Selic (14,5% em 2027): Juros podem ficar 20,8% acima do Focus após alta do dólar
"As estimativas do próprio Banco Central indicam que, a cada 10% de alta do dólar, a inflação sobe cerca de 1 ponto percentual em 12 meses", André Matos, CEO da MA7 Capital.

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Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
"O IPP avançou 1,54% em setembro, com alta de 1,94% nos bens intermediários, sinalizando pressão sobre insumos utilizados pela construção e pela indústria. A valorização recente do dólar pode ampliar o custo de equipamentos e componentes importados, acrescentando entre 0,5 e 0,8 ponto percentual ao IPCA de 2027. Empresas com contratos já definidos e menor flexibilidade para reajustes podem enfrentar compressão de 2 a 3 pontos percentuais nas margens. A persistência inflacionária também dificulta a redução dos juros, com a Selic podendo encerrar 2027 entre 12,5% e 13,5% e o Ibovespa entre 160 mil e 185 mil pontos. Para o setor imobiliário, o ponto central será a estruturação de financiamentos compatíveis com os cronogramas das obras, a previsibilidade dos recebíveis e o planejamento de longo prazo", André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.
"O IPP de setembro evidencia que os custos produtivos já estavam pressionados antes das eleições, especialmente em alimentos, que subiram 2,40%, e indústrias extrativas, com alta de 11,04%. A valorização do dólar pode intensificar os custos de combustíveis, fertilizantes e equipamentos, acrescentando entre 0,4 e 0,8 ponto percentual ao IPCA de 2027. Na construção e no comércio de materiais, a dificuldade de repassar integralmente esses aumentos pode reduzir margens em cerca de 2 a 3 pontos percentuais. Com a inflação mais resistente, a Selic pode terminar 2027 entre 12,5% e 13,5%, enquanto o Ibovespa poderá oscilar entre 160 mil e 185 mil pontos. Esse cenário reforça a importância do planejamento financeiro, com operações de crédito estruturadas conforme as garantias disponíveis, a geração de caixa e os prazos de cada projeto", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“A alta dos preços ao produtor mostra que a indústria já enfrentava pressão de custos antes mesmo da recente valorização do dólar, que tende a encarecer ainda mais matérias-primas e produtos importados. O problema é que o consumo enfraquecido limita a capacidade das empresas de repassar esses aumentos aos consumidores. Setores como varejo, construção e bens duráveis devem sentir mais esse efeito, com redução das margens de lucro. Acredito que parte dessa pressão chegará à inflação em 2027, dificultando cortes mais rápidos da Selic. Para a Bolsa, vejo um cenário de maior volatilidade e menor espaço para valorizações generalizadas, especialmente entre empresas endividadas e dependentes do consumo. Minha expectativa é de juros ainda elevados em 2027 e um Ibovespa mais seletivo, favorecendo empresas exportadoras, com baixo endividamento e maior capacidade de preservar sua rentabilidade”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“O IPP de setembro mostra que a indústria já estava sob pressão antes da eleição. Os preços na porta das fábricas subiram 1,54%, a maior alta em meses, puxados por alimentos, petróleo e minérios, por causa do clima e da guerra no Oriente Médio. Agora, a disparada do dólar depois da eleição, de 8,21% em um único dia, soma um segundo choque a esse primeiro. As estimativas do próprio Banco Central indicam que, a cada 10% de alta do dólar, a inflação sobe cerca de 1 ponto percentual em 12 meses. Como o mercado já esperava um dólar de cerca de R$ 5,22 para 2027, se a moeda se mantiver entre R$ 5,40 e R$ 5,60, o efeito adicional sobre o IPCA do ano que vem deve ficar entre 0,4 e 0,8 ponto percentual. O problema é que a demanda está fraca, e nem todos conseguem repassar esses custos. Os mais pressionados são os setores que dependem de insumos importados e vendem para um consumidor endividado, como eletroeletrônicos, móveis, vestuário e construção civil. Nesses casos, as empresas devem absorver boa parte da alta, com perda de um a dois pontos de margem. Essa combinação é ruim para os juros e para a Bolsa. Com a inflação de volta acima do teto da meta e a incerteza fiscal maior, o Banco Central perde espaço para continuar cortando a Selic. No meu cenário, sem uma sinalização fiscal clara do governo, a Selic termina 2027 entre 13,75% e 14,5%, bem acima dos 12% que o mercado projetava antes da eleição, e o Ibovespa fica entre 160 mil e 190 mil pontos. Se o governo anunciar nas próximas semanas uma equipe econômica com credibilidade e uma meta fiscal mais firme, os juros podem voltar para perto de 12,5% e a Bolsa recuperar os 200 mil pontos ao longo do ano”, André Matos, CEO da MA7 Capital.
“A alta de 1,54% do IPP mostra uma inflação impulsionada por custos, e não necessariamente por maior demanda. Com o dólar mais caro, insumos importados podem pressionar ainda mais os preços, acrescentando de 0,4 a 0,7 ponto percentual ao IPCA de 2027. Empresas de varejo e distribuição, que enfrentam consumidores mais sensíveis aos reajustes, podem registrar compressão de 1,5 a 3 pontos percentuais nas margens. Esse ambiente dificulta a flexibilização monetária, podendo manter a Selic entre 12,5% e 13,25% e o Ibovespa entre 165 mil e 185 mil pontos em 2027. A resposta empresarial passa por melhorar a gestão do capital de giro e dos recebíveis. Nesse cenário, as finanças embarcadas ganham espaço ao integrar pagamentos, crédito e cobrança às operações comerciais, permitindo maior eficiência e diversificação das receitas”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.
“A valorização de 8,21% do dólar e a queda de 13,88% do Ibovespa após a eleição mostram como o risco político pode alterar rapidamente a precificação dos ativos brasileiros. O movimento ocorreu quando o IPP já acumulava alta de 5,04% no ano, com pressões sobre petróleo e alimentos. Caso o câmbio permaneça depreciado, o IPCA de 2027 poderá receber entre 0,4 e 0,8 ponto percentual adicional. Empresas dependentes de importações podem enfrentar redução de 2 a 4 pontos percentuais nas margens, limitando o espaço para cortes da Selic, que poderá encerrar 2027 entre 12,75% e 13,75%. Nesse cenário, o Ibovespa pode oscilar entre 155 mil e 185 mil pontos. Enquanto isso, a economia global apresenta oportunidades em diferentes setores e moedas. A exposição a ETFs internacionais e ativos dolarizados permite diversificar riscos, reduzindo a dependência exclusiva do desempenho brasileiro”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
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