IBOV175.135+0.31%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026S&P 5007.731+0.72%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026NASDAQ26.541+1.57%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026DOW53.569+0.20%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026PETR4R$ 42,70+3.02%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026VALE3R$ 79,11+0.84%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026ITUB4R$ 39,10-0.89%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026MGLU3R$ 4,84+2.76%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026BBDC4R$ 16,93-0.35%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026BBAS3R$ 19,97+2.31%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026SANB11R$ 29,47-0.87%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026B3SA3R$ 15,73-0.13%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026ABEV3R$ 15,12-0.79%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026WEGE3R$ 50,25-0.34%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026ITSA4R$ 12,84-0.47%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026PRIO3R$ 61,09+0.54%preço de fechamento do pregão de 27 de agosto de 2026DÓLARR$ 5,16+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30EUROR$ 6,02+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30LIBRAR$ 7,00+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30PESO ARR$ 0,00+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30IENER$ 0,03+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30YUANR$ 0,77+0.00%preço lido em 29/08/2026 às 02:30BITCOINR$ 403.459-1.94%preço lido em 29/08/2026 às 02:30ETHR$ 12.678-1.30%preço lido em 29/08/2026 às 02:30SOLR$ 541-1.95%preço lido em 29/08/2026 às 02:30XRPR$ 7,21-1.75%preço lido em 29/08/2026 às 02:30ADAR$ 1,05-3.20%preço lido em 29/08/2026 às 02:30

Crédito privado

Inadimplência sobe nos quatro maiores bancos e acende alerta para o crédito privado

Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Itaú Unibanco encerraram o segundo trimestre de 2026 (2T26) com piora nos indicadores de inadimplência, em um movimento que já vinha se desenhando havia meses.

.fnFIDC NEWS 27/08/20265 min de leituraSem comentários
Inadimplência sobe nos quatro maiores bancos e acende alerta para o crédito privado

Para o mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), veículo que securitiza recebíveis originados justamente por bancos, financeiras e varejistas, o dado importa além do balanço trimestral: ele é um termômetro antecipado da qualidade dos ativos que chegam às carteiras dos fundos.

Contexto: juros de dois dígitos há mais de quatro anos


A taxa básica de juros do Brasil está em patamar de dois dígitos há mais de quatro anos, e a Selic segue em 14% ao ano após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado projeta a taxa encerrando 2026 em torno de 13,75% ao ano, patamar que continua pressionando o custo do crédito para famílias e empresas.

Esse cenário de juros elevados e persistentes é o pano de fundo para a deterioração observada nos balanços bancários. Para gestores de FIDC, o ambiente de Selic em dois dígitos tem efeito duplo: de um lado, encarece o funding e reduz a margem de operações de crédito consignado, cartão e capital de giro; de outro, eleva o risco de inadimplência nas cotas subordinada e sênior de fundos expostos a recebíveis de varejo e agronegócio.

O quadro macro também aparece nos números de recuperação judicial. Em 2025, foram 2.466 CNPJs em recuperação judicial, alta de 13% sobre 2024, e 977 pedidos protocolados, o maior volume desde 2016. A agropecuária respondeu por 30,1% dos pedidos de recuperação no período, ante apenas 1,3% em 2012, evidenciando o quanto o setor rural concentrou a piora de crédito no ciclo recente.

O que mudou: inadimplência sobe nos quatro grandes bancos


O Banco do Brasil registrou a maior piora entre os pares: a inadimplência total saltou de 4,0% no 2T25 para 5,6% no 2T26, alta de 1,6 ponto percentual. Na carteira de pessoa física, o salto foi ainda mais expressivo, de 5,6% para 8,4% no mesmo período. No crédito rural, área historicamente central para o BB, a inadimplência chegou a 7,4% em fevereiro de 2026, ante 2,9% um ano antes.

O Santander teve a maior variação relativa: a inadimplência total passou de 2,6% para 3,3%, aumento de 27% em termos proporcionais. O Bradesco viu o indicador subir de 4,1% para 4,4%, e o Itaú Unibanco, historicamente com a carteira mais limpa entre os grandes bancos, também registrou piora, de 2,0% para 2,1%.

Um fator relevante por trás da alta no BB é o efeito de contágio entre linhas de crédito. Produtores rurais em dificuldades financeiras, que costumam concentrar toda a vida bancária em uma única instituição, passaram a atrasar também compromissos de varejo, como cartão de crédito. Esse padrão de propagação entre carteiras é exatamente o tipo de correlação que gestores de FIDC precisam monitorar ao avaliar concentração por originador e por setor.

Do lado corporativo, dois casos de reestruturação de grande porte reforçam o quadro de pressão sobre crédito: a Raízen (RAIZ4) está reestruturando R$ 65,4 bilhões em dívidas, com adesão de mais de 80% dos credores, e o GPA (Grupo Pão de Açúcar, PCAR3) negocia a reestruturação de R$ 4,5 bilhões. Em janeiro de 2026, o total de CNPJs negativados chegou a 8,7 milhões, com dívida média de R$ 23 mil por empresa.

Análise: o que a piora bancária sinaliza para o crédito privado


Para analistas do mercado de crédito privado, a alta simultânea da inadimplência nos quatro maiores bancos de varejo não deve ser lida como evento isolado de um ou outro balanço, mas como sinal de uma pressão mais ampla sobre a capacidade de pagamento de famílias e empresas. Essa leitura é especialmente relevante para gestores de FIDC porque os bancos são, direta ou indiretamente, originadores e cedentes de parte relevante dos direitos creditórios securitizados no mercado brasileiro.

Quando a inadimplência sobe na ponta bancária, o efeito tende a se propagar para as carteiras de FIDC com defasagem: primeiro pela deterioração da qualidade dos recebíveis cedidos, depois pela pressão sobre os níveis de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) exigidos nas cotas subordinadas, que funcionam como colchão de proteção para a cota sênior. Fundos com concentração em originadores do varejo bancário ou com exposição relevante ao agronegócio, setor que já responde por quase um terço dos pedidos de recuperação judicial do País, merecem atenção redobrada nesse ciclo.

"A tendência de piora não é um evento pontual de um banco específico, é um movimento estrutural ligado ao custo do dinheiro", avaliam analistas do setor, ao comentar o comportamento simultâneo dos quatro grandes bancos no trimestre.

Perspectivas: o que monitorar daqui para frente


A expectativa do mercado é de que a qualidade do crédito dificilmente melhore nos próximos meses, já que não há previsão clara de quando as taxas de juros vão cair de forma consistente. Com a Selic projetada em 13,75% ao ano para o fim de 2026, o custo do crédito deve seguir elevado, mantendo pressão sobre a inadimplência de pessoa física, pequenas e médias empresas e o setor rural.

Para o mercado de FIDC, os pontos de atenção para os próximos trimestres incluem a evolução da inadimplência na carteira rural, que já mais que dobrou em um ano, o desdobramento dos processos de recuperação judicial e extrajudicial em curso, incluindo Raízen e GPA, e a atualização dos níveis de subordinação exigidos pelas agências de rating e pelos próprios estruturadores diante do novo patamar de risco. Gestores mais conservadores devem reforçar critérios de elegibilidade de cedentes e revisar limites de concentração por setor, especialmente agronegócio e varejo bancário, enquanto o ciclo de juros altos não dá sinais de reversão.


Fontes: Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Estado do Paraná (FEEB PR), "O que os números dos bancos dizem sobre os riscos do crédito", 27/08/2026 (https://www.feebpr.org.br/noticias/o-que-os-numeros-dos-bancos-dizem-sobre-os-riscos-do-credito)

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O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

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