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XP Asset mira R$ 10 bilhões em FIDCs até 2027 após integrar a Augme
Seis meses após comprar a Augme, a XP Asset coloca o crédito estruturado no centro da estratégia e acelera a disputa por escala no mercado de FIDCs.

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Com o patrimônio em FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) já dobrado desde a aquisição, a gestora do grupo XP espera fechar 2026 com R$ 3 bilhões contratados e quer chegar a R$ 10 bilhões até o fim de 2027. O avanço de uma casa desse porte confirma o crédito estruturado como uma das frentes mais disputadas da indústria de fundos.
Uma indústria em expansão acelerada
O movimento da XP Asset acontece num momento de forte crescimento do segmento. Dados da Anbima mostram que o patrimônio líquido dos FIDCs chegou a R$ 801,4 bilhões em agosto. O número de fundos também saltou: eram 1.544 no fim de 2021 e hoje são 4.282.
Esse crescimento tem atraído grandes gestoras para o crédito estruturado, uma classe que exige equipe especializada em originação, análise de cedentes e acompanhamento de carteiras. Para casas que não tinham essa estrutura, a saída mais rápida tem sido comprar quem já tinha. Foi o caminho da XP Asset.
O que mudou com a Augme
A aquisição da Augme Capital foi concluída em março de 2026. O negócio trouxe o fundador Marcelo Urbano e sua equipe, cerca de R$ 700 milhões em FIDCs e aproximadamente R$ 4 bilhões em carteiras administradas.
Seis meses depois, o patrimônio em FIDCs dobrou e chegou a R$ 1,4 bilhão. A projeção é alcançar R$ 3 bilhões contratados até dezembro. Parte desse salto vem de um FIDC de consignado CLT de R$ 700 milhões, cuja gestão a XP Asset deve assumir em outubro. A casa já estava no fundo como investidora. “Já éramos o principal cotista”, afirmou Urbano ao BPMoney. Outro R$ 1 bilhão deve vir de captações já programadas nos fundos existentes.
Hoje, a carteira de FIDCs inclui fundos de energia solar residencial, capital de giro para escolas, recebíveis de caminhoneiros e financiamento de procedimentos odontológicos e estéticos. Novas teses estão em estruturação: crédito consignado para servidores estaduais e municipais e uma plataforma de antecipação de recebíveis de cartão para lojistas.
Análise: escala e originação no centro da disputa
Para o CEO da XP Asset, Leandro Bousquet, a compra resolveu uma lacuna da casa. “Com a vinda do Urbano e do time dele, completamos uma carência que tínhamos”, disse ao NeoFeed. Segundo o BPMoney, o executivo define o crédito estruturado como “a nossa maior aposta”.
Para o mercado de FIDCs, a entrada mais agressiva de uma gestora ligada à maior plataforma de investimentos do país tem dois efeitos. O primeiro é positivo: mais capital disponível para cedentes de nichos como energia solar, educação e saúde, que tradicionalmente dependem de crédito bancário caro ou escasso. O segundo é competitivo: a disputa por boas carteiras e originadores deve ficar mais intensa, o que tende a pressionar spreads e elevar a exigência sobre a qualidade de originação das casas menores.
O consignado também ganha destaque. Com o fundo de consignado CLT e a tese voltada a servidores públicos, a XP Asset reforça a aposta numa modalidade de crédito com desconto em folha, que costuma ter inadimplência mais baixa e se tornou um dos focos do crédito privado desde a ampliação do consignado para trabalhadores do setor privado.
Perspectivas: o que monitorar
Até o fim de 2027, o plano exige que o patrimônio em FIDCs da casa cresça mais de sete vezes em relação ao nível atual. O ritmo das captações, a performance dos fundos de consignado e o lançamento da plataforma de recebíveis de cartão serão os principais indicadores para acompanhar se a meta é factível.
A XP Asset também não descarta novas aquisições. Bousquet afirmou que a casa avalia oportunidades com frequência, especialmente para incorporar capacidades que ainda faltam em áreas onde já atua. Para o mercado, o recado é claro: a consolidação no crédito estruturado deve continuar, e gestoras especializadas com boa originação passam a ser ativos cobiçados.
Fontes: Valor Econômico
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