QI Tech projeta faturamento de R$ 2 bi em 2026 e margem Ebitda acima de 50%
Fundador da QI Tech diz que a infraestrutura criada para destravar o crédito de FIDCs já fatura em escala de bilhões.

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Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech, afirmou em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney, que a empresa deve faturar R$ 2 bilhões neste ano, com margem Ebitda acima de 50% e crescimento superior a 50%. A plataforma nasceu para resolver uma dor do mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e hoje é um dos principais exemplos de infraestrutura financeira do crédito privado brasileiro.
Contexto: de uma dor da gestão de FIDCs a uma infraestrutura financeira
A história da QI Tech começa antes da própria empresa. Segundo Mac Dowell, aos 24 anos, em 2004, ele abriu com dois amigos uma gestora de FIDCs que quebrou em seis meses, por não conseguir captar recursos nem originar crédito. O episódio mostra um gargalo conhecido do setor: um FIDC só funciona quando existe, ao mesmo tempo, dinheiro de investidores e crédito de qualidade para ser comprado.
Em 2008, depois de passar pela Link, ele fundou a Quatá Investimentos. A crise financeira daquele ano reduziu o aporte previsto, que contava com quatro investidores de R$ 7 milhões cada, para R$ 14 milhões, mantidos por Jorge Paulo Lemann e mais um sócio. Mac Dowell se tornou o maior acionista da gestora. Ele conta que conheceu Lemann por meio do tênis, esporte que praticou em nível profissional antes de se mudar para São Paulo, por volta dos 15 anos.
O fato central: a ideia que virou a QI Tech
Foi na rotina da Quatá que surgiu a ideia da QI Tech. Cada operação de crédito de FIDC exigia contratar um banco, o que tornava o processo lento e dependente de terceiros. Em dezembro de 2017, Mac Dowell enviou a Lemann a proposta de uma infraestrutura financeira que combinasse modelos de nuvem e de pagamentos. Lemann o apresentou a André Street, fundador da Stone.
A empresa começou em janeiro de 2018, com cerca de dez engenheiros. O pedido ao Banco Central foi feito logo depois da regra das SCDs (Sociedades de Crédito Direto), de abril de 2018, e a autorização saiu em dezembro do mesmo ano. Segundo a entrevista, a QI Tech foi a primeira SCD autorizada pelo regulador.
Os números atuais dão a dimensão do avanço. A empresa tem avaliação de cerca de US$ 2 bilhões, movimentou mais de R$ 490 bilhões em Pix, emitiu R$ 100 bilhões em crédito e administra R$ 180 bilhões. A QI Tech emite e processa de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões em crédito por mês, distribuídos em quatro unidades de negócio.
Análise: o que isso significa para os FIDCs
Para quem opera FIDCs, o caso é relevante por dois motivos. O primeiro é o problema que a empresa foi criada para resolver. Quando cada operação depende de um banco contratado individualmente, o originador perde velocidade, e a velocidade pesa na formação da carteira. Uma infraestrutura própria de emissão, cobrança e movimentação de recursos reduz esse atrito e amplia a capacidade de originar crédito, que é exatamente o limite que derrubou a primeira gestora de Mac Dowell em 2004.
O segundo motivo é a escala. Um faturamento projetado de R$ 2 bilhões, com margem Ebitda acima de 50%, indica que a infraestrutura de crédito se tornou um negócio rentável por si só. Para gestores e originadores, isso sinaliza um mercado de fornecedores mais maduro, que pode sustentar volumes mensais na casa dos bilhões. Os números, vale lembrar, são projeções e declarações do próprio CEO, sem verificação independente.
Esse movimento também ajuda a entender a mudança de patamar do crédito privado no país. A regra das SCDs, de 2018, abriu espaço para empresas não bancárias emitirem crédito com autorização do Banco Central, e a QI Tech foi uma das primeiras a transformar essa regulação em operação em larga escala.
Perspectivas: o que monitorar
O primeiro ponto a acompanhar é se a projeção de 2026 se confirmará nos resultados do ano, especialmente a margem Ebitda acima de 50% e o crescimento superior a 50%. O segundo é a evolução do volume mensal de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões em crédito emitido, que é um termômetro direto da demanda por originação no mercado.
Para os FIDCs, o ponto de atenção é a dependência de poucos fornecedores de infraestrutura à medida que o setor cresce. Quanto mais o crédito privado se apoia em plataformas, mais importantes ficam a governança e a diversificação dessas relações. Se o ritmo descrito na entrevista se mantiver, a infraestrutura tende a ganhar peso na formação de carteiras, na velocidade das operações e na competição entre originadores.
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