Flowinvest prepara FIDC de R$ 100 milhões para catálogos musicais
Gestora especializada em crédito estrutura fundo para transformar royalties musicais em ativo financeiro.

A Flowinvest está estruturando um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC, veículo que compra recebíveis e os transforma em cotas negociáveis) de R$ 100 milhões voltado à aquisição de catálogos musicais dos segmentos sertanejo e gospel, com lançamento previsto para o final de 2026.
Um mercado em expansão
O mercado fonográfico brasileiro faturou R$ 3,96 bilhões em 2025, alta de 14,1% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Pró-Música Brasil, entidade que reúne as principais gravadoras e produtoras do país. Com esse resultado, o Brasil se tornou o 8º maior mercado fonográfico do mundo em 2025, de acordo com o ranking da IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), organização que representa o setor globalmente.
É nesse cenário de crescimento consistente das receitas digitais que a Flowinvest, gestora especializada em originação e gestão de crédito, decidiu montar uma estrutura para transformar royalties musicais em uma nova classe de ativos para o mercado de capitais brasileiro.
O fato central: um FIDC para monetizar catálogos
A proposta do fundo é comprar participações em catálogos musicais e monetizar os fluxos futuros gerados por plataformas de streaming como Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e TikTok, entre outras. A estrutura converte um fluxo de receita recorrente, mas pulverizado, em um ativo com lastro definido, o mesmo racional por trás de outras operações de securitização de recebíveis no país.
Segundo Marcos Carlesse, Head de Entretenimento na Flowinvest, a expectativa é lançar o veículo até o fim deste ano, inicialmente com uma combinação de capital próprio da gestora e aporte de um parceiro estratégico, podendo ser aberto à captação em uma etapa posterior.
O fundo nasce com foco em sertanejo e gospel, os dois gêneros mais ouvidos no Brasil segundo pesquisa Globo/Quaest, mas a Flowinvest já negocia com representantes de outros segmentos, incluindo música urbana e cristã, para ampliar o escopo de aquisições.
A gestora não chega ao setor de entretenimento como novata. Ela já tem um case de estruturação com a empresa 30e, viabilizando pagamentos de cachês com lastro em receitas futuras de bilheteria, experiência que embasa o movimento de fortalecer uma vertical dedicada ao setor dentro de casa, segundo Carlesse.
No segmento gospel, a Flowinvest já tem aquisições em andamento e trabalha para validar os produtos e disponibilizá-los até o início do próximo ano, buscando em paralelo um parceiro do segmento para contribuir na originação.
Já na frente sertaneja, a estruturação conta com a parceria do jornalista e empresário André Piunti, à frente da Piunti Records. Piunti ficará responsável pela prospecção, negociação e relacionamento com artistas, compositores e titulares de direitos, enquanto a Flowinvest cuida da estruturação financeira, análise de risco e viabilização dos investimentos. Piunti é criador do blog Universo Sertanejo, fundado em 2007, e também assina roteiros de programas sobre o gênero na TV Globo, credenciais que dão à gestora acesso a uma rede consolidada de relacionamento no meio.
Carlesse, que atua na indústria musical há mais de 20 anos, já trabalhou com nomes como Hugo Pena & Gabriel, Conrado & Aleksandro, Bruno & Barretto, Loubet e Bruna Viola, trajetória que também alimenta a tese de originação do fundo.
Análise: uma vertical de entretenimento além da música
Ao lado do CEO da Flowinvest, Luis Henrique Wolf, Carlesse afirma ter avaliado quais seriam os melhores ativos, produtos e soluções para a área de entretenimento, incluindo entretenimento esportivo e aquisição de catálogos em diferentes gêneros musicais.
"Acredito que, certamente, muito em breve teremos um case muito bacana com este fundo para a música sertaneja", afirmou Carlesse, sinalizando que a gestora enxerga o FIDC fonográfico como ponto de partida para uma frente mais ampla de estruturação de crédito para o entretenimento, e não como um produto isolado.
Essa leitura já aparece em outro produto que a Flowinvest mantém ativo: a antecipação de shows e a compra de agenda de artistas. "Basicamente, é uma vertical com a qual queremos atender toda a área de entretenimento", disse o executivo.
Perspectivas: parcerias para mitigar risco
A gestora também está em conversas com a Tiqueteira, plataforma de venda de ingressos, que deve integrar essa vertical de entretenimento e ajudar a Flowinvest a mitigar riscos nas operações de antecipação de shows, além de atender produtores já ligados à gestora por outras operações financeiras dentro do fundo.
Para o mercado de FIDCs, a movimentação da Flowinvest é mais um sinal de que a securitização de recebíveis segue avançando sobre ativos intangíveis e pouco tradicionais, ampliando o leque de lastros disponíveis para gestoras e investidores institucionais. O desenrolar dessa estruturação, a definição do parceiro gospel e a consolidação da parceria com a Piunti Records no sertanejo são pontos que devem seguir no radar do mercado nos próximos meses, assim como o formato final de captação do fundo, hoje ainda em desenho.
Fontes: Capital Aberto (04/09/2026), com dados de Pró-Música Brasil e IFPI citados na matéria original
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
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