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Fidcs & FundosCrédito privado

Pix avança sobre crédito, recebíveis e tributos no segundo semestre

Cobrança híbrida, integração com duplicatas e adaptações à reforma tributária estão entre os movimentos que devem ampliar o uso do sistema.

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O Pix se prepara para uma nova etapa de expansão. Depois de transformar a maneira como os brasileiros transferem dinheiro e fazem pagamentos, o sistema do Banco Central começa a avançar sobre áreas que vão além da simples movimentação de recursos, aproximando-se de operações de crédito, cobrança e tributação.

Para o segundo semestre, entre as iniciativas previstas na agenda do Banco Central estão a cobrança híbrida, a integração do Pix ao pagamento de duplicatas e as adaptações necessárias à reforma tributária. São mudanças que, embora possam parecer restritas ao mercado financeiro e empresarial, têm potencial para alterar a experiência de pagamento e a relação dos brasileiros com suas contas no dia a dia.

Cobrança híbrida: boleto e Pix na mesma conta

Uma das novidades é a cobrança híbrida, que combina boleto e Pix em um mesmo documento. A proposta permite que uma cobrança tradicional tenha também um QR Code para pagamento instantâneo. A funcionalidade já pode ser oferecida pelo mercado, mas o Banco Central trabalha na regulamentação de sua utilização e nos mecanismos para evitar pagamentos em duplicidade.

Para o consumidor, a mudança tende a ser simples: ao receber uma cobrança, será possível escolher entre o pagamento tradicional do boleto ou o Pix. Para as empresas, a expectativa é facilitar a conciliação e reduzir etapas no processo de recebimento.

“É uma mudança que parece pequena para quem paga uma conta, mas pode simplificar bastante a relação entre empresas e consumidores. O Pix passa a estar integrado a uma cobrança que o brasileiro já conhece, sem exigir uma mudança radical de comportamento”, afirma Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo 100% online.

Duplicata no Pix: mais agilidade para recebíveis

Outra frente em desenvolvimento é a chamada Duplicata no Pix. A proposta prevê a integração do sistema de pagamentos instantâneos à quitação de duplicatas escriturais, facilitando a circulação desses títulos e operações relacionadas a recebíveis.

A iniciativa tem impacto principalmente sobre empresas, mas pode produzir efeitos indiretos sobre consumidores ao contribuir para um fluxo financeiro mais ágil entre fornecedores e compradores.

A medida faz parte de um movimento mais amplo de modernização do mercado de recebíveis. Para pequenos e médios negócios, por exemplo, operações mais rápidas podem representar maior previsibilidade no fluxo de caixa e facilitar a gestão financeira.

“Quando o Pix passa a fazer parte da infraestrutura de recebíveis, ele ganha uma função mais estratégica para as empresas. A tendência é que operações que hoje dependem de diferentes etapas possam se tornar mais rápidas e integradas”, explica Afonso.

Split tributário: o imposto por trás do pagamento

Outra transformação importante está relacionada à reforma tributária sobre o consumo. O chamado split tributário prevê uma adaptação da infraestrutura de pagamentos para permitir a separação dos valores correspondentes aos tributos durante o processo de liquidação das operações.

Na prática, o consumidor não precisará realizar uma etapa adicional para que os impostos sejam recolhidos. A transformação ocorrerá principalmente nos sistemas utilizados por empresas, instituições financeiras e demais participantes da cadeia de pagamentos.

O impacto, portanto, estará mais nos bastidores. Empresas precisarão adaptar seus sistemas financeiros e fiscais para lidar com a identificação das operações e a destinação dos valores relativos aos tributos dentro das novas regras.

O que muda para o consumidor?

O movimento mostra como o Pix vem deixando de ser apenas uma ferramenta de transferência de dinheiro para se tornar uma infraestrutura sobre a qual diferentes serviços financeiros podem ser construídos. Em vez de uma única grande mudança, a evolução ocorre por meio da integração gradual do sistema a outras etapas da economia.

No entanto, essa expansão também exige atenção do consumidor. Quanto mais operações estiverem conectadas ao Pix, maior será a importância de conferir cobranças, destinatários e condições antes de autorizar uma transação.

“O Pix trouxe uma enorme facilidade para o cotidiano, mas a velocidade do pagamento não deve significar uma decisão financeira automática. Quanto mais funções forem incorporadas ao sistema, mais importante será entender o que está sendo pago e em quais condições”, conclui o especialista da Simplic.

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