Curso em São Paulo mostra como a área operacional define o resultado de um FIDC
Sem esteira operacional bem desenhada, nenhuma carteira de recebíveis se sustenta.

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Em 7 de outubro, profissionais de securitizadoras e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) se reúnem em São Paulo para um dia inteiro de capacitação sobre o que acontece depois que o crédito é comprado. A proposta é olhar para a rotina que define o resultado de uma carteira: precificação, controle de lastro, monitoramento e cobrança.
A indústria de FIDC e de securitização costuma receber mais atenção pelo lado da captação e da estruturação: emissões, cotas sênior e subordinada, rating e apetite dos investidores. Mas a qualidade de uma carteira de direitos creditórios se decide no dia a dia da operação. É ali que se analisa cada cedente (a empresa que vende seus recebíveis), se confere a existência do lastro (o documento que comprova o crédito cedido) e se garante que o sacado (o devedor final) pague no vencimento.
Falhas nessa esteira tendem a aparecer tarde, na forma de inadimplência acima do esperado, aumento da PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) e pressão sobre a cota subordinada, que funciona como colchão de proteção para os cotistas seniores. Por isso a profissionalização das áreas operacionais se tornou um tema cada vez mais relevante para gestoras, securitizadoras e originadores.
É nesse ponto que o Portal do Fomento posiciona o curso "Gestão dos Processos Operacionais: Operações, Crédito, Controladoria e Cobrança em Securitizadoras e FIDCs", descrito pelos organizadores como um curso operacional pós-aquisição que aborda "todo o ciclo de gestão da carteira: análise de operações recorrentes, precificação, controladoria de lastro, monitoramento, cobrança operacional e recuperação não litigiosa".
O treinamento acontece em 7 de outubro de 2026, das 9h às 18h, no Hotel Mercure Jardins (Alameda Itú, 1151, São Paulo/SP), com carga horária de 8 horas. O instrutor é Ernani Desbesel, advogado especializado em gestão de riscos em empresas de compra de recebíveis, com MBA em Gestão Estratégica de Factoring, certificação de auditor de riscos pela ISO 31000 e passagem como professor na Academia de Crédito da Serasa Experian. Ele também atua como consultor de factorings, securitizadoras e FIDCs e já ministrou mais de 15 cursos sobre o setor.
O conteúdo está dividido em seis módulos. O primeiro apresenta a grande área operacional, seus setores, o fluxograma típico das empresas do segmento e a relação "circular" entre a empresa e seus cedentes. O segundo trata do setor de Operações como centro de geração de receitas, com destaque para a figura do gestor de carteira, profissional que acumula perfis comercial, negociador, analítico e operacional. O módulo inclui ainda manutenção da carteira de cedentes, risco e controles, e precificação a partir dos custos de capital, operacional e de perdas.
O terceiro módulo aborda o crédito operacional em diferentes níveis: análise geral, crédito de segundo grau, filtros de risco e o crédito de terceiro grau, decidido em comitê, sem perder de vista a agilidade dos processos. O quarto é dedicado à controladoria de lastro, com foco nas confirmações e notificações de compra e nos meios de contato com os sacados. O quinto trata da cobrança e recuperação como "segunda fonte de receitas", incluindo o uso de inteligência artificial na identificação de cobranças e as etapas de cobrança normal, especial, pré-judicial e judicial. O sexto cobre os demais setores da área operacional.
O público-alvo inclui gestores, analistas de crédito, profissionais comerciais e equipes de estruturação e operações. O investimento é de R$ 2.480 para um curso, R$ 4.800 para dois e R$ 7.200 para três, com almoço, dois coffee breaks, apostila digital e certificado incluídos.
Para analistas do mercado, o desenho do programa reflete uma mudança de percepção no setor: a área operacional deixa de ser vista como custo e passa a ser tratada como geradora de receita. Isso fica claro em dois pontos do conteúdo. O primeiro é a precificação baseada em custo de capital, custo operacional e custo de perdas, o que obriga a operação a conhecer sua própria estrutura para definir taxas competitivas sem comprometer a margem. O segundo é a cobrança tratada como fonte de receita, e não apenas como recuperação de prejuízo.
A controladoria de lastro também merece atenção. Em estruturas de FIDC, a confirmação da existência e da validade do recebível é uma das principais defesas contra fraudes, como duplicatas frias, e contra a cessão do mesmo título a mais de um comprador. A proposta dos organizadores é focar em "aplicabilidade imediata no cotidiano das empresas Securitizadoras e FIDCs", o que indica um conteúdo mais prático do que teórico.
Com a indústria de FIDC mais madura e competitiva, a eficiência operacional tende a pesar cada vez mais na diferenciação entre gestoras e securitizadoras. Carteiras maiores e mais pulverizadas exigem processos padronizados, comitês de crédito bem estruturados e controles de lastro capazes de acompanhar o volume.
A presença de temas como inteligência artificial aplicada à cobrança sinaliza que a próxima etapa passa pela automação de rotinas hoje manuais. Para gestores e investidores, vale acompanhar como essas práticas chegam às operações, já que refletem diretamente na qualidade dos ativos e na proteção das cotas.
AS VAGAS SÃO LIMITADAS PARA PROPORCIONAR A PARTICIPAÇÃO DE TODOS
Para inscrições e maiores informações: Contate por WhatsApp (51) 99121-3745 com Anelise Desbesel.
Fonte: Portal do Fomento
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