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Fidcs & FundosCrédito privado

FIDCs captam R$ 56 bilhões no ano e só ficam atrás da renda fixa, aponta Anbima

Com patrimônio de R$ 819 bilhões, os FIDCs se firmam como o segundo destino do dinheiro novo na indústria de fundos em 2026.

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários

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A indústria de fundos captou R$ 251,7 bilhões líquidos de janeiro a setembro, 61% a mais que no mesmo período de 2025. Desse total, três de cada quatro reais foram para a renda fixa e para os FIDCs. Isso mostra que o investidor ainda prefere o crédito a se expor a ativos de risco.

Um ano de captação forte, puxada pelo crédito

Os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que 2026 já tem o segundo melhor resultado de captação dos últimos cinco anos. Só fica atrás dos R$ 305 bilhões registrados em 2024. O dinheiro, porém, não se espalhou de forma igual entre as classes.

Os fundos de renda fixa lideraram com R$ 136 bilhões em captação líquida. Em segundo lugar vieram os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com R$ 56 bilhões. Isso é cerca de 22% de todo o dinheiro novo que entrou na indústria no ano. Logo depois aparecem os FIPs (Fundos de Investimento em Participações), com R$ 39,1 bilhões, e os Fiagros, com R$ 9,9 bilhões.

As classes mais expostas a risco tiveram saídas. Os fundos de ações perderam R$ 10,9 bilhões em resgates líquidos e os multimercados, R$ 9,3 bilhões. Os fundos de previdência tiveram a maior saída, de R$ 12,4 bilhões. A reportagem do InfoMoney atribui esse resultado às mudanças do governo na tributação dos fundos exclusivos e ao IOF sobre aportes mensais.

O fato central: FIDCs chegam a R$ 819 bilhões e crescem no varejo

Os FIDCs fecharam setembro com R$ 819 bilhões de patrimônio líquido e 4.270 fundos em operação. São 342 veículos a mais que em dezembro, alta de 8,7% no número de fundos em nove meses. Em outras palavras, a classe cresce em volume e também em número de estruturas, com mais originadores, cedentes e gestores usando a cessão de crédito como forma de captar.

O dado que mais chama atenção é o do varejo. O patrimônio dos FIDCs voltados ao investidor pessoa física chegou a R$ 5,1 bilhões em setembro, quase o dobro dos R$ 2,7 bilhões do fim de 2025. A abertura ao varejo, permitida pela Resolução CVM 175, começa a ganhar escala. O ponto de partida ainda é pequeno perto do estoque total da classe.

“É um ritmo expressivo de crescimento”, afirmou Julya Wallisch, diretora da Anbima, sobre o avanço dos FIDCs entre os investidores de varejo.

Nova classificação da Anbima deve ir a audiência pública em outubro

Com o crescimento da classe, a Anbima preparou uma proposta de nova classificação para os FIDCs, que deve ir a audiência pública ainda neste mês. Hoje existem quatro categorias, e a maior parte dos fundos fica em “outros”. Isso dificulta a comparação entre carteiras com perfis de risco muito diferentes.

A proposta agrupa os fundos pelo tipo de crédito que compram, como consignado ou imobiliário. Também passa a exigir informações como o perfil do devedor, a concentração da carteira, o índice de subordinação e a classificação de risco. As regras valeriam para os FIDCs novos a partir de janeiro do ano que vem. Os fundos em operação teriam dois prazos de adaptação: metade do estoque até abril e o restante até junho.

Para gestores e administradores, a mudança tem efeito prático. A subordinação, ou seja, quanto das cotas subordinadas protege a cota sênior, e a concentração por cedente ou sacado passam a ficar visíveis na prateleira. Isso tende a facilitar a análise do alocador. Também deve pressionar estruturas menos transparentes a melhorar a divulgação de informações.

Análise: o crédito segue como porto seguro

O desempenho ajuda a explicar a preferência pelo crédito. Os fundos de renda fixa de duração alta renderam 10,5% no ano, empatados com o CDI. A média da categoria de renda fixa ficou em 8,7% e a de crédito livre, em 8,3%. Os multimercados renderam 7,0% na média, com os livres em 8,2% e os de investimento no exterior em 4,4%.

Para Pedro Rudge, diretor da Anbima, essa preferência só deve mudar com um ambiente macroeconômico mais previsível e com a percepção de que os juros vão cair. “Se caminharmos para isso”, disse, “a expectativa é de retorno para ativos de maior risco”.

Para os FIDCs, a leitura tem dois lados. Com a Selic em patamar elevado, o crédito estruturado continua competitivo, tanto pelo retorno quanto pela proteção dada pela subordinação. Já um ciclo de queda de juros pode tirar parte do fluxo da renda fixa tradicional. A atratividade relativa dos FIDCs, porém, depende menos do nível da taxa e mais do spread de crédito que cada estrutura entrega.

Perspectivas: o que monitorar

No curto prazo, o mercado deve acompanhar três pontos. O primeiro é o texto final da nova classificação da Anbima e o resultado da audiência pública. O segundo é se o varejo mantém o ritmo de crescimento até o fim do ano. O terceiro é como a captação reage aos sinais de política monetária nos próximos meses.

Com R$ 819 bilhões em patrimônio e regras de transparência mais rígidas a caminho, os FIDCs entram em 2027 mais visíveis e mais comparáveis. Isso deve ajudar a separar as estruturas bem montadas das que dependem apenas do apetite do mercado.


Fontes: InfoMoney, “Renda fixa e FIDCs lideram aplicações de fundos no ano”, de Ângelo Pavini, publicada em 07/10/2026

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