FIDCs: Queda dos juros pode transformar menor risco em crédito mais barato para empresas
Reação dos mercados pode chegar aos fundos por meio do custo de financiamento, da capacidade de pagamento dos devedores e da remuneração das estruturas.

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Após o 1º turno das eleições presidenciais, a redução do prêmio de risco percebido pelo mercado pode abrir espaço para crédito mais barato às empresas e melhorar a capacidade de pagamento de parte dos devedores dos recebíveis que abastecem os FIDCs, caso a reprecificação observada no mercado nesta segunda-feira se sustente. O movimento também pode produzir um segundo efeito para a indústria: juros menores podem reduzir a remuneração nominal de estruturas indexadas ao CDI, aumentando a importância da qualidade do crédito e dos spreads na composição dos retornos. “Para os FIDCs, o efeito mais relevante de uma mudança na percepção de risco do país aparece no crédito. Se uma empresa consegue financiar sua operação a um custo menor, reduz sua despesa financeira, ganha fôlego de caixa e pode melhorar sua capacidade de honrar os recebíveis que estão dentro dessas estruturas. Por outro lado, com juros menores, o investidor também passa a olhar ainda mais para o spread e para a qualidade de cada operação”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
A avaliação ocorre depois de uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, após Flávio Bolsonaro terminar o 1º turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva e aumentar a percepção do mercado sobre a possibilidade de alternância de poder no segundo turno. O Ibovespa chegou a avançar mais de 9%, superando os 209 mil pontos, enquanto o dólar caiu mais de 4%, chegando abaixo de R$ 5. Na curva de juros, alguns vencimentos fecharam perto de 100 pontos-base, refletindo uma redução do prêmio exigido pelos investidores diante das novas expectativas para o cenário fiscal e econômico. “Bolsa, dólar e juros estão contando a mesma história: o mercado passou a exigir um prêmio menor para carregar risco brasileiro. Para o FIDC, porém, precisamos observar se essa percepção vai se transformar efetivamente em menor custo de capital e melhora da capacidade financeira das empresas. É aí que o movimento financeiro começa a chegar à economia real e às carteiras de crédito”, explica Murad.
O impacto não será igual para toda a indústria. Empresas mais endividadas ou dependentes de financiamento podem sentir com maior intensidade uma eventual redução do custo de capital, enquanto companhias expostas a insumos importados ou obrigações em moeda estrangeira também podem se beneficiar de um real mais valorizado. Por isso, mais do que antecipar os efeitos de um eventual resultado eleitoral sobre os FIDCs, a análise considera como a mudança das expectativas altera juros, câmbio, condições de financiamento e capacidade de pagamento das empresas. Se a atual redução dos prêmios de risco permanecer depois do segundo turno e for acompanhada por mudanças concretas no cenário fiscal e monetário, o efeito poderá chegar gradualmente às carteiras, alterando tanto o custo do crédito quanto a relação entre risco e retorno dos fundos.
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