Senado elege 12 mulheres e terá a maior bancada feminina da sua história
Recorde na representação feminina redesenha o perfil da Casa a partir de 2027.

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Jane de Araújo/Agência Senado
As eleições de 4 de outubro de 2026 levaram 12 mulheres ao Senado Federal, o maior número de candidatas eleitas num mesmo pleito desde a redemocratização. Somadas às cinco senadoras com mandato até 2031, a Casa terá 17 parlamentares mulheres a partir de 1º de fevereiro de 2027, cerca de 20% das cadeiras.
Contexto: uma renovação que muda a composição da Casa
O Senado Federal tem 81 cadeiras, três por estado e três pelo Distrito Federal. Os mandatos duram oito anos e a renovação acontece de forma alternada: em um pleito são renovados dois terços das vagas e, no seguinte, um terço. Em 2026, ano de renovação de dois terços, estavam em jogo 54 cadeiras.
Hoje a legislatura tem 15 senadoras. Com o resultado das urnas, a bancada feminina passa para 17 integrantes na próxima legislatura, a maior já registrada na história da Casa, segundo levantamento da CNN Brasil.
O fato central: quem são as eleitas
O PL foi o partido com mais mulheres eleitas para o Senado. Foram três: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas pelo Distrito Federal, e Carol de Toni, por Santa Catarina. O PT elegeu duas: Marília Campos, em Minas Gerais, e Samanda de Lula, no Rio Grande do Norte.
As outras sete vagas se distribuíram por sete legendas: Marília Arraes (PDT-PE), Luizianne Lins (Rede-CE), Mara Rocha (Republicanos-AC), Marina JHC (PSDB-AL), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Gracinha Caiado (União Brasil-GO) e Teresa Surita (MDB-RR). Ao todo, nove partidos terão representantes entre as novas senadoras.
O Distrito Federal terá uma bancada só de mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis vão se juntar a Damares Alves (Republicanos), que já ocupa uma das cadeiras. Para Michelle, é o primeiro cargo eletivo. Bia Kicis chega ao Senado depois de dois mandatos como deputada federal.
Gracinha Caiado e Marina JHC também venceram na primeira disputa eleitoral. Gracinha atuou nas políticas sociais de Goiás durante o governo do marido, Ronaldo Caiado. Marina, ex-primeira-dama de Maceió, foi eleita no mesmo pleito em que JHC conquistou o governo de Alagoas.
Do outro lado, várias eleitas já tinham longa carreira no Executivo e no Legislativo. Marília Campos foi eleita quatro vezes prefeita de Contagem (MG), e Teresa Surita comandou a Prefeitura de Boa Vista (RR). Marília Arraes já foi vereadora do Recife e deputada federal.
Análise: renovação e saídas
O recorde não veio só de vagas novas. Das seis senadoras com mandato terminando em 2027, nenhuma vai continuar na Casa. Daniella Ribeiro (PP-PB) não tentou a reeleição, e Mara Gabrilli (PSD-SP) concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, sem sucesso.
As outras quatro tentaram a reeleição e perderam. Leila Barros (PDT-DF) e Zenaide Maia (PSD-RN) foram derrotadas por outras mulheres. Soraya Thronicke (PSB-MS) e Eliziane Gama (PT-MA) perderam para candidatos homens.
Isso quer dizer que o avanço da bancada feminina, de 15 para 17 cadeiras, aconteceu junto com uma troca quase completa dos nomes no grupo de senadoras que disputavam a renovação. As eleitas chegam por partidos de todo o espectro político, do PL ao PT, passando por legendas de centro como MDB, PSDB, União Brasil e Podemos.
Perspectivas: o que vem a seguir
A nova composição toma posse em 1º de fevereiro de 2027, data de início da próxima legislatura. A partir daí, a Casa vai escolher a nova Mesa Diretora e distribuir as presidências das comissões permanentes, decisões que definem o ritmo da pauta legislativa nos próximos dois anos.
Para o mercado, o primeiro ponto de atenção é como a bancada feminina vai se distribuir entre as comissões temáticas, especialmente a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), por onde passam os projetos ligados a sistema financeiro, tributação e mercado de capitais. A composição final das comissões só será conhecida depois da posse.
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