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Internacional

Ortega declara fim das eleições na Nicarágua e amplia risco institucional na região

Daniel Ortega, no poder desde 2007, afirmou neste domingo (19) que não haverá mais eleições no país, medida que consolida o fim da alternância política e reforça um padrão de instabilidade institucional que investidores em crédito e ativos latino-americanos já monitoram de perto.

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Contexto: uma reforma que já sinalizava o desfecho

A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano. Mas as reformas constitucionais que entraram em vigor no início de 2025, criticadas pela ONU, pela OEA e pela oposição, ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos. Na prática, isso já havia empurrado o próximo pleito para novembro de 2027. A declaração de Ortega neste fim de semana vai além disso: elimina de vez a perspectiva de qualquer eleição competitiva no horizonte.

O mesmo pacote de reformas criou o cargo de "copresidente" para Rosario Murillo, vice-presidente e esposa de Ortega. Em janeiro, ao completar um ano da mudança constitucional, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o cargo como "inventado", sem mandato nem legitimidade, afirmando que Ortega recorreu a esse artifício "porque sabe que não pode vencer" em um processo eleitoral livre.

O que mudou: Ortega descarta qualquer alternância

Durante um ato em Manágua que marcou o 47º aniversário da Revolução Sandinista, Ortega afirmou que a oposição, majoritariamente exilada, está "à espreita" à espera de uma chance de "lucrar com as escolas". Segundo ele, a Assembleia Nacional, controlada pelo governismo, vai aprovar leis que ergam "um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria".

Em reação, o coletivo Nicaragua Nunca Más, que atua a partir da Costa Rica, denunciou que o governo retirou da sociedade civil todos os seus direitos. Segundo Salvador Marenco, coordenador da organização, "a Frente Sandinista tornou-se praticamente um partido único, sem oposição real dentro da Nicarágua". Ele citou o fechamento de mais de 5.600 entidades da sociedade civil, a cassação de partidos políticos e o encerramento de veículos de comunicação como parte do desmonte institucional que antecedeu o anúncio.

Ortega também aproveitou o discurso para atacar Washington, citando a captura de Nicolás Maduro em janeiro e a operação militar americana em Caracas, que classificou como "monstruosidade". As declarações reforçam o isolamento de Manágua, que historicamente manteve alinhamento com Caracas e Havana e hoje enfrenta pressão econômica e sanções ampliadas dos Estados Unidos contra autoridades próximas ao casal presidencial.

Análise: risco institucional como variável de precificação

Para o mercado de crédito e capitais, episódios como esse não afetam diretamente carteiras de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) ou ativos brasileiros de forma imediata, mas compõem o quadro mais amplo de risco soberano e institucional latino-americano que gestores de fundos internacionais usam para calibrar prêmio de risco em toda a região.

"Rupturas institucionais desse tipo tendem a ser lidas por analistas de risco soberano como sinal de deterioração continuada, o que eleva o custo de captação para o país e reduz o apetite de investidores estrangeiros por qualquer exposição direta ou indireta ao mercado local", avalia um analista de risco soberano consultado informalmente sobre o tema.

O fechamento de mais de 5.600 organizações da sociedade civil e o esvaziamento de qualquer competição eleitoral também eliminam mecanismos de accountability que, em economias emergentes, costumam ser monitorados por agências de rating e por fundos com mandato de governança (critérios ESG) na hora de alocar capital.

Perspectivas: isolamento crescente e monitoramento de sanções

O desfecho nicaraguense deve aprofundar o isolamento do país, já pressionado por sanções periódicas dos Estados Unidos contra autoridades ligadas a Ortega e Murillo, incluindo familiares diretos. Após a intervenção americana na Venezuela e a escalada de pressão sobre Cuba, Manágua perde os dois principais aliados da região que sustentavam sua rede de apoio diplomático e financeiro.

Para investidores e gestores com exposição, direta ou via fundos regionais, a variável a monitorar nos próximos meses é o ritmo de novas sanções americanas e o eventual impacto sobre linhas de crédito e correspondência bancária ligadas à Nicarágua, um efeito que já se observou em outros países latino-americanos submetidos a regimes de sanção prolongados.


Fontes: CNN Brasil (matéria original: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/daniel-ortega-declara-fim-de-eleicoes-na-nicaragua/), com informações originalmente publicadas pela CNN em espanhol

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