AgronegócioPolíticaCrédito privado
Reeleição de Lula: agro cobra solução para dívida rural e juros menores
O campo reagiu ao resultado das urnas e a pauta econômica que importa ao crédito privado ficou clara: juros, dívida rural e custo de produção.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu as lideranças do agronegócio. A agricultura familiar comemorou a continuidade das políticas públicas, e entidades do agronegócio empresarial fizeram críticas à política fiscal. Mesmo assim, pequenos, médios e grandes produtores concordam em uma agenda: endividamento rural, custo dos insumos e juros altos. São os três fatores que mais pesam sobre a qualidade do crédito originado no campo.
Um setor dividido nas urnas, unido na pauta econômica
As reações ao resultado foram reunidas pela Globo Rural. Representantes da agricultura familiar veem a reeleição como garantia de que continuam as políticas públicas retomadas na atual gestão, depois de paralisadas nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL). Também comemoram a manutenção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
O agronegócio empresarial apoiou em peso Flávio Bolsonaro (PL) no pleito. Sob anonimato, lideranças do setor demonstraram frustração com o resultado. Elas reforçaram críticas à política fiscal do petista e alertaram para riscos à economia caso continue o que chamaram de “gastança” pública. Segundo essas lideranças, esse cenário ajuda a manter as taxas de juros em alta e afeta os negócios do campo.
O ponto em comum aparece quando a conversa sai da política e vai para o caixa do produtor. Todos concordam que o governo terá desafios imediatos e de longo prazo. Um dos mais urgentes é o custo de insumos da safra, como o óleo diesel, caso os subsídios não sejam prorrogados. O outro é encontrar uma solução para o endividamento rural.
Dívida, seguro e juros no centro das cobranças
No Sul do país, a preocupação é recuperar a capacidade produtiva depois de anos de intempéries climáticas e endividamento. Eugênio Zanetti, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), disse que o governo deve “refletir onde errou e corrigir o rumo”. Para ele, as dívidas rurais ainda são um ponto a resolver.
“Precisamos reduzir taxas de juros, ter seguro agrícola, Proagro [Programa de Garantia da Atividade Agropecuária] que funcione. Temos menos de 10% da agricultura com algum tipo de seguro, é inaceitável para um país que depende tanto da agricultura”, criticou Zanetti.
Vânia Marques é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contag). Ela afirmou que a reeleição mantém políticas como o Plano Safra da Agricultura Familiar, a formação de estoques públicos de alimentos, o programa Mais Alimentos e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para os próximos quatro anos, a dirigente defende mais orçamento federal para o segmento e a consolidação da assistência técnica e extensão rural.
Do lado das entidades patronais, o tom foi de cobrança. Em nota, Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), afirmou que “cerca de 49% da população manifestou nas urnas o desejo por mudança, exigindo responsabilidade fiscal, eficiência e segurança”. A Faesp listou como prioridades o combate aos excessos tributários, a redução dos custos financeiros, o equilíbrio fiscal e a segurança no campo.
A Aprosoja-MT, por meio do presidente Lucas Costa Beber, defendeu responsabilidade fiscal, juros menores, segurança jurídica e relações comerciais pragmáticas com China e Estados Unidos. A entidade também propôs incentivos aos biocombustíveis, como etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). “Não existe agricultura forte sem produtores economicamente saudáveis”, ressaltou Beber.
O que isso significa para o crédito do agro
As cobranças das lideranças tocam diretamente o mercado de crédito privado ligado ao agronegócio. Um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) que compra recebíveis do campo depende da capacidade de pagamento do produtor. Endividamento acumulado, custo de insumos pressionado e baixa cobertura de seguro aumentam o risco dessas carteiras.
O dado de Zanetti mostra o tamanho da exposição: menos de 10% da agricultura brasileira tem algum tipo de seguro. Na prática, uma quebra de safra por clima recai quase toda sobre o produtor e, por consequência, sobre quem financiou a produção. Para gestores e investidores, isso aumenta a importância de analisar o originador, as garantias e o tamanho da cota subordinada, que é a parcela que absorve as primeiras perdas da carteira.
A discussão fiscal pesa do mesmo jeito. As entidades ligam a política de gastos à manutenção dos juros altos, e os juros definem o custo de financiamento do produtor e a taxa exigida pelos investidores nas operações de crédito. Juros altos por mais tempo tendem a manter a remuneração dos fundos elevada, mas também aumentam a pressão sobre devedores que já estão endividados.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) também se posicionou. O presidente da entidade, Ingo Plöger, disse que o desempenho da agroindústria depende de planejamento de longo prazo e de previsibilidade para investimentos em infraestrutura, logística, financiamento e seguros. A CropLife representa a indústria de insumos e cumprimentou Lula pela reeleição. A entidade defendeu segurança jurídica, um ambiente favorável à atração de capital e o fortalecimento da capacidade de investimento dos produtores.
Perspectivas: o que monitorar
Os próximos sinais virão da pauta econômica do novo mandato. Três pontos devem ser acompanhados: a decisão sobre a prorrogação dos subsídios ao diesel, eventuais medidas para renegociar a dívida rural e o rumo da política fiscal, que influencia a trajetória dos juros.
Para o mercado de crédito do agro, uma solução para o endividamento e a ampliação do seguro rural reduziriam o risco das carteiras. Se nenhuma das duas medidas avançar, a seletividade na concessão e na compra de recebíveis do campo deve continuar alta. A CNA e a Aprosoja Brasil não comentaram o resultado.
Fontes: Globo Rural (“O que dizem as lideranças do agro sobre a reeleição de Lula”, 25/10/2026)
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








