
Safra 2026/27: custos, dívidas e clima testam recebíveis do agro
Custos em alta, dívida recorde no radar da CMN e risco climático elevado pressionam a qualidade dos recebíveis que sustentam FIDCs e Fiagros do agronegócio.
93 artigos nesta editoria.

Custos em alta, dívida recorde no radar da CMN e risco climático elevado pressionam a qualidade dos recebíveis que sustentam FIDCs e Fiagros do agronegócio.

Diante do calote recorde no campo, bancos deixam de tratar a fazenda como garantia de última instância e passam a estruturar operações para tomar posse direta do imóvel rural.

Depois de dois anos de aperto no crédito rural, indícios de virada na safra 2026/27 reacendem o apetite do mercado de capitais pelo risco agro.

Renegociação de dívidas e concentração dos recursos no custeio colocam planejamento de tratores, implementos e equipamentos no centro da gestão financeira da fazenda.

A perspectiva de uma safra brasileira recorde em 2026 está elevando a demanda por diesel em um momento de oferta global apertada, encarecendo o custo de produção no campo e trazendo um ponto de atenção adicional para gestores de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) expostos ao agronegócio.

O volume de crédito rural concedido com desconto de juros a produtores que tiveram o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado por órgãos estaduais saltou na safra 2025/26, em um movimento que reforça a conformidade ambiental como critério de precificação no financiamento agropecuário, com efeitos que já chegam à estruturação de recebíveis do setor.

O Banco do Brasil (BBAS3) começou a renegociar dívidas de clientes do agronegócio dentro do programa criado pela Medida Provisória 1.376. Segundo o banco, cerca de 113 mil clientes têm operações potencialmente enquadradas na iniciativa, com volume de crédito que pode chegar a R$ 100 bilhões.

Secas mais longas, chuvas excessivas e alterações persistentes nos padrões de temperatura estão deixando o crédito rural mais caro e mais seletivo no Brasil. Na outra ponta, a oferta limitada de seguros adequados retroalimenta a turbulência no fluxo de caixa dos produtores, um cenário que também acende um alerta para gestores de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e fundos de crédito privado com exposição ao agronegócio.

Evento passa pelo Farol Santander, B3 e XP Investimentos e apresenta na prática como funcionam estruturas como Fiagro, CRA, FIDC, dívida, equity e operações de hedge.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta segunda-feira (24 de agosto) uma resolução que permite usar recursos obrigatórios do crédito rural para liquidar ou amortizar dívidas originadas em outras fontes de financiamento.

Um levantamento da Serasa Experian identificou que 17,4% das operações de crédito rural contratadas para o cultivo de soja na safra 2025/26 podem ter tido parte dos recursos direcionada para outras lavouras.

Depois de um ciclo de quase três anos marcado por preços deprimidos, custeio caro e produtores endividados, o agronegócio brasileiro começa a mostrar sinais de recuperação. A melhora nos preços de commodities como soja e açúcar tem mudado o humor de executivos do setor e reacende, para o mercado de crédito privado, uma pergunta relevante: o que essa virada representa para o risco das carteiras de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) expostas ao agro.