Itaú avança para ter banco completo nos EUA e mira fatia de US$ 1 trilhão offshore
Com aval condicional de reguladores americanos, banco brasileiro mira patrimônio bilionário de clientes de alta renda e amplia disputa por bancarização completa nos Estados Unidos.

O Itaú Unibanco obteve, em agosto de 2026, aprovação condicional de reguladores americanos para operar como banco nacional nos Estados Unidos. A decisão marca um novo estágio na presença do banco no país, onde mantém um escritório em Miami desde 2007, até então voltado essencialmente à gestão de investimentos.
A carteira sob gestão do Itaú Private soma R$ 1,2 trilhão, dos quais R$ 864 bilhões estão no Brasil e R$ 336 bilhões (o equivalente a cerca de US$ 65 bilhões) ficam alocados fora do país. Cerca de 75% desse patrimônio offshore está concentrado nos Estados Unidos, com o restante distribuído principalmente na Europa.
O movimento do Itaú acompanha uma corrida que já reúne outros grandes bancos brasileiros nos Estados Unidos. O Bradesco adquiriu o BAC Florida Bank em 2019 e consolidou posição relevante em financiamento imobiliário no país. O BTG Pactual concluiu, em janeiro de 2026, a aquisição do M.Y. Safra Bank, passando a operar como banco nacional americano. O Inter recebeu autorização para operar uma filial na Flórida em junho de 2026. E o Nubank obteve licença condicional de banco nacional, com foco declarado em atender a população americana sem conta bancária.
Diferentemente da operação atual, restrita a serviços de investimento, o banco completo permitirá ao Itaú oferecer conta corrente, cartões de crédito e débito, linhas de crédito (com destaque para financiamento imobiliário) e, em uma segunda fase, produtos de seguros. A instituição não planeja, por ora, abrir agências físicas ou avançar sobre o varejo bancário tradicional americano.
O público-alvo declarado são os clientes de private banking da América Latina, que somam patrimônio próximo de US$ 1 trilhão investido fora de seus países de origem, mais da metade concentrado nos próprios Estados Unidos. Segundo Percy Moreira, CEO do Itaú nos EUA, a mudança reflete uma transformação no perfil do cliente: "Mais clientes, não apenas os do private, estão se tornando globais, com residência no exterior, filhos estudando fora." A operação, segundo o executivo, foi pensada originalmente para um cliente que investia fora mas mantinha sua vida financeira no Brasil, um perfil que hoje já não corresponde à realidade de boa parte da base.
A leitura de Moreira para a vantagem competitiva do Itaú nessa disputa passa pela escala que o banco já tem na América Latina. O executivo atribuiu o diferencial à posição de mercado que a instituição ocupa no Brasil, próxima de 30% de participação nos segmentos de private e alta renda, somada à presença consolidada em países como Chile, Uruguai e Paraguai. Essa base de relacionamento prévio tende a facilitar a migração de clientes para os novos produtos bancários nos EUA, algo que rivais sem histórico de private banking robusto na região precisam construir do zero.
A movimentação do Itaú reforça uma tendência que já vinha se desenhando no setor financeiro brasileiro: a disputa pela bancarização de patrimônio de brasileiros e latino-americanos que vivem, estudam ou investem nos Estados Unidos deixou de ser um nicho e se tornou prioridade estratégica para os grandes bancos do país. Com Bradesco, BTG Pactual, Inter e Nubank já posicionados, cada um em um segmento distinto (financiamento imobiliário, banco nacional para investidores qualificados, filial regional e bancarização de massa, respectivamente), o Itaú mira o segmento de maior patrimônio médio por cliente.
O próximo passo a monitorar é o ritmo em que o banco vai converter clientes de investimento já existentes em Miami para o pacote bancário completo, o que deve dar os primeiros sinais concretos de tração da operação.
Fontes: BrazilJournal
FIDC NEWS
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