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Com 11 milhões de clientes, Mercado Pago amplia aposta em seguros e mira venda por IA

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários
Com 11 milhões de clientes, Mercado Pago amplia aposta em seguros e mira venda por IA

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Vertical de seguros do Mercado Pago chega a 11 milhões de clientes contratantes e ganha, em julho, quatro novos produtos: renda, negócio, residencial e celular. O movimento reforça uma tese que interessa direto ao mercado de crédito e securitização: quando a distribuição financeira embarcada alcança dezenas de milhões de usuários, o relacionamento com o cliente final tende a migrar da seguradora tradicional para a plataforma.

Contexto: uma vertical que nasceu no e-commerce

A operação de seguros do Mercado Pago não começou como produto financeiro. Ela nasceu há cerca de cinco anos dentro do e-commerce do grupo Mercado Livre, vendendo garantia estendida e cobertura de eletrônicos contra roubo e dano. Só depois migrou para o aplicativo financeiro, incorporando também vida e acidentes pessoais.

Hoje a fintech opera como distribuidora, não como seguradora. As apólices são fornecidas por parceiras (Prudential, Chubb, Metlife, Assurant e Porto, esta última responsável pela assistência do produto residencial) e comercializadas por corretora própria. É um desenho que já aparece em outras frentes do grupo: em fevereiro de 2026, o Mercado Pago lançou o seguro boleto com a Prudential, cobrando R$ 4,99, segundo o InfoMoney.

A base que sustenta essa distribuição é grande. São 78 milhões de usuários ativos na América Latina, mais de 9 milhões de empreendedores e mais de 12 milhões de dispositivos de pagamento na praça. Em junho, o grupo reforçou em R$ 2 bilhões o capital da sua financeira, após aval do Banco Central, movimento que reforça a estratégia de aprofundar produtos de crédito e seguro sobre a mesma base de usuários.

O que mudou: quatro produtos novos e segmentação por perfil

Em julho, chegam quatro seguros de uma vez. O de renda tem desenho duplo: quem recebe salário via portabilidade no Mercado Pago acessa condições exclusivas, com coberturas como morte e desemprego; MEIs e PMEs que concentram ali seus recebimentos ganham a proteção como benefício vinculado ao volume transacionado.

O seguro para negócios também segmenta por perfil de operação. Comércios de endereço fixo têm cobertura de responsabilidade civil, danos elétricos, incêndio e roubo de mercadoria. Ambulantes e prestadores de serviço externos protegem os itens de trabalho, caso de ferramentas roubadas, um recorte pensado para quem não tem um endereço fixo a segurar.

Completam a leva os produtos residencial e de celular. No seguro de celular, o histórico de uso do aparelho dentro do próprio app determina automaticamente o plano adequado, entre dez opções com mensalidade a partir de R$ 3,99. É um exemplo direto de como o dado transacional da plataforma vira insumo de subscrição, algo que seguradoras tradicionais, sem esse histórico, não conseguem replicar sozinhas.

Análise: dado transacional como vantagem de subscrição, e a IA como próximo canal

Segundo Daniel Issa, diretor da área de seguros da fintech no Brasil, o atendimento de sinistro já está inteiramente automatizado. "A IA pede documentos, valida informações, direciona o cliente. O processo todo ficou muito mais fluido", disse Issa ao Valor Econômico.

O próximo passo é embutir a venda de apólices nos momentos em que o usuário já está dentro do app contratando crédito, pagando contas ou usando ferramentas de negócio. É um movimento que ecoa apostas recentes de insurtechs em distribuir seguros por assistentes de IA generativa, e que desloca o ponto de venda do corretor humano para o momento de uso do produto financeiro.

Para o setor de crédito e securitização, o dado relevante não é o seguro em si, mas o padrão: uma plataforma de pagamentos com escala de dezenas de milhões de usuários consegue subscrever risco com informação comportamental que seguradora nenhuma tem isoladamente. "Nós buscamos facilitar o acesso aos produtos de seguros, que sempre foram voltados mais para a alta renda, trazendo isso para todas as classes", explicou Issa.

Perspectivas: o que observar daqui para frente

A escala muda a posição relativa dos atores. Quando a distribuição embarcada em plataformas de pagamento alcança dezenas de milhões de usuários, seguradoras tradicionais tendem a virar fornecedoras de produto, enquanto o relacionamento com o cliente fica com a plataforma. Isso tem implicação direta para quem estrutura originação e cessão de recebíveis ligados a essas bases: o dono do dado transacional ganha poder de precificação e de distribuição que hoje pertence a corretoras e seguradoras independentes.

Vale acompanhar três frentes: a taxa de conversão da venda por assistentes de IA em comparação com os canais tradicionais, a sinistralidade dos produtos de tíquete baixo vendidos em massa, e como corretoras digitais e seguradoras independentes reagem para não perder de vez a ponta do relacionamento com o cliente final.


Fonte: Let's Money, com dados originalmente reportados por Valor Econômico e InfoMoney

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