Iphone dobrável estreia após dez anos de desenvolvimento e preço acima de US$ 2 mil
Depois de uma década de desenvolvimento e quatro obstáculos técnicos considerados quase intransponíveis, a Apple finalmente coloca no mercado seu primeiro smartphone dobrável, com preço que pode ultrapassar US$ 3 mil.

A Apple apresentou nesta quarta-feira (9) o primeiro iPhone dobrável de sua história, um projeto que levou cerca de dez anos para sair do papel e que chega ao mercado com preço inicial estimado entre US$ 1.999 e US$ 2.199, podendo passar de US$ 3 mil nas versões com maior armazenamento. Para o investidor que acompanha o setor de tecnologia e seus desdobramentos em crédito e mercado de capitais, o lançamento marca a maior mudança de design do produto em quase 20 anos e testa a disposição do consumidor a pagar valores próximos aos de um notebook por um smartphone.
Contexto e cenário
A ideia de um iPhone dobrável não é nova. Segundo reportagem da InvestNews, equipes da Apple já estudavam telas flexíveis e formatos dobráveis antes de 2019, ano em que a Samsung lançou o Galaxy Fold e se tornou pioneira comercial da categoria. O movimento decisivo, porém, veio por volta de 2020, quando Tim Cook retornou de uma viagem à Ásia convencido de que a empresa precisava de um produto dobrável próprio, depois de observar de perto o avanço de rivais como Samsung e Huawei na região.
O mercado de smartphones dobráveis segue pequeno diante do total de aparelhos vendidos no mundo (mais de 1 bilhão de unidades ao ano), mas cresce em ritmo bem mais acelerado que o restante do setor. Segundo dados da consultoria IDC, enquanto as remessas globais de smartphones devem recuar 16,7% neste ano, os dobráveis avançam 12,6%, com previsão de chegar a 22,9 milhões de unidades em 2026, um crescimento de 13% sobre o ano anterior. Hoje, a chinesa Huawei domina cerca de 68% desse mercado na China, o que ajuda a explicar a pressa da Apple em ocupar espaço no segmento.
O que mudou e qual é o fato central
Internamente, a Apple precisou resolver quatro desafios técnicos antes de considerar o produto pronto para venda: reduzir a marca de dobra visível na tela, aumentar a confiabilidade da dobradiça, desenvolver um vidro flexível personalizado (em parceria com a fabricante Corning) e reposicionar componentes de câmera para liberar mais área útil de exibição. A solução final combina uma dobradiça de titânio e alumínio com um vidro especial, resultando em um vinco descrito como consideravelmente menos visível que o dos concorrentes.
O aparelho, batizado internamente de V68, terá tela interna de aproximadamente 7,8 polegadas (com proporções próximas às do Magic Trackpad da Apple quando aberto) e tela externa de 5,5 polegadas, além de dimensões equivalentes a um passaporte quando fechado. O sistema operacional iOS foi adaptado para lidar com os diferentes tamanhos de tela e os aplicativos foram otimizados para aproveitar a área adicional. O lançamento também simboliza uma transição de liderança na Apple: John Ternus, que assumiu como novo CEO em 1º de setembro, é quem apresenta o produto ao mercado, enquanto Tim Cook, principal defensor interno do projeto, passa a ocupar a presidência do conselho.
Para conter a resistência dos consumidores ao preço elevado, a Apple deve reforçar o programa Apple Upgrade (modelo semelhante a um leasing), além de promoções agressivas de troca de aparelhos usados e planos de parcelamento mais longos.
Análise e o que dizem os especialistas
Para o mercado financeiro, a expectativa de vendas é moderada no curto prazo: analistas de Wall Street projetam entre 7 milhões e 10 milhões de unidades vendidas neste primeiro ano, enquanto a IDC eleva a projeção para mais de 17 milhões de unidades embarcadas até 2027. "Apesar do preço elevado, o iPhone dobrável será extremamente bem-sucedido", avalia Nabila Popal, analista da IDC, que compara o potencial do produto ao de um item de luxo asiático, chegando a chamá-lo de "o Birkin dos smartphones" na China, referência à bolsa de grife usada como símbolo de exclusividade e valorização.
As ações da Apple (AAPL) reagiram com cautela ao noticiário que antecedeu o lançamento, sendo negociadas cerca de 5% abaixo da máxima histórica recente, algo que reflete tanto a incerteza sobre a demanda inicial quanto o temor de gargalos na cadeia de suprimentos em um produto tecnicamente mais complexo de fabricar.
Perspectivas e o que vem a seguir
O sucesso comercial do iPhone dobrável deve depender de dois fatores que o mercado acompanhará de perto nos próximos trimestres: a capacidade da Apple de ampliar a produção sem repetir os problemas de fornecimento já enfrentados por rivais e a resposta do consumidor asiático, região onde a concorrência de Huawei e Samsung já está mais amadurecida. Para gestores e analistas que monitoram cadeias de crédito ligadas ao setor de tecnologia, componentes eletrônicos e varejo, o desempenho de vendas do novo iPhone nos primeiros meses deve funcionar como termômetro para o apetite global por dispositivos premium em um cenário de custos crescentes de memória e componentes, fator que também pressiona margens ao longo de toda a cadeia produtiva.
Fontes: InvestNews
FIDC NEWS
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