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Wall Street projeta dólar a R$ 4,50 e Ibovespa a 250 mil; o que muda para os FIDCs

Bancos globais apostam em nova onda de valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno, e a curva de juros é o ponto que mais interessa a quem opera crédito estruturado.

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Citi, JPMorgan e Morgan Stanley elevaram suas apostas em ativos brasileiros depois do primeiro turno das eleições. As projeções incluem real mais forte, bolsa perto de 250 mil pontos e queda relevante nas taxas futuras. Para o mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), o ponto central não é o câmbio nem o índice de ações. É a possibilidade de uma curva de juros mais baixa, que muda o custo de captação, o apetite por crédito privado e a precificação das cotas.

O cenário pós-primeiro turno

O primeiro turno, realizado em 5 de outubro, terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT). O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Além do resultado presidencial, os bancos destacam a nova composição do Congresso, deslocada para a centro-direita e a direita. Na leitura dessas instituições, isso aumenta a chance de consolidação fiscal.

A reação do mercado foi descrita como excepcionalmente forte. Na data da publicação original, 7 de outubro, o dólar era negociado na casa de R$ 4,98, e o Ibovespa operava em torno de 205,8 mil pontos.

Os bancos lembram, porém, que as projeções dependem de duas condições: o resultado do segundo turno e a credibilidade do plano fiscal do próximo governo.

O que projetam os bancos

O Citi aumentou a exposição ao Brasil. A analista Alice Zheng comprou futuros do Ibovespa a 208.990 pontos, com meta de 250 mil e nível de vigilância em 190 mil. O banco também comprou NTN-F (título público prefixado com pagamento de cupom) com vencimento em 2031, a 12,90% ao ano, mirando 12,25%. A posição não tem proteção cambial. O precedente usado é 2018, quando a bolsa subiu logo após o primeiro turno e manteve a tendência até o segundo. “Em nossa opinião, é melhor aproveitar o movimento logo no início do que mais tarde”, afirma Zheng.

O JPMorgan estima que o múltiplo preço/lucro do Ibovespa para 12 meses possa subir de 8,9 vezes para cerca de 10,9 vezes, uma expansão de 20% a 25%. Para o câmbio, espera que o dólar teste R$ 5,00 e vê R$ 4,80 como possível nas próximas semanas. Na curva de DI (Depósito Interfinanceiro, referência para os juros futuros), o banco aposta que a taxa para janeiro de 2037 caia para 13,00%, ante 14,16% antes do primeiro turno.

O Morgan Stanley espera que o Ibovespa se aproxime de 250 mil pontos no curto prazo, caso as probabilidades de mudança de política se mantenham. Antes da eleição, a referência era 192 mil. Para o dólar, o banco vê primeiro um suporte perto de R$ 4,90 e depois R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027. Nos contratos de DI a partir de janeiro de 2029, a projeção é de queda inicial de 100 a 150 pontos-base. A taxa final do ciclo cairia de cerca de 13,50% para 11,00%.

Por que a curva de juros importa para os FIDCs

Juros futuros mais baixos têm efeito direto na indústria de FIDC, por três caminhos.

O primeiro é o custo de captação. Originadores e cedentes que financiam a carteira via FIDC tendem a pagar menos pelo funding quando a curva cai. Isso melhora a margem das operações de antecipação de recebíveis, crédito consignado, agronegócio e duplicatas.

O segundo é a precificação das cotas. Cotas sênior e mezanino com remuneração prefixada ganham valor de mercado quando as taxas recuam. Já os fundos indexados ao CDI veem o retorno nominal diminuir ao longo do tempo. Isso exige atenção do investidor na comparação com outros ativos de renda fixa.

O terceiro é a qualidade do crédito. Um ambiente de juros menores e câmbio mais estável tende a aliviar a capacidade de pagamento dos sacados e reduzir pressões sobre a PDD (provisão para devedores duvidosos). O efeito, no entanto, costuma aparecer com defasagem.

Os próprios bancos condicionam o cenário à disciplina fiscal. “Para atingir esses níveis, é preciso apresentar aos mercados um plano fiscal mais credível”, afirmam Ioana Zamfir e Sofía Palacios, do Morgan Stanley. O JPMorgan também liga o potencial de valorização a sinais de política fiscal, governança econômica e marco institucional.

Riscos e o que monitorar

As instituições listam riscos que podem interromper o movimento: um episódio global de aversão ao risco, a vitória de Lula no segundo turno e uma venda global de títulos longos. O Morgan Stanley acrescenta que a sazonalidade de fim de ano pode frear a valorização do real.

Para gestores e investidores de FIDC, o calendário é claro. Até 25 de outubro, a volatilidade tende a seguir alta na curva de juros, o que afeta a marcação a mercado de cotas prefixadas. Depois do segundo turno, a atenção se volta para o programa fiscal e o nome da equipe econômica. Uma queda de 100 a 150 pontos-base nos DI longos, como projeta o Morgan Stanley, mudaria a conta de custo de captação de boa parte da indústria.

Os analistas Ana Madeira e Thiago Machado, do Morgan Stanley, resumem a tese: “A implementação fiscal será gradual, mas a valorização dos ativos brasileiros não precisa ser”. As operações descritas pelos bancos não garantem resultados.


Fontes: Bloomberg Línea Brasil, “Dólar a R$ 4,50 e bolsa em 250 mil pontos? As previsões de Wall Street após o 1º turno” (7/10/2026)

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