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Duplicata Escritural, lastro e crédito: Cedax já opera carteira e amplia a infraestrutura tecnológica dos FIDCs
Plataforma já opera carteira de recebíveis, coloca o cedente dentro da esteira, executa controles de lastro e NF-e antes da cessão e avança com motor de Duplicata Escritural, análise de crédito e novas integrações financeiras.

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Uma plataforma que já roda em ambiente produtivo
A Duplicata Escritural colocou a
infraestrutura do mercado de recebíveis no centro da discussão. Para a Cedax,
porém, esse movimento não começa em um projeto futuro: ele se conecta a uma
plataforma que já opera carteira, acompanha títulos, processa eventos
financeiros e organiza a esteira de cessão em ambiente produtivo.
Criada a partir da experiência prática em operações de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), a Cedax foi desenhada para reduzir a fragmentação entre cedente, consultoria, gestora, custodiante e administrador. O objetivo é estruturar o dado desde a origem, aplicar controles antes da aquisição e manter rastreabilidade ao longo da vida do recebível.
"A nossa premissa é que o recebível não pode ser tratado como uma sequência de arquivos desconectados. Ele precisa manter identidade, histórico, lastro, eventos e decisões ao longo de todo o ciclo. A tecnologia deve organizar essa continuidade sem deslocar a responsabilidade de quem decide ou de quem exerce função regulada", afirma Douglas Felicio, sócio-fundador da Cedax e fundador da Fund Consultancy.
Entrevista: Douglas Felicio,
sócio-fundador da Cedax
FIDC News: A Duplicata
Escritural altera de fato a arquitetura operacional dos recebíveis. Como a
Cedax está posicionada para essa transição?
Douglas Felicio: Ela altera porque o recebível passa a exigir uma lógica mais estruturada de identidade, eventos e rastreabilidade. Na Cedax, o motor tecnológico para Duplicata Escritural já foi desenvolvido dentro dessa visão. Não tratamos a escrituração como um módulo isolado: ela precisa conversar com a origem do ativo, o crédito, o lastro, a cessão e a gestão da carteira. O ganho real aparece quando o mesmo ativo percorre a esteira sem perder contexto a cada mudança de participante.
FIDC News: O que já está
efetivamente funcionando hoje, e o que ainda está em evolução?
Douglas: Hoje a Cedax já opera
carteira em ambiente produtivo. Temos recebíveis entrando na plataforma,
operações sendo estruturadas, títulos acompanhados, documentos vinculados,
controles de cessão, eventos financeiros, liquidações, conciliações e posição
de carteira. O cedente também já possui ambiente próprio e participa
diretamente da operação. Em paralelo, seguimos evoluindo a plataforma: estamos
incorporando uma camada mais ampla de análise de crédito e preparando
integrações financeiras mais profundas. É importante separar as duas coisas:
existe uma base operacional real hoje e existe um roadmap construído sobre essa
base.
FIDC News: Por que o ambiente
do cedente é tratado como um dos pontos centrais da arquitetura?
Douglas: Porque o cedente é a
origem do ativo e, consequentemente, da maior parte dos dados que alimentam a
operação. Se a informação nasce desestruturada, o restante da cadeia passa a
gastar energia conferindo, interpretando e reconstruindo o que aconteceu. Na
Cedax, o cedente possui ambiente próprio para iniciar operações, enviar
recebíveis, relacionar documentos e acompanhar títulos, valores, pagamentos e
liquidações. Isso melhora a qualidade do dado na origem e reduz a dependência
de planilhas, e-mails e controles paralelos.
FIDC News: Em uma cessão, como
a Cedax trata a conferência de lastro antes de o ativo seguir para decisão?
Douglas: Esse é um dos controles
que já funciona na plataforma. Nas operações lastreadas em NF-e, a Cedax cruza
a chave de acesso com as informações do título, do cedente e do sacado e,
conforme a política da operação, consulta a situação da nota diretamente na
SEFAZ com o certificado digital A1 do próprio cedente. O resultado da consulta
fica registrado como evidência da conferência. Se a NF-e estiver cancelada, não
for localizada ou apresentar inconsistência relevante, a operação pode ser
bloqueada antes de avançar. A lógica é evitar que um problema de lastro seja
descoberto somente depois da aquisição.
FIDC News: Além do lastro,
quais controles de risco entram antes da aprovação?
Douglas: A plataforma pode
aplicar regras de elegibilidade, medir concentração por devedor antes da
aquisição, consolidar exposições por CNPJ raiz e identificar duplicidades
dentro do ambiente controlado pela Cedax. Também trabalhamos com segregação de
funções: quem informa determinado evento não necessariamente é quem o valida ou
concilia. Alterações relevantes deixam trilha de auditoria com usuário, data,
informação anterior e nova informação. O papel da tecnologia é preparar a
operação e evidenciar exceções; a decisão de crédito e o enquadramento final
continuam com quem tem competência para decidir. Eu costumo resumir assim:
controle depois do fato é relatório; controle antes do fato é gestão de risco.
FIDC News: Como a Cedax se
relaciona com gestora, custodiante e administrador sem sobrepor funções?
Douglas: A arquitetura foi
desenhada para organizar a informação e preservar responsabilidades. A
consultoria opera a esteira; a gestora recebe dados e evidências para análise e
decisão; o custodiante recebe os elementos necessários às suas atribuições; e o
administrador consome informações da carteira e da operação. A Cedax não
precisa substituir esses participantes para gerar eficiência. O valor está em
reduzir fricção, melhorar a consistência da informação e manter uma linha de
rastreabilidade entre origem, cessão, posição e liquidação.
FIDC News: A análise de
crédito passa a fazer parte dessa mesma esteira?
Douglas: Sim. É uma evolução
importante que estamos colocando dentro da plataforma. A Cedax já conhece
cedente, sacado, carteira, histórico das operações, recebíveis, exposições e
concentrações. A próxima camada é organizar também informações cadastrais,
financeiras, comportamentais e documentais para apoiar o analista na elaboração
do parecer. A tecnologia consolida dados, aplica critérios e sinaliza exceções;
o julgamento de crédito permanece humano. O objetivo é evitar que a decisão
seja montada fora da operação em arquivos desconectados do ativo que será
adquirido.
FIDC News: E onde entram as
integrações bancárias e a automação financeira?
Douglas: Hoje já tratamos
arquivos bancários, retornos, eventos financeiros e conciliações dentro da
esteira. A evolução natural é aprofundar integrações diretas com bancos e
outros participantes financeiros para reduzir movimentações manuais entre sistemas.
A arquitetura está sendo preparada para trabalhar cada vez mais por APIs,
eventos e integrações, preservando controles e rastreabilidade. Quanto menos a
operação depender de alguém baixar um arquivo em um ambiente e subir em outro,
maior tende a ser a eficiência e menor o risco operacional.
FIDC News: Como você define a Cedax hoje?
Douglas: Como uma infraestrutura
tecnológica para crédito estruturado que já opera e evolui continuamente. Hoje
já existe carteira sendo acompanhada, cedente operando no próprio ambiente,
conferência de lastro, validação de NF-e na SEFAZ, controles de cessão,
títulos, liquidações e conciliações dentro da plataforma. Ao mesmo tempo, o
motor de Duplicata Escritural está desenvolvido, a análise de crédito está
sendo incorporada e novas integrações estão no roadmap. A ambição é manter uma
linha contínua de informação para que o recebível possa nascer, ser analisado,
validado, escriturado, cedido, acompanhado e liquidado com cada participante
exercendo sua função sobre a mesma base operacional. Escala financeira exige
escala operacional.
FIDC News: Qual é o objetivo da Cedax no longo prazo e onde vocês pretendem chegar com essa infraestrutura?
Douglas: O objetivo é consolidar
a Cedax como uma camada de infraestrutura para o mercado de crédito
estruturado, capaz de conectar originação, análise de crédito, recebíveis,
escrituração, cessão, gestão de carteira, liquidação e integrações financeiras
em uma arquitetura única e modular. Queremos atender diferentes fundos,
cedentes e prestadores sem que o crescimento da operação exija o mesmo
crescimento de controles manuais e equipes dedicadas a tarefas repetitivas.
Para o cliente, isso significa ganhar escala com mais governança, velocidade e
rastreabilidade. Para a Cedax, significa transformar conhecimento operacional
profundo em tecnologia proprietária, replicável e integrável, capaz de se
tornar uma infraestrutura relevante para diferentes estratégias de crédito.
Estamos construindo a empresa com essa visão: uma plataforma que já resolve
problemas concretos hoje, mas cuja arquitetura permite ocupar uma posição muito
maior à medida que o mercado de recebíveis se torna mais digital, conectado e
orientado a dados.
Sobre a Cedax
A Cedax é uma plataforma de
infraestrutura tecnológica para crédito estruturado que já opera carteiras e
processos de FIDC em ambiente produtivo.
A plataforma conecta cedentes, consultorias, gestoras e demais participantes da operação, reunindo recebíveis, conferência de lastro, validação de NF-e na SEFAZ, controles de cessão, gestão de carteira, eventos financeiros, liquidação, conciliação e trilha operacional.
Com motor tecnológico para Duplicata Escritural já desenvolvido, a Cedax continua expandindo sua arquitetura com análise de crédito, integrações financeiras e automação da jornada do recebível. A estratégia é evoluir de uma plataforma operacional já utilizada em carteira para uma infraestrutura modular e escalável, capaz de atender múltiplos fundos, cedentes e participantes do ecossistema de crédito estruturado.
Douglas Felicio é sócio-fundador da Cedax e fundador da Fund Consultancy.
Fonte: entrevista concedida ao FIDC News por Douglas Felicio (Cedax)
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