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Ouro Preto Investimentos: 16 anos, 500 FIDCs e a meta de R$ 30 bilhões até 2027
Eleita Gestora do Ano no Prêmio Uqbar Top 10, a casa fundada por João Baptista Peixoto Neto e Leandro Turaça se consolidou como uma das maiores “fábricas de FIDC” do país e agora quer mais que dobrar de tamanho em pouco mais de um ano.

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Foto: Divulgação Ouro Preto Investimentos, João Baptista Peixoto Neto.
Poucas gestoras independentes conseguem afirmar que estiveram presentes em praticamente toda a história do FIDC no Brasil. A Ouro Preto Gestão de Recursos S.A., mais conhecida como Ouro Preto Investimentos, é uma delas. Fundada há 16 anos por Peixoto e por Turaça, a gestora nasceu especializada em fundos estruturados e, ao longo do tempo, transformou o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios em seu carro-chefe. Segundo a gestora, seus sócios acumulam mais de 30 anos de experiência no segmento, e Peixoto Neto já estruturou mais de 500 FIDCs ao longo da carreira.
O reconhecimento veio de forma contundente em março deste ano. A cerimônia do Prêmio Uqbar Top 10, realizada em 26 de março de 2026 na Casa Tenerife, em São Paulo, reuniu as lideranças do crédito estruturado do país. A escolha da Ouro Preto como Gestora do Ano se deu por votação popular: de um total de 1.233 votos na categoria, a instituição obteve 411. A gestora ainda conquistou o segundo lugar em “FIDC multicedente-multissacado por número de fundos” e o terceiro em “FIDC multicedente-multissacado por patrimônio líquido”. Para o CEO, o prêmio tem um significado claro: “O primeiro passo é ser reconhecido entre os pares, depois ser reconhecido fora”.
Da advocacia à gestão
Advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), Peixoto Neto chegou ao FIDC pela via da estruturação jurídica. Cursou mestrado em Direito Internacional na USP e é especialista em Produtos Financeiros e Gestão de Riscos pela FIA/FEA/USP. Entre 2006 e 2017, esteve entre os primeiros colocados na categoria de estruturação de fundos de recebíveis no ranking da Uqbar. Essa dupla formação, jurídica e financeira, é frequentemente apontada como o diferencial da casa, que domina tanto os aspectos regulatórios quanto os operacionais do produto.
A trajetória de crescimento
Os números contam a história da expansão. Em 2022, a Ouro Preto tinha pouco mais de R$ 7,5 bilhões sob gestão e 110 fundos, dos quais 77 FIDCs. Em 2024, já eram R$ 10 bilhões sob administração e 300 FIDCs estruturados ao longo de 14 anos de mercado. No fim de 2025, a companhia informava cerca de R$ 13 bilhões sob gestão e aproximadamente 130 FIDCs em operação. Em 2026, o AuM já está em R$ 17 bilhões.
O salto de escala está ligado a uma aposta em tecnologia. A gestora conta com uma equipe de 20 desenvolvedores internos, o que permitiu otimizar a criação e a gestão dos fundos. Segundo o CEO, com o uso de tecnologia a Ouro Preto consegue estruturar um fundo em apenas 15 dias, algo que, no início de sua carreira, poderia levar até um ano. Foi essa capacidade que levou a imprensa a apelidar a estratégia da casa de “um FIDC por dia”.
“Não monte banco, monte FIDC”
A tese central de Peixoto Neto é que o mercado de capitais vai substituir progressivamente os bancos como financiador das empresas. Em entrevista à Capital Aberto, ele afirmou que a tomada de recursos de terceiros para operações de crédito passará a ser feita muito mais dentro do mercado de capitais do que no mercado bancário. E tem uma provocação favorita: grandes montadoras como Honda, Volkswagen e Fiat montaram bancos para financiar veículos, mas a nova geração, especialmente as chinesas, não precisará mais disso. Vai criar FIDCs.
Dessa visão nasceu a linha de FIDCs sob medida para empresas. O chamado “FIDC Empresário”, nas palavras do próprio CEO, é uma jogada de marketing para mostrar que qualquer empresa pode montar a operação de crédito que quiser através de um FIDC, seja para financiar fornecedores, clientes ou até funcionários.
A gestora também vem ocupando nichos específicos. Em 2024, lançou um FIDC para antecipação de recebíveis na saúde, voltado a fornecedores de produtos e equipamentos cirúrgicos para hospitais e planos de saúde, cujo objetivo é atingir em 2027 um PL superior a 1 bilhão de reais. Em 2025, em parceria com a fintech GooRoo, estruturou um FIDC de crédito consignado privado (crédito ao trabalhador) cujo PL já passou de R$ 1 bilhão; e dezenas de outros FIDCs nos mais diversos segmentos: financiamento de veículos, antecipação de duplicatas, créditos judiciais, crédito estudantil, crédito imobiliário, aquisição de duplicatas, entre outros.
O varejo como próxima fronteira
Peixoto Neto é um defensor entusiasmado da abertura do FIDC ao investidor pessoa física, permitida pela Resolução CVM 175. Para ele, depois de 20 anos de FIDC, já estava mais que na hora de liberar o produto para o varejo. E o ciclo de juros não o preocupa: o fundo entrega rentabilidade superior à Selic, então, subindo ou caindo a taxa, a tendência é que o modelo só cresça. Sua previsão é ousada: no Brasil, o FIDC ficará atrás apenas dos fundos de renda fixa em volume.
Rumo aos R$ 30 bilhões
É com essa convicção que a Ouro Preto traça seu próximo objetivo: chegar ao fim de 2027 com R$ 30 bilhões sob gestão, quase o dobro do patrimônio atual. A estratégia combina a industrialização da estruturação de fundos, a expansão para créditos setoriais específicos e a captação junto ao varejo. Se o mercado de FIDC continuar crescendo no ritmo dos últimos anos, e se a aposta na tecnologia seguir reduzindo prazos e custos, a gestora que ajudou a inventar o segmento no Brasil pretende continuar entre as que o lideram.
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