Ataque ao Mercado Bitcoin, dias após a Binance, expõe risco operacional da tokenização
Incidente na maior exchange brasileira, dias após o maior roubo cripto da história, coloca a segurança operacional no centro do debate sobre tokenização de crédito.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
Fachada do Mercado Bitcoin (MB) (Imagem: Divulgação)
O Mercado Bitcoin confirmou um incidente de segurança na madrugada de segunda-feira (2), com saques e depósitos suspensos por precaução. O caso vem na sequência do ataque de US$ 6,3 bilhões à Binance e interessa ao mercado de crédito estruturado, que flerta cada vez mais com ativos tokenizados.
Contexto: cripto e crédito estruturado se aproximam
A tokenização de ativos financeiros, isto é, a representação de um título ou direito creditório em formato digital numa rede blockchain, deixou de ser experimento no Brasil. Em julho de 2024, a Prinz estruturou, com a Oliveira Trust como administradora, o primeiro FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) voltado a ativos digitais, com a Liqi como plataforma e meta de captar cerca de R$ 50 milhões em até 12 meses.
Em dezembro de 2025, foi a vez do próprio Mercado Bitcoin. A exchange lançou o MB Gênesis, apontado pelo InfoMoney como o primeiro FIDC criado por uma empresa do setor cripto. A meta de captação é de R$ 100 milhões, com prazo de três anos, rentabilidade-alvo de CDI + 3,5% e carteira de consignados, recebíveis de cartões e duplicatas. A gestão fica com o time de renda fixa digital da própria exchange.
O movimento acontece num mercado aquecido. Segundo o InfoMoney, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 219% entre dezembro de 2020 e outubro de 2025.
O que aconteceu
Em comunicado no X, o Mercado Bitcoin informou que o incidente ocorreu em um de seus sistemas, que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados e que o caso foi contido. Saques e depósitos foram suspensos temporariamente enquanto as equipes internas investigam. Em um segundo comunicado, a empresa disse trabalhar para “restabelecer as operações com segurança” e divulgou os endereços de destino das movimentações ligadas ao incidente, para facilitar o rastreamento em blockchains.
Não foram divulgados o valor envolvido, a quantidade de ativos afetados nem os responsáveis.
O episódio ocorre dias depois do ataque à Binance, na quinta-feira (29). Cerca de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) saíram da exchange em cerca de 20 minutos, com movimentações em pelo menos dez blockchains, segundo a TRM Labs. A Binance suspendeu depósitos e saques, disse que cobrirá as perdas com o fundo SAFU e recursos próprios e que cerca de US$ 3 bilhões foram congelados. A TRM atribui o ataque, com “alto grau de confiança”, ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. A Binance ainda não confirmou a autoria.
O InfoMoney lembra que uma série de ataques neste ano atingiu empresas de cripto e do setor financeiro, entre elas Polymarket, Mirae Asset Global Investments, Daishin Securities e GMO Internet Group. Há preocupação de que a inteligência artificial esteja tornando os hackers mais eficientes, e alguns especialistas acreditam que grupos norte-coreanos usam essas ferramentas em reconhecimento e engenharia social.
Análise: o que muda para quem olha crédito tokenizado
O incidente no Mercado Bitcoin, até o momento, não tem relação comprovada com o MB Gênesis nem com qualquer carteira de direitos creditórios. A conexão é de risco. Fundos que usam infraestrutura digital para originar, monitorar ou distribuir ativos passam a depender de camadas de segurança que o administrador tradicional de FIDC não precisava avaliar: custódia de chaves, assinatura de transações e proteção de acessos internos.
Sobre o ataque à Binance, Cristiano Ventricelli, da Moody’s Ratings, avaliou que as implicações para crédito e para o setor dependem do volume final de perdas, da recuperação dos ativos e da extensão do abalo de confiança. A lógica vale para o crédito tokenizado: a tese de eficiência só se sustenta se a infraestrutura for tão confiável quanto a custódia tradicional.
O próprio Mercado Bitcoin defende que o MB Gênesis aproxima o mercado institucional do universo tokenizado. André Gouvinhas, VP de Investment & Banking da exchange, afirmou à época que o movimento amplia a capacidade de originação da casa e prepara investidores institucionais para investir diretamente em tokens no futuro.
Perspectivas: o que monitorar
O primeiro ponto é a retomada das operações e a divulgação do valor e da causa do incidente. Sem esses dados, não é possível medir o impacto. O segundo é se a empresa detalhará a segregação entre a plataforma de negociação e as estruturas de crédito. O terceiro é a reação de administradores, custodiantes e investidores institucionais, que podem passar a exigir auditorias de segurança digital como condição para participar de estruturas tokenizadas.
Para o gestor de FIDC, a lição prática é incluir segurança cibernética na diligência de qualquer parceiro de tecnologia, ao lado de qualidade da carteira, lastro e governança.
Fontes: InfoMoney
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








