Smart Fit investe até R$ 32 milhões e compra fatia de até 20% do Buddha Spa
Rede de academias usa participação minoritária para levar o ecossistema de bem-estar além da musculação.

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Foto: Rebecca Maria/Agência O Globo
A maior rede de academias da América Latina vai entrar como acionista minoritária na maior rede de spas urbanos do Brasil. A operação tem opção para chegar a 30% e mostra como empresas capitalizadas estão usando participações acionárias para crescer em serviços próximos ao negócio principal.
Um ecossistema que vai além da academia
A Smart Fit (SMFT3) informou em 5 de outubro de 2026 que fechou acordo para investir até R$ 32 milhões no Buddha Spa, em troca de até 20% do capital total e votante da rede. O acordo de acionistas, que será assinado no fechamento, dá à companhia a opção de comprar mais 10%. Com isso, a participação pode chegar a 30%.
O movimento faz parte de uma estratégia que a Smart Fit vem montando há alguns anos. Em julho de 2024, a companhia comprou 100% da Velocity, rede de bike indoor, por até R$ 183 milhões. O pagamento foi dividido em R$ 163 milhões no fechamento e duas parcelas de R$ 10 milhões, uma diferida e outra condicionada a metas. No fim de 2025, comprou participação na rede Evolve, do Centro-Oeste, por cerca de R$ 100 milhões. Hoje o grupo reúne 192 estúdios, 89% deles franqueados, com marcas como Velocity, Kore, Vidya, Tonus Gym, Jab House, Race Bootcamp e Aera Pilates.
Os números do segundo trimestre de 2026 mostram o tamanho da companhia: 2.170 academias em 16 países, receita líquida de R$ 2,18 bilhões (alta de 22% em um ano) e lucro líquido recorrente de R$ 204 milhões. A TotalPass, plataforma de benefícios corporativos do grupo, soma 2,2 milhões de clientes no Brasil e no México, um crescimento de 70% em doze meses.
O que muda com a operação
A diferença em relação à Velocity está no formato. Desta vez, a Smart Fit não compra o controle. Ela entra como sócia minoritária, com preço final e participação condicionados ao cumprimento de metas comerciais e de condições precedentes usuais nesse tipo de operação. Se a fatia de 20% for paga por inteiro, os R$ 32 milhões indicam um valuation de cerca de R$ 160 milhões para o Buddha Spa, segundo cálculo da Exame.
Fundado em 2001, o Buddha Spa tem 149 unidades em 12 estados, 96% delas franqueadas, e oferece massagens, day spa, terapias faciais e tratamentos estéticos. A rede faturou R$ 150 milhões em 2024, com alta de 51,6% sobre 2023, e cresceu outros 36% em 2025. No último ano, também fez aquisições próprias: o Espaço Prana (cinco unidades em São Paulo) por R$ 7,5 milhões e a marca de florais e cosméticos Pomander por R$ 4,8 milhões. Em julho de 2026, lançou o formato Buddha Spa Boutique, com 40 m² e investimento inicial a partir de R$ 400 mil.
As duas empresas já trabalhavam juntas: o Buddha Spa é credenciado na TotalPass. Segundo o CEO da rede, Gustavo Albanesi, "a entrada da Smart Fit traz sócios com amplo know-how de escalar negócios na América Latina, conhecimento de mercado e capital", conforme declaração publicada pelo Seu Dinheiro.
Análise: capital de sócio no lugar de dívida
Para o Citi, a transação é "mais um passo" na integração de ofertas complementares e pode fortalecer "a proposta de valor da TotalPass para além das academias tradicionais". O banco também avalia que a participação pode dificultar o acesso de plataformas concorrentes à rede de spas. Esse ponto é sensível porque o Cade já vetou contratos de exclusividade entre plataformas de benefícios e academias.
Para quem acompanha crédito privado, a operação chama atenção pela forma de financiar o crescimento. Uma rede de franquias em expansão acelerada, com aquisições recentes e plano de internacionalização, tem duas opções principais: tomar dívida ou trazer um sócio estratégico. O Buddha Spa escolheu a segunda. Redes franqueadas também geram fluxos recorrentes de royalties e taxas, um tipo de recebível que o mercado de capitais costuma olhar quando avalia estruturas de financiamento para empresas de médio porte. A entrada de um sócio com balanço robusto, como a Smart Fit, tende a reforçar o perfil de crédito da investida em futuras captações.
Perspectivas: expansão internacional no radar
O Buddha Spa planeja abrir sua primeira unidade fora do Brasil em dezembro de 2026, em Santiago, no Chile. Na sequência, mira Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru. A meta é chegar a cerca de 100 unidades na América Latina em cinco anos, com ambição de longo prazo de 1.000 unidades no mundo.
Os pontos a acompanhar são o fechamento da operação e o percentual efetivamente adquirido, a decisão sobre a opção de mais 10% e o ritmo da integração com a TotalPass. Pano de fundo: segundo o Global Wellness Institute, a economia global de bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve chegar a US$ 9,8 trilhões em 2029.
Fontes: O Globo
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