Aliados de Lula cobram queda da Selic e elevam tensão antes do Copom
Pressão de aliados do governo por juros menores colide com a cautela do mercado e coloca o Copom no centro da precificação do crédito privado.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
Crédito: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
A semana do Comitê de Política Monetária (Copom) começa com a taxa básica de juros no centro do debate político. A Selic está em 13,75% ao ano, e parlamentares governistas passaram a cobrar o mercado e o Banco Central por cortes, enquanto parte das instituições financeiras revisa suas apostas. Para FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), a definição importa porque a Selic referencia o custo de captação e o retorno exigido nas cotas.
Contexto: do corte esperado à dúvida sobre a manutenção
Até a vitória de Lula no segundo turno, a aposta predominante era de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom. Na reunião de setembro, o comitê já havia reduzido a Selic em 0,25 ponto. Depois da eleição, a leitura do mercado mudou, em meio à incerteza fiscal.
Cresceu o número de instituições que esperam a manutenção da Selic em 13,75% nesta semana. A mediana das projeções ainda aponta corte, mas as expectativas para reduções em 2027 também diminuíram. Em outras palavras, o mercado passou a embutir um ciclo de queda mais lento.
Os ativos refletiram a mudança. Na semana após o segundo turno, o Ibovespa caiu 18,12% e fechou aos 167.921 pontos, a pior semana desde março de 2020. O dólar subiu 9,04% no período, a maior alta semanal desde outubro de 2008, e fechou a R$ 5,4443. Em outubro, a moeda acumulou alta de 5,20%. Segundo a cobertura, o movimento reflete preocupação fiscal, diante da ausência de anúncios de ajuste de gastos e de nomes para a nova equipe econômica.
O que mudou: a política entra na conversa sobre juros
Nesta segunda-feira (2), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a mudança nas projeções dos analistas para a Selic depois da eleição. Em publicação na rede X, acusou analistas de “sabotar a nossa economia” e afirmou que os juros não devem ser definidos pelo “humor do mercado financeiro”. Ele também cobrou uma posição do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Outros nomes do campo governista se manifestaram. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), criticou o mercado financeiro e disse que o setor apoiou Flávio Bolsonaro na eleição. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) defendeu a queda dos juros sem cortes em áreas sociais e afirmou que os bilionários pagarão a conta. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, em entrevista ao Metrópoles, falou em “especulação” e em “ganhos extraordinários” no setor financeiro. O presidente do PT, Edinho Silva, também criticou “especulações” na área econômica.
Entra ainda no debate a proposta do economista André Lara Resende. Em artigo publicado em 25 de setembro no Substack, ele criticou a política monetária atual e sugeriu reduzir a Selic de forma gradual, ao longo de cerca de 12 meses, até aproximadamente 7,5% ao ano. Lara Resende defende ainda a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. O jornal O Globo noticiou um possível encontro dele com Lula, o que foi negado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durigan também negou que o governo estude tabelar juros ou usar reservas cambiais.
Análise: o que isso significa para FIDCs
A decisão do Copom cabe ao comitê, e a pressão política não altera, por si só, o mandato do Banco Central. O efeito mais imediato é sobre a expectativa. Quando a curva de juros deixa de projetar cortes, o custo de captação dos fundos permanece elevado por mais tempo.
Para o gestor de FIDC, isso tem três desdobramentos práticos. O primeiro é a remuneração das cotas sênior, normalmente atrelada ao CDI, que acompanha a Selic: sem queda, o spread que a carteira precisa gerar para remunerá-las continua pressionado. O segundo é o ritmo de originação, já que crédito caro desestimula a demanda do tomador e eleva o risco de inadimplência na carteira cedida, com reflexo em provisões como a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). O terceiro é a captação, pois a Selic alta mantém a renda fixa tradicional competitiva frente ao crédito privado.
O câmbio e a bolsa em queda indicam, ainda, um ambiente de aversão a risco que tende a dificultar emissões e a exigir prêmios maiores.
Perspectivas: o que monitorar
O primeiro ponto de atenção é a decisão do Copom nesta semana e o comunicado que a acompanha, que dirá se o comitê vê espaço para continuar o ciclo de cortes iniciado em setembro. O segundo é a sinalização fiscal do governo, com anúncios de ajuste de gastos e a definição da nova equipe econômica, apontados na cobertura como a origem da incerteza.
Se o mercado perceber que a pressão política pesa sobre a condução da política monetária, o risco é de juros futuros mais altos, o que seria o oposto do que os críticos pedem. Se, ao contrário, o Banco Central mantiver o ritmo gradual e a agenda fiscal ganhar clareza, o ambiente tende a se acalmar. Para FIDCs, a recomendação editorial é acompanhar a inclinação da curva de juros, mais do que a decisão isolada de um único Copom.
Fontes: InfoMoney, “Parlamentares governistas aumentam críticas a juros altos antes de reunião do Copom” (Estadão Conteúdo), 02/11/2026: https://www.infomoney.com.br/politica/parlamentares-governistas-aumentam-criticas-a-juros-altos-antes-de-reuniao-do-copom/
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








