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Internacional

BofA gasta US$ 250 milhões por ano com GLP-1 e CEO cita "grande impacto"

O Bank of America, com US$ 436 bilhões em ativos, revelou que destina US$ 250 milhões anuais à cobertura de medicamentos GLP-1 para seus funcionários, valor inserido dentro de um pacote total de saúde corporativa de US$ 2 bilhões por ano. Para o CEO Brian Moynihan, o retorno em bem-estar e redução de problemas cardíacos justifica o investimento, mesmo em um momento em que outras grandes empresas americanas recuam da cobertura desse tipo de tratamento.

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Contexto: a explosão dos GLP-1 no ambiente corporativo


Os medicamentos da classe GLP-1, entre eles Ozempic, Wegovy e Zepbound, foram desenvolvidos originalmente para controlar os níveis de açúcar no sangue de pacientes com diabetes tipo 2. Nos últimos anos, no entanto, o uso para emagrecimento se popularizou de forma acelerada e transformou essas substâncias em um dos benefícios corporativos mais disputados nos Estados Unidos.

O avanço é numérico e recente. Hoje, 11% dos adultos americanos já utilizam GLP-1 para perda de peso, ante apenas 3% há dois anos. O preço também caiu de forma expressiva: o Wegovy, que custava US$ 1.600 por mês em 2021, hoje é vendido a partir de US$ 149 mensais, podendo chegar a US$ 25 por mês em canais como o Amazon One Medical. Essa combinação de queda de preço e alta demanda pressiona diretamente o orçamento de saúde das empresas.

Do lado da oferta de benefícios, o cenário é misto. Cerca de 60% dos empregadores americanos ainda cobrem GLP-1 apenas para diabetes, enquanto aproximadamente 36% estendem a cobertura também para perda de peso. Ao mesmo tempo, mais de 25% das grandes corporações planejam endurecer os critérios de elegibilidade em 2026 e 2027, e cerca de 11% dos grandes empregadores já decidiram eliminar totalmente a cobertura para emagrecimento.


O que mudou: BofA mantém e amplia investimento na contramão do mercado


Enquanto companhias como PwC, Cigna e HCA Healthcare cortaram ou restringiram a cobertura de GLP-1 para perda de peso (a PwC descontinuou a cobertura exclusiva para emagrecimento em 2026, a Cigna parou de cobrir o benefício para esse fim em julho e a HCA Healthcare fez o mesmo em janeiro), o Bank of America optou pelo caminho oposto e sustentou o investimento em US$ 250 milhões por ano.

Segundo Moynihan, o benefício vai além do controle de peso. "O que vemos é um grande impacto nos colaboradores", afirmou o executivo, destacando que o banco "sempre" se preocupou "com o bem-estar mental e físico" de seus times. O CEO também relacionou o uso do medicamento a ganhos clínicos mais amplos, afirmando que a cobertura "está reduzindo a incidência de problemas cardíacos" entre os funcionários.

O dado de mercado que sustenta a decisão do BofA é comportamental: pesquisas indicam que cerca de 30% dos trabalhadores americanos considerariam trocar de emprego em busca de um empregador que ofereça cobertura para GLP-1. Em um mercado de trabalho competitivo, sobretudo no setor financeiro, o benefício se transforma em ferramenta de atração e retenção de talentos, o que ajuda a justificar, do ponto de vista do banco, o tamanho do desembolso.


Análise: custo de saúde como variável estratégica de gestão corporativa


Para analistas de mercado, o movimento do Bank of America ilustra uma mudança de mentalidade na forma como grandes corporações tratam despesas com saúde: de linha de custo a ser minimizada para investimento com retorno projetado em produtividade, engajamento e redução de sinistralidade de longo prazo. "A decisão de manter e até ampliar esse tipo de benefício, mesmo com o custo crescente, mostra que o banco está tratando saúde como parte da estratégia de capital humano, e não apenas como despesa operacional", avaliam analistas do setor.

Essa leitura ganha peso quando se observa o contrapeso do restante do mercado. O fato de PwC, Cigna e HCA Healthcare terem recuado da cobertura para emagrecimento no mesmo período em que o BofA reforça o investimento sugere que grandes empregadores estão fazendo apostas distintas sobre o equilíbrio entre custo imediato e benefício de retenção no médio prazo. A queda de preço dos medicamentos, de US$ 1.600 para US$ 149 mensais em cinco anos, também é um fator que pode inclinar essa balança para mais empresas no futuro, tornando o benefício mais barato de escalar.


Perspectivas: o que monitorar daqui para frente


O caso do Bank of America deve ser observado como um teste de mercado sobre a sustentabilidade financeira da cobertura de GLP-1 em larga escala. Com a fatia de adultos americanos usando o medicamento para perda de peso quase quadruplicando em dois anos (de 3% para 11%), e com mais de um quarto das grandes corporações sinalizando endurecimento de critérios para 2026 e 2027, o setor caminha para uma divisão clara entre empresas que expandem o benefício como diferencial competitivo e empresas que o restringem para conter custos.

Para o mercado financeiro, o desdobramento mais relevante a acompanhar é se a trajetória de queda de preços dos medicamentos, somada à evidência clínica citada por Moynihan de redução de problemas cardíacos, será suficiente para conter o crescimento da despesa total com saúde nas grandes corporações americanas, ou se o desembolso de US$ 250 milhões anuais do BofA é apenas o início de uma escalada de custos que outras companhias do setor financeiro também terão de enfrentar.


Fontes: InfoMoney (matéria original, com base em reportagem da Fortune, assinada por Emma Burleigh)

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