possibilidade de manutenção dos juros americanos em outubro também favorece o diferencial de juros e as estratégias de carry trade.
Por outro lado, o real já acumula forte valorização em poucos pregões, o que aumenta a possibilidade de movimentos de realização. A sustentação de uma trajetória de apreciação dependerá principalmente da evolução eleitoral e da credibilidade da futura política fiscal.
Bolsa
O Ibovespa recuou 0,52%, aos 205.835 pontos, após a alta extraordinária de 7,70% na segunda-feira. O volume permaneceu elevado, em R$ 43,5 bilhões, praticamente o dobro de uma sessão normal.
O movimento foi mais seletivo. Bradesco PN avançou 4,40%, Itaú PN subiu 1,96% e Santander ganhou 3,23%. Na outra ponta, Banco do Brasil caiu 6,42% e BTG Pactual recuou 2,81%, após a forte valorização da sessão anterior.
Petrobras também realizou parte dos ganhos, com queda de 2,78% nas ações PN e de 1,80% nas ON. Vale recuou 1,44%, pressionada pela valorização do real e pela ausência da referência do minério de ferro devido ao feriado na China.
A leitura para a Bolsa permanece construtiva, mas o mercado começa a migrar da reprecificação eleitoral para a avaliação dos fundamentos. A eventual continuidade do rali dependerá de pesquisas, discursos dos candidatos e, principalmente, da percepção sobre a capacidade de implementação de uma agenda fiscal consistente.
Corporativo
- Bradesco: anunciou R$ 3,8 bilhões em juros sobre capital próprio, com ações ficando ex-JCP em 14 de outubro.
- Enel SP: a Aneel adiou a decisão sobre a recomendação de caducidade da concessão após pedido de vista. O placar estava em 2 a 0 pela caducidade, mas a decisão final cabe ao Ministério de Minas e Energia.
- Raízen: propôs elevar o limite do capital autorizado para até 200 bilhões de ações, visando viabilizar a capitalização prevista no plano de recuperação extrajudicial.
- Azul: o Cade julga nesta quarta-feira a operação entre Azul e American Airlines.
- Cyrela: aprovou emissão de R$ 400 milhões em debêntures, com prazo de oito anos e remuneração equivalente a 99% do DI, destinada a projetos do Eco Invest.
- Hypera: fará resgate antecipado de R$ 118,3 milhões em debêntures.
- C&A: Norges Bank elevou sua participação nas ações ON de 4,94% para 5,33%.
- Assaí: Dynamo reduziu sua participação de 5,01% para 4,84%.
- Sigma Lithium: retomou as operações em Minas Gerais após decisão judicial restabelecer as licenças ambientais.
- Arauco: projeto de fábrica de celulose de R$ 23 bilhões em Mato Grosso do Sul está 81% concluído, com início da operação mantido para o quarto trimestre de 2027.
Agenda do Dia
Horário| Evento
08h00| IGP-DI de setembro
10h00| Julgamento Cade – Azul/American Airlines
12h30| Estoques de petróleo nos EUA
14h30| Fluxo cambial e produção/vendas de veículos
15h00| Ata da última reunião do Fed
16h00| Crédito ao consumidor nos EUA
20h00| Decisão de juros do Banco Central do Peru
A ata do Fed é o principal evento do dia. O documento pode confirmar a divisão interna do Comitê e dar pistas sobre a possibilidade de pausa em outubro e eventual retomada do aperto em dezembro. O calendário oficial do Federal Reserve confirma a divulgação da ata nesta quarta-feira, referente à reunião de 15 e 16 de setembro.
No Brasil, o IGP-DI deve acelerar em setembro, enquanto o fluxo cambial e os dados da indústria automobilística também estarão no radar.
Conclusão
O cenário doméstico continua construtivo para Bolsa e real, mas a intensidade do movimento tende a diminuir após a forte reprecificação observada no início da semana. O Ibovespa permanece próximo dos 206 mil pontos, enquanto o dólar abaixo de R$ 5 e o fechamento da curva de juros mostram que o mercado segue atribuindo menor prêmio de risco ao Brasil.
A partir daqui, porém, a sustentação do rali dependerá cada vez mais de fundamentos. As primeiras pesquisas do segundo turno, a evolução da campanha e, principalmente, os sinais sobre a agenda fiscal serão determinantes para definir se o movimento terá continuidade.
No exterior, uma ata do Fed indicando pausa em outubro pode favorecer o carry trade e ampliar o suporte ao real e aos ativos emergentes. Por outro lado, a inflação americana ainda elevada e o petróleo próximo de US$ 100 limitam o espaço para uma flexibilização monetária mais rápida.
Assim, a tendência permanece positiva, porém com maior seletividade e volatilidade, com o mercado dividido entre a expectativa de continuidade da reprecificação doméstica e a necessidade de confirmação dos fundamentos que sustentariam esse movimento.
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