75,7% das pendências empresariais estão fora dos bancos e podem virar ativos de investimento
Com quase 51 milhões de registros fora dessas instituições, o mercado de NPL encontra oportunidades de expansão na aquisição de créditos comerciais vencidos.

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Foto: Divulgação (Gueratto)
Três em cada quatro pendências empresariais negativadas no Brasil estão fora das categorias de bancos, cartões e financeiras, revelando uma dimensão da inadimplência que vai além do sistema bancário tradicional e abre uma nova frente de oportunidades para o mercado de créditos não performados (NPL). Em julho de 2026, 75,7% dos 67,2 milhões de registros de inadimplência empresarial, o equivalente a aproximadamente 50,9 milhões de pendências, estavam associados a outras categorias de credores.
O setor de serviços respondeu sozinho por 31,7% dos registros, participação superior aos 19,7% de bancos e cartões. Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, especializado em crédito estruturado e na aquisição e monetização de ativos inadimplidos, essa distribuição evidencia um mercado que ainda tem espaço para ampliar sua atuação. “A inadimplência empresarial não começa nem termina nos bancos. Quando uma empresa deixa de pagar um fornecedor ou prestador de serviços, ela também compromete o fluxo de caixa de outro negócio. Esses créditos podem ser negociados com investidores especializados, permitindo que o credor antecipe parte dos recursos e transfira o risco de recuperação”, explica.
A expansão desse mercado encontra respaldo nas projeções para a negociação de carteiras inadimplidas. Segundo pesquisa de 2025/2026, o volume de NPL cedido pelas empresas participantes deve avançar 73% em 2026, passando de R$ 30,2 bilhões em 2025 para R$ 52,3 bilhões. Entre os compradores entrevistados, 77% pretendem aumentar os investimentos em créditos problemáticos nos próximos dois anos, enquanto segmentos como serviços e utilities aparecem entre aqueles com perspectiva de maior participação nas operações de cessão.
A movimentação amplia as possibilidades para empresas que acumulam recebíveis vencidos e buscam recuperar parte desses valores sem depender exclusivamente de processos próprios de cobrança. Por meio de operações estruturadas e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), investidores especializados podem adquirir carteiras com desconto sobre seu valor de face, assumindo os custos, os prazos e os riscos associados à recuperação.
O avanço desse mercado ocorre em um cenário de juros ainda elevados, restrições ao crédito e maior pressão sobre o capital de giro das empresas, fatores que tornam a recuperação de valores vencidos especialmente relevante para a preservação da liquidez. Ao mesmo tempo, a ampliação da participação de credores não bancários exige estruturas capazes de avaliar carteiras heterogêneas e definir preços compatíveis com o risco de cada operação.
“O tamanho da inadimplência mostra a dimensão das oportunidades, mas não significa que todas essas dívidas sejam investimentos viáveis. Para adquirir um crédito, precisamos entender sua origem, a documentação disponível, as condições do devedor e as possibilidades reais de recuperação. É essa análise que determina quanto vale uma carteira e se a operação faz sentido para o investidor e para a empresa que precisa de liquidez”, conclui Richard Ionescu.
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