Trump diz acompanhar "muito de perto" eleição no Brasil e amplia atenção do mercado
Risco político entra no radar do crédito privado a poucos dias das urnas.

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Questionado na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos classificou o pleito brasileiro como "muito importante", sem declarar apoio a nenhum candidato. A fala ocorre em meio a críticas do Congresso americano a tarifas e sanções contra o Brasil, um cenário que gestores e investidores de crédito privado acompanham pelo seu efeito sobre a percepção de risco do país.
Uma fala curta em um ambiente
carregado
O presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que está acompanhando "muito
de perto" a eleição brasileira. A declaração foi dada na Casa Branca, em
resposta a uma repórter brasileira que perguntou se ele estava seguindo a
disputa.
"O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", disse Trump.
Até o momento, foi a única vez em que o presidente americano mencionou a eleição brasileira, e ele não declarou apoio a nenhum dos candidatos. A postura contrasta com o que Trump fez em outras eleições na América Latina, onde apoiou abertamente candidatos de direita, como em Honduras, no Peru e no Chile.
Congresso americano questiona
tarifas e sanções
A declaração chega uma semana
depois de um grupo de 31 parlamentares americanos, 30 deputados e um senador,
enviar uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio. No documento, eles se
dizem preocupados com o que classificam como tentativas de interferência do
governo americano nas eleições brasileiras.
Segundo a carta, o governo Trump estaria pressionando instituições brasileiras e colocando em risco a parceria estratégica entre os dois países. Os parlamentares pedem que os Estados Unidos respeitem o processo eleitoral e reconheçam o resultado das urnas, seja qual for o candidato vencedor.
Os congressistas também criticam o uso de tarifas e sanções como forma de pressão ligada ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e questionam os critérios probatórios e legais usados para aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
"As ações do governo Trump constituíram uma violação extraordinária da soberania nacional do Brasil e uma tentativa flagrante de pressionar as autoridades brasileiras em relação a um processo judicial em andamento", diz o texto.
No front interno, o PT (Partido dos Trabalhadores) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) por indícios de participação estrangeira nas eleições de outubro. O pedido foi incluído em uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que já está sob relatoria no tribunal.
Por que isso importa para quem
investe em crédito
Para o mercado de FIDC (Fundo de
Investimento em Direitos Creditórios) e de crédito privado, a eleição não é só
um evento político: ela também mexe no preço do risco. Sinais de atrito entre
Brasil e Estados Unidos, como tarifas comerciais e sanções, mexem com a
percepção de risco-país, com o câmbio e com as expectativas de juros. Essas
três variáveis afetam diretamente o custo de captação e a precificação das
cotas.
O efeito chega à operação dos fundos por mais de um caminho. Cedentes exportadores ou dependentes de insumos importados podem ver a geração de caixa pressionada em um ambiente de tarifas, o que pede mais atenção à qualidade dos recebíveis cedidos. Já a volatilidade típica de períodos eleitorais costuma levar investidores a exigir prêmios maiores, sobretudo nas cotas subordinadas e mezanino, que absorvem as primeiras perdas da carteira.
Nesse contexto, o tom da fala de
Trump chama atenção pelo que não disse. Ao não declarar apoio a nenhum
candidato, o presidente americano evitou, por ora, repetir no Brasil o padrão
adotado em outros países da região. Para o mercado, a ausência de um posicionamento
explícito reduz um vetor de ruído, mas não elimina a incerteza criada pelas
tarifas e sanções já em vigor.
O que monitorar daqui para frente
Nos próximos dias, três frentes
devem pesar na leitura de risco dos gestores: eventuais novas manifestações da
Casa Branca sobre o pleito, a resposta do Departamento de Estado à carta dos
parlamentares e o andamento, no STF, do pedido de investigação sobre
participação estrangeira nas eleições.
Depois das urnas, a atenção se volta à relação comercial entre os dois países. A manutenção ou revisão das tarifas e das sanções da Lei Magnitsky vai definir o grau de pressão sobre setores exportadores e, por consequência, sobre as carteiras de recebíveis ligadas a eles. Para gestores de FIDC, o momento pede diligência reforçada na análise de cedentes expostos ao comércio exterior e acompanhamento próximo dos indicadores de risco-país.
Fonte: O Antagonista / Crusoé, "Trump diz acompanhar 'muito de perto' eleição no Brasil", 01/10/2026
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