SpaceX sobe 7,6%, volta ao maior nível desde junho e devolve a Musk o status de trilionário
O mercado volta a pagar por tese de longo prazo, e o maior IPO da história mostra quanto isso pesa no preço.

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A ação da SpaceX fechou a segunda-feira (5) a US$ 171,09 na Nasdaq. É a maior alta da empresa desde a estreia na bolsa, em junho. Com o movimento, a fortuna de Elon Musk voltou a cerca de US$ 1,04 trilhão, e o papel virou referência de como o mercado global está precificando ativos que cresceram fora da bolsa.
Do maior IPO da história à correção de 50%
A SpaceX abriu capital em 12 de junho de 2026 na Nasdaq, com o ticker SPCX. A ação saiu a US$ 135 e a oferta captou US$ 75 bilhões, ou cerca de US$ 86 bilhões com o lote suplementar, o que fez dela o maior IPO já registrado. No primeiro pregão o papel fechou a US$ 161, alta de 19%, e na semana seguinte chegou perto de US$ 211.
O entusiasmo durou pouco. No fim de julho a ação tinha caído cerca de 50% em relação ao pico e era negociada entre US$ 123 e US$ 125, abaixo do preço da oferta. Foi nessa queda que Musk perdeu o status de trilionário, conquistado justamente com a listagem. No auge pós-IPO, o patrimônio dele chegou a US$ 1,45 trilhão.
O investidor brasileiro também tem acesso ao papel. A B3 lançou no mesmo dia do IPO o BDR (certificado de ação estrangeira negociado no Brasil) da companhia, o SPCX34, na proporção de 15 BDRs para cada ação negociada nos Estados Unidos.
O que mudou: 16% em cinco pregões
A alta de segunda fechou uma semana de recuperação forte: o papel acumulou cerca de 16% em cinco sessões, e o valor de mercado voltou a passar de US$ 2 trilhões. Musk tem aproximadamente 38% da SpaceX. Só na segunda, o patrimônio dele cresceu US$ 58,7 bilhões, segundo a Benzinga. Hoje ele soma quase três vezes a fortuna de Jeff Bezos, o segundo da lista, estimada em US$ 372,7 bilhões.
Dois fatores puxaram o pregão. O primeiro foi uma nota do Morgan Stanley que manteve a recomendação de compra (overweight) e o preço-alvo de US$ 300, cerca de 75% acima do fechamento. O segundo foi Musk confirmar conversas com a TSMC sobre uma possível fábrica de semicondutores no Texas para abastecer Tesla, SpaceX e xAI. "Por enquanto são só conversas, mas algo pode sair disso", disse o empresário.
Análise: tese de crescimento ou de valuation?
O argumento do Morgan Stanley é sobre preço relativo. Para o analista Adam Jonas, a ação está "barata e ficando mais barata". Ajustada pelo crescimento esperado, ela seria negociada cerca de 40% abaixo das big techs de inteligência artificial. Jonas atribui cerca de US$ 32 por ação ao negócio de IA da companhia e resume: avaliar a SpaceX é "mais um problema de 'e' do que de 'ou'". Ou seja, o investidor não precisa escolher entre lançamentos, Starlink e IA. A tese soma as três frentes.
O analista também aponta que o papel ainda está pouco presente nas carteiras. Quando perguntou a 40 clientes institucionais quem tinha a ação, "nem uma mão se levantou". Shaun Maguire, sócio da Sequoia Capital, vai na mesma linha: "Estamos vendo o comecinho dos investidores passando a entender a SpaceX". O Wells Fargo, mais conservador, tem preço-alvo de US$ 212, cerca de 24% acima do fechamento de segunda.
Para quem acompanha crédito estruturado, o caso tem uma lição prática. Um ativo que passou anos fora da bolsa, avaliado apenas em rodadas privadas, caiu pela metade e depois subiu 16% em uma semana logo após começar a ser negociado todo dia. A volatilidade não mudou o negócio da empresa. Mudou o fato de o preço passar a ser descoberto diariamente, por um volume enorme de investidores, com informação ainda incompleta.
Perspectivas: o que monitorar
O próximo ponto de atenção é a oferta de ações. Os investidores que entraram antes do IPO têm lock-up (período em que não podem vender) de 180 dias, com liberações escalonadas que começam a vencer em dezembro. Musk e os demais executivos ficam travados por 366 dias. Um volume relevante de papéis pode chegar ao mercado justamente quando o preço se recupera.
No lado do negócio, o mercado vai acompanhar o andamento do Starship, a expansão da Starlink e o plano de infraestrutura de IA em órbita. Segundo o Wells Fargo, a demonstração desse projeto está prevista para o segundo trimestre de 2027. O próprio Jonas aponta o que levaria o papel a US$ 100 em um ano: uma desaceleração clara da IA, um revés relevante do Starship ou uma diluição significativa da base acionária.
Fontes: CNBC
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