Imersão Dinheiro no Agro leva produtor rural ao mercado financeiro para conhecer novas alternativas de crédito
Evento passa pelo Farol Santander, B3 e XP Investimentos e apresenta na prática como funcionam estruturas como Fiagro, CRA, FIDC, dívida, equity e operações de hedge.

A terceira edição da Imersão Dinheiro no Agro, realizada pela Agroadvance em parceria com a Zera, de 16 a 18 de setembro, em São Paulo, reúne durante três dias, produtores rurais, empresários, sucessores, gestores de propriedades e profissionais responsáveis pelas decisões de capital e crédito para circular por instituições onde o dinheiro que financia o agronegócio é estruturado e negociado: Farol Santander, B3, a Bolsa do Brasil, e XP Investimentos. Mais do que assistir a palestras sobre financiamento, os participantes terão contato direto com profissionais que estruturam, precificam e aprovam operações para o agro.
A proposta parte de uma mudança importante na realidade financeira do campo. O crédito subsidiado já não acompanha o tamanho e as necessidades do agronegócio brasileiro, enquanto juros elevados, IOF, exigências maiores de garantias, prazos mais curtos e a possibilidade de redução dos limites bancários colocam a estrutura de capital no centro das decisões estratégicas da propriedade.
Para Octaciano Neto, fundador da Zera, existe uma profunda transformação no financiamento agrícola brasileiro. “Quando você pega no conjunto da economia brasileira, neste ano, pela primeira vez na história, tem mais crédito ofertado às empresas do mercado de capitais, dos fundos de investimento, do que dos bancos. Então, participar da imersão é a possibilidade de conhecer uma fronteira nova da oferta de crédito ao agro”. Ele acredita que em cinco ou seis anos, mais da metade do financiamento da agropecuária brasileira virá do mercado de capitais.
A experiência começa no Farol Santander, no dia 16 de setembro, com discussões sobre como o capital chega ao agro, dívida e equity, utilização da terra como ativo financeiro e modelos de Fiagro. No dia seguinte, os participantes estarão na B3, onde terão contato com securitização e estruturação de CRA, FIDC, governança, holding patrimonial, crédito, garantias e segurança jurídica, além de uma visita técnica ao museu da B3 e o tradicional toque da campainha.
A programação termina na XP Investimentos, no dia 18, com conteúdos sobre cenário e perspectivas para o agronegócio em 2026 e operações de hedge e proteção de margem.
Especialistas que estão na ponta das operações
A terceira edição reúne 11 especialistas ligados diretamente ao mercado de capitais, crédito estruturado, securitização, venture capital, direito do agronegócio e governança.
Entre os nomes estão Octaciano Neto e Amanda Coura, da Zera; Bernardo Arruda Reis, da Tane Capital; Renato Buranello, da VBSO Advogados; Claudinei Frediani, da XP Investimentos; Leandro Andrade, da Orram Investimentos; Alexandre Stephan, da SP Ventures; Luiz Claudio, da FGV; Renato Barros, da Opea; Luisa Herkenhoff, da Riza Sec; e Ronaldo Behrens, da ABC Consult.
A presença da Zera também aproxima o evento da realidade das operações de crédito estruturado no agronegócio. A empresa encerrou seu primeiro ano de operação com R$ 1,2 bilhão em operações de crédito estruturado para o agro, principalmente por meio de FIDCs e Fiagro. Para 2026, a companhia projeta estruturar dois novos FIDCs, somando aproximadamente R$ 300 milhões, além da criação de uma gestora própria de recursos.
Aprender como o mercado enxerga o produtor
Um dos objetivos centrais da experiência é dar ao produtor maior autonomia para construir sua própria estrutura de capital. Para isso, ele precisa entender não apenas onde buscar dinheiro, mas também como o mercado financeiro analisa uma empresa rural antes de colocar capital nela.
“Durante a imersão, os participantes terão contato com os critérios observados por fundos, securitizadoras e investidores, incluindo números, garantias, governança e documentação. A proposta é que o produtor consiga identificar pontos de melhoria em seu balanço, endividamento e estrutura de garantias para aumentar suas possibilidades de acesso a capital mais adequado e, eventualmente, mais longo”, explica Fernando Reis, CEO da Agroadvance.
Safras recentes também evidenciaram situações em que dívidas de curto prazo financiaram ativos de longo prazo, aumentando a necessidade de planejamento financeiro, governança, transparência e organização empresarial. Ao mesmo tempo, produtores precisam lidar com riscos relacionados a preços, câmbio, juros, clima e crédito — temas que cada vez mais exigem ferramentas sofisticadas de gestão.
Nesse cenário, a imersão pretende ampliar o repertório do produtor para que ele não dependa de uma única fonte de financiamento.
Participante da segunda edição, a produtora de citros e cereais Marcia Terezinha Van Meles, de Holambra (SP), destaca a experiência como transformadora para a gestão de sua propriedade. “Foi um grande aprendizado, especialmente pelo contato direto com os palestrantes e outros membros do grupo. Tudo que aprendi aqui com certeza será utilizado para aprimorar meu trabalho.”
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
Ler todas as notíciasComentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








