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Tomé já leu 9 milhões de páginas do mercado de capitais. Agora a Liqi leva a tecnologia para bancos e gestoras
No ar desde julho, o agente de inteligência artificial gratuito já respondeu mais de 28 mil perguntas de profissionais de cerca de 150 empresas. A base construída para ele passa a ser oferecida às instituições.

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Todos os meses, milhares de fundos, securitizadoras e companhias abertas entregam à CVM e à B3 informes, regulamentos, atas de assembleia, pareceres de auditoria e fatos relevantes. É um dos acervos de informação mais completos do mercado brasileiro e também um dos mais difíceis de usar: os documentos ficam espalhados por portais diferentes, em formatos diferentes, e muitos são corrigidos depois da primeira entrega.
Na prática, saber o que aconteceu com um fundo ou com uma emissão exige encontrar o documento certo, lê-lo e compará-lo com os anteriores. Em boa parte das instituições, esse trabalho ainda é feito por analistas, documento por documento.
Foi para esse problema que a Liqi criou o Tomé, agente de inteligência artificial que lê os documentos públicos do mercado de capitais e responde perguntas sobre eles. Cada resposta traz o documento, a data de competência e, quando há, a página de onde saiu cada número. Gratuito e aberto a qualquer pessoa, ele está no ar desde julho e já respondeu mais de 28 mil perguntas, feitas por profissionais de cerca de 150 empresas, entre gestoras de crédito, bancos de investimento, securitizadoras e administradores fiduciários. Agora, a Liqi leva a mesma tecnologia para dentro das instituições.
Por trás da base do Tomé
Para responder, o Tomé se apoia numa base que a Liqi montou a partir dos próprios documentos. Foram mapeados 18,7 milhões de documentos públicos e baixados mais de 1,4 milhão de arquivos da CVM, da B3 e dos portais das securitizadoras. Isso soma mais de 9 milhões de páginas indexadas, das quais 2 milhões foram lidas página a página por inteligência artificial.
O resultado é uma base com mais de 370 milhões de registros sobre mais de 60 mil fundos, emissões e companhias abertas, atualizada todos os dias. Ela inclui os informes mensais de 6,4 mil FIDCs desde 2013, as demonstrações financeiras de 1,2 mil companhias abertas, a cotação diária de 1,2 mil papéis da B3 desde 2019 e a cota diária de 41 mil fundos.
Mais do que o volume, a base organiza o que está dentro dos documentos: quem administra, gere, custodia e audita cada fundo, em 138 mil vínculos com 4,8 mil prestadores de serviço; o que foi decidido em 88 mil assembleias; o que apontaram 40 mil pareceres de auditoria; os covenants de 3,3 mil regulamentos; 64 mil notas de rating; e 867 mil eventos de pagamento conferidos no balcão da B3. Mais de 30 mil informes da base foram reapresentados ou corrigidos depois da primeira entrega, e todas as versões ficam guardadas.
“A informação do mercado de capitais brasileiro é pública e muito completa, mas está espalhada em milhões de arquivos. Montar a base foi ler cada um desses documentos e registrar de onde saiu cada dado, para que qualquer número possa ser conferido na origem”, diz Daniel Coquieri, CEO da Liqi.
Como o mercado usa o Tomé
A maior parte do uso vem de quem trabalha com crédito e mercado de capitais. Uma em cada cinco conversas passa de quatro perguntas encadeadas, e há usuários que colam listas com centenas de CNPJs para acompanhar um conjunto de fundos de uma vez.
Os pedidos costumam cruzar documentos que ficam em lugares diferentes: quem são os prestadores de serviço de um conjunto de fundos; o que foi decidido nas assembleias das operações de uma carteira de CRIs; como um fundo que investe em outros fundos chega, camada por camada, aos ativos da carteira.
Em um dos casos, o pedido era mapear a exposição do mercado a uma varejista em reestruturação. O Tomé encontrou 52 fundos com papéis da empresa na carteira, três CRIs em que ela é devedora e dois FIDCs em que é cedente, cruzou essas posições com o balanço da companhia e com o relatório do agente fiduciário e informou a data da última confirmação de cada uma, já que uma delas vinha de dezembro de 2024.
Foi também do Tomé o levantamento, publicado pela FIDC News e pelo InfoMoney, de mais de 400 FIDCs com mais de R$ 60 bilhões em créditos de origem judicial, feito um dia depois da nova regra do Conselho Monetário Nacional sobre esses créditos.
A tecnologia chega às instituições
O Tomé continua gratuito, com limite diário de perguntas. O que muda é que a Liqi passa a oferecer a bancos, gestoras e prestadores de serviço a base construída para ele, em que cada registro traz a fonte, e o motor de leitura que a produziu.
“Hoje, cada instituição mantém a própria equipe para encontrar, ler e conferir os mesmos documentos públicos. O que oferecemos é essa leitura já feita, com a fonte de cada dado, para ser usada nos sistemas de cada cliente, e a mesma tecnologia aplicada aos documentos que eles têm dentro de casa”, diz Coquieri.
A oferta tem três formatos. O primeiro é o acesso aos dados por API, para quem quer integrá-los aos próprios sistemas: inadimplência, subordinação, prazo e aging da carteira, PU, covenants e eventos societários. O segundo é a leitura de documentos sob demanda, com a mesma tecnologia que transforma uma escritura de centenas de páginas em tabela em poucos minutos, aplicada também a arquivos privados do cliente, sob confidencialidade e em ambiente segregado. O terceiro são módulos prontos de monitoramento de lastro, sinais, obrigações e enquadramento.
A trajetória da Liqi
Fundada em 2021, a Liqi tem Itaú BBA, Oliveira Trust, Galapagos Capital e Pátria Investimentos entre os sócios. A empresa começou estruturando operações tokenizadas, que já somam mais de R$ 4,6 bilhões, e em janeiro de 2026 lançou a BRLD, stablecoin em reais para liquidação institucional. Com o Tomé, passa a atuar também na camada de informação do mercado de capitais.
O Tomé pode ser usado gratuitamente em agentetome.com. As soluções para empresas estão em agentetome.com/enterprise.
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