Ex-CFO do Nubank, Guilherme Lago vira sócio da Kaszek, que capta fundo de US$ 600 milhões
Um dos arquitetos financeiros do maior banco digital da América Latina troca a operação pelo capital de risco.

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A chegada de Guilherme Lago à Kaszek coincide com a captação do sétimo fundo da gestora, que mira cerca de US$ 600 milhões junto a investidores institucionais internacionais. O movimento reforça a presença de executivos com bagagem em finanças e crédito na gestão de capital de risco da região, num momento em que fintechs de crédito seguem entre as principais teses do venture capital latino-americano.
Guilherme Lago construiu a carreira na interseção entre mercado de capitais, estratégia e gestão de investimentos. Antes do Nubank, passou 13 anos no Credit Suisse, onde chegou ao cargo de managing director. No currículo, também tem passagens pelas consultorias Advent e McKinsey, nas áreas de estratégia e investimentos.
Ele entrou no Nubank em junho de 2019 como diretor de finanças e foi promovido a CFO (Chief Financial Officer, o diretor financeiro) em fevereiro de 2021. Foi nesse período que o banco digital passou por algumas das etapas mais relevantes da sua história corporativa, incluindo a consolidação como uma das maiores plataformas de crédito ao consumidor do continente.
Para o mercado de crédito privado, o perfil de Lago é emblemático. Poucos executivos na região acompanharam tão de perto a expansão de uma carteira de crédito digital em larga escala, com toda a complexidade de funding, gestão de risco e relação com investidores que isso envolve.
Lago passa a integrar o time de sócios da Kaszek, gestora de venture capital fundada em 2011 por Hernan Kazah e Nicolas Szekasy, ambos ex-executivos do Mercado Livre. A escolha não é casual: o Nubank é um dos investimentos mais conhecidos do portfólio da própria Kaszek.
"Ele é um profissional que conhecemos bem e tinha interesse em ficar conectado com o ecossistema de empreendedorismo", afirmou Hernan Kazah, cofundador da gestora, em entrevista ao NeoFeed.
O anúncio acontece em paralelo à captação do sétimo veículo da Kaszek. O processo começou em setembro de 2026, com fechamento previsto até novembro, e a meta é de aproximadamente US$ 600 milhões. O valor supera os US$ 540 milhões levantados no fundo anterior, de 2023. Parte relevante da estratégia está voltada a follow-ons, ou seja, novas rodadas de investimento em startups que já fazem parte do portfólio.
Desde a fundação, a Kaszek já levantou mais de US$ 3 bilhões e investiu em mais de 100 startups. Entre os nomes do portfólio estão Nubank, QuintoAndar, Creditas, Gympass, Arq, Enter, Comp, Kavak e Bitso. A gestora mantém ainda um fundo de growth com regra própria de captação. "Neste, só podemos captar depois de investir o último centavo", explicou Kazah.
A leitura para gestores e investidores de crédito privado passa pela composição do portfólio da Kaszek. Nubank e Creditas são empresas cujo modelo de negócio depende diretamente da capacidade de originar crédito e financiá-lo de forma eficiente. É nesse tipo de operação que o mercado de capitais entra, seja por emissões de dívida, seja por estruturas de securitização, como os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), veículos que compram recebíveis de empresas originadoras e os transformam em cotas para investidores.
Ter um ex-CFO de banco digital entre os sócios de uma gestora de venture capital tende a elevar o nível de exigência sobre as startups investidas em temas como estrutura de capital, custo de funding e governança financeira. Para fintechs de crédito em fase de crescimento, esse tipo de apoio pode encurtar o caminho até o acesso a estruturas mais sofisticadas, como FIDCs com cotas sênior e subordinada, que ajudam a separar o risco da operação e atrair investidores institucionais.
Na avaliação de analistas do mercado, a combinação entre capital de risco e experiência em finanças corporativas é cada vez mais valorizada, porque o crescimento de uma fintech de crédito raramente se sustenta apenas com equity. Em algum momento, a escala depende de funding estruturado.
O primeiro ponto de atenção é o fechamento do sétimo fundo, previsto para novembro. Se a Kaszek confirmar ou superar a meta de US$ 600 milhões com investidores internacionais, o dado será um termômetro do apetite estrangeiro pelo venture capital latino-americano.
O segundo é o destino desses recursos. Com foco relevante em follow-ons, empresas já investidas, incluindo as de crédito, podem receber novos aportes. Mais capital próprio costuma melhorar a capacidade dessas companhias de absorver risco e de estruturar operações de funding, o que pode se traduzir em novas emissões e veículos de crédito no mercado de capitais.
Por fim, vale acompanhar a atuação de Lago na gestora e se sua experiência no Nubank influenciará a seleção de novas teses em serviços financeiros. Para o ecossistema de crédito privado, a movimentação indica que a fronteira entre venture capital e mercado de capitais está cada vez mais estreita.
Fontes: NeoFeed, "Ex-CFO do Nubank vira sócio da Kaszek, que capta novo fundo" (24/09/2026)
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