Flávio e Lula têm a menor diferença em 1º turno desde 1989, e o mercado já reage
Margem estreita entre Flávio e Lula faz a curva de juros entrar no radar de quem estrutura crédito privado.

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A distância de 1,87 ponto percentual entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a menor em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. Ativos brasileiros negociados em Nova York dispararam na noite de domingo. Para gestores e investidores de FIDC, as três semanas até o segundo turno devem ser de volatilidade nos juros futuros, que são a principal referência de remuneração da classe.
Um placar sem precedentes recentes
Com as urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo a CNN Brasil. A diferença de menos de dois pontos é a mais apertada desde o fim do regime militar.
Para comparar, em 2022 Lula liderou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,2% de Jair Bolsonaro, uma vantagem de 5,23 pontos. Em 2006, Lula teve 48,61% e Geraldo Alckmin, 41,64%, uma diferença próxima de 7 pontos. Desta vez o placar se inverteu: quem começa o segundo turno na frente é o candidato da oposição.
O segundo turno será em 25 de outubro. Até lá, o mercado vai precificar cada pesquisa, cada declaração sobre política fiscal e cada movimento de transferência de votos entre os candidatos que ficaram de fora.
A reação imediata dos ativos
A resposta veio antes da abertura do pregão brasileiro. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, subiu 8,72% no after-market de domingo, para US$ 41,52, segundo o Estado de Minas. Ao longo da noite chegou a superar 10% de alta, de acordo com o Monitor do Mercado.
As ADRs (recibos de ações brasileiras negociados em Nova York) acompanharam o movimento. Itaú avançou 7,92%, Petrobras chegou a subir mais de 7,5% e Vale ganhou cerca de 5%. Lá fora o cenário foi neutro, com os futuros do S&P 500 em queda de 0,19%. Ou seja, o movimento foi específico de Brasil.
A leitura do mercado é que um eventual governo Flávio Bolsonaro daria mais peso ao ajuste fiscal. Com isso, os investidores esperam queda do dólar, recuo da curva de juros futuros e valorização da bolsa.
O que dizem os analistas
Felipe Balassiano, head de multimercados da ASA, foi direto ao avaliar o segundo turno: "Considerando nossas hipóteses de transferência de votos, seria muito difícil Lula vencer o segundo turno". O raciocínio parte do princípio de que eleitores de Renan Santos, Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado tenderiam a migrar para Flávio.
Nas projeções para a bolsa local, o UBS BB estima alta de pelo menos 5% no Ibovespa. Já Matheus Spiess, da Empiricus, vê potencial de valorização em torno de 10%.
Para o mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), porém, o termômetro mais importante não é a bolsa. É a curva de juros. A maior parte das cotas sênior é remunerada em CDI mais spread, e o custo de captação dos originadores acompanha os vencimentos intermediários da curva de DI futuro. Um fechamento da curva, se confirmado, reduz o custo de funding das estruturas e tende a comprimir os spreads exigidos nas novas emissões.
O que monitorar até 25 de outubro
O principal risco é a volatilidade. Uma diferença de menos de dois pontos deixa o resultado aberto, e a precificação pode virar a cada pesquisa. Na prática, gestores tendem a adiar emissões ou a encurtar prazos de captação enquanto a curva oscila. Isso pode concentrar operações no período depois do segundo turno.
Também vale acompanhar o comportamento das cotas subordinadas e mezanino. Esses papéis são mais sensíveis à percepção de risco de crédito dos cedentes. Um ambiente de juros em queda melhora a capacidade de pagamento dos devedores e pode aliviar a pressão sobre a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) das carteiras. Já um cenário de reversão nas pesquisas teria o efeito contrário.
Os sinais do próximo governo sobre a política fiscal, o Copom e o rumo da taxa Selic devem ganhar ainda mais peso na agenda dos estruturadores. Até lá, a corrida eleitoral mais apertada em mais de três décadas passa a ser também um fator de risco nos comitês de crédito.
Fontes: CNN Brasil (cnnbrasil.com.br/eleicoes/flavio-e-lula-tem-menor-diferenca-em-1o-turno-desde-redemocratizacao);
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