Audax Capital prevê R$ 3 bilhões em capital de giro até 2027, com prazos de até 60 meses
Crédito corporativo: com a Selic em 14% e o crédito bancário mais escasso para empresas, instituições especializadas avançam sobre o capital de giro de prazo longo.

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Foto Divulgação (Gueratto)
A casa de crédito de origem goiana quer movimentar R$ 3 bilhões em operações de capital de giro até 2027, com foco em agronegócio, indústria e transporte e logística. O plano chega num momento em que o crédito livre para pessoas jurídicas custa, em média, 25,4% ao ano e as concessões de financiamento empresarial recuam. Para o mercado de crédito privado, o movimento confirma uma tendência: empresas que não cabem nas linhas bancárias tradicionais estão indo atrás de estruturas sob medida.
O cenário: dinheiro caro e menos crédito bancário
O ciclo de redução de juros já começou, mas a taxa Selic segue em 14% ao ano, um patamar que pesa sobre qualquer empresa que dependa de financiamento para operar. Em julho, a taxa média das novas operações de crédito livre para pessoas jurídicas chegou a 25,4% ao ano. No mesmo período, as concessões de financiamento empresarial recuaram.
Com juros altos e menos oferta, o problema das empresas já não é só o custo do dinheiro. É também o prazo. Linhas curtas obrigam o caixa a devolver o recurso antes que a operação financiada gere retorno, e é aí que aparece a busca por modalidades que permitam diluir o pagamento das dívidas em prazos mais longos, compatíveis com a geração de receitas.
Essa lacuna deixada pelos bancos tradicionais é justamente o espaço em que o crédito privado cresce no Brasil. Instituições especializadas em financiamento empresarial disputam esse cliente com os grandes bancos, oferecendo estruturas desenhadas para o fluxo de caixa de cada negócio em vez de produtos de prateleira.
O fato central: R$ 3 bilhões e prazos de até 60 meses
A Audax Capital, instituição de crédito com origem em Goiás, projeta movimentar R$ 3 bilhões em operações de capital de giro até 2027. A meta integra a estratégia de expansão da empresa no financiamento empresarial, concentrada em três setores: agronegócio, indústria e transporte e logística.
O plano prevê operações de crédito para pessoas jurídicas com prazos de pagamento de até 60 meses. O público-alvo são empresas que precisam financiar suas atividades, ampliar a capacidade produtiva ou reorganizar compromissos financeiros num ambiente de dinheiro caro.
A escolha dos setores não é aleatória. No agronegócio, o intervalo entre o investimento na produção e o recebimento das receitas pode exigir mais recursos. Na indústria e no transporte, há a necessidade de financiar estoques, equipamentos, matérias-primas e despesas operacionais. Em todos esses casos, o ciclo do negócio é mais longo do que o prazo típico das linhas convencionais.
A Audax tem atuação nacional e busca ampliar sua participação no crédito corporativo a partir de sua base no Centro-Oeste, região com peso relevante da atividade agroindustrial.
Análise: o prazo como produto
Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a adequação dos financiamentos à realidade operacional das empresas é um dos pilares da estratégia de crescimento. “O capital de giro precisa acompanhar o ciclo da empresa. Quando a estrutura de crédito é adequada à operação, o empresário consegue investir no crescimento sem comprometer o fluxo de caixa”, afirma.
Segundo o executivo, a expansão da carteira depende da capacidade de estruturar operações compatíveis com as necessidades financeiras de cada cliente. “Nosso objetivo é compreender a realidade de cada negócio e estruturar soluções que façam sentido para o momento e para os planos de crescimento da empresa”, diz.
Para o mercado de crédito estruturado, o recado é claro. Operações estruturadas de capital de giro podem ajustar os pagamentos à previsão de entrada de recursos, algo que o crédito bancário padronizado raramente faz. É esse tipo de originação, ligada ao fluxo de caixa real da empresa, que sustenta o crescimento dos veículos de crédito privado, incluindo os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que dependem de originadores capazes de entregar volume com qualidade de crédito.
O outro lado da moeda também precisa entrar na conta. Prazos mais longos exigem avaliar o custo total e a capacidade de pagamento, porque podem aumentar o volume de juros pagos ao longo da operação. Para quem investe em crédito privado, isso se traduz em atenção redobrada à análise de risco: carteiras de prazo mais longo pedem originação disciplinada e acompanhamento próximo do devedor.
Perspectivas: o que monitorar
O avanço de instituições especializadas no financiamento empresarial tende a ganhar força enquanto a Selic permanecer em dois dígitos e os bancos seguirem seletivos nas concessões. Se o ciclo de cortes de juros se confirmar, o custo de captação cai e abre espaço para operações mais longas com taxas mais competitivas, o que favorece tanto o tomador quanto o investidor de crédito privado.
Para o mercado, os pontos a acompanhar são o ritmo de execução da meta de R$ 3 bilhões até 2027, o comportamento da inadimplência em operações de prazo mais longo e a velocidade com que o crédito estruturado continua tomando espaço dos bancos no financiamento ao agronegócio, à indústria e à logística, especialmente fora do eixo Rio e São Paulo.
Fontes: Brazil Economy, “Audax Capital prevê R$ 3 bilhões em crédito empresarial até final do ano que vem” (19/10/2026), https://brazileconomy.com.br/financas/2026/10/audax-capital-preve-r-3-bilhoes-em-credito-empresarial-ate-final-do-ano-que-vem/
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