Varejo é a atividade com maior número de empresas analisadas por FIDCs, aponta levantamento
Estudo identifica 640 varejistas entre os CNPJs observados e mostra presença do crédito estruturado em empresas maduras e sem sinais de restrição.

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O comércio varejista é a atividade econômica individual com o maior número de empresas analisadas por FIDCs nos nove primeiros meses de 2026. Levantamento da Assertiva, empresa de data & analytics, identificou 640 varejistas entre os CNPJs observados, à frente do comércio atacadista, com 347, e de confecção e vestuário, com 328.
Os dados fazem parte da primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, que analisou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 empresas distintas. Quando considerados os grandes agrupamentos econômicos, Indústria, Construção e Logística representam 51,1% da amostra. A liderança do varejo, portanto, ocorre entre as atividades econômicas analisadas individualmente.
“O número absoluto mostra que o varejo tem uma presença relevante entre as empresas que chegam à análise dos fundos. Ao mesmo tempo, é preciso considerar que estamos falando de uma atividade com enorme capilaridade no país. Por isso, o Radar combina diferentes indicadores para entender não apenas onde há mais empresas analisadas, mas também quais setores aparecem com maior intensidade em relação ao tamanho de sua própria base”, afirma Hederson Albertini, CEO da Assertiva.
No varejo, a necessidade de financiamento está diretamente ligada ao ciclo operacional. A empresa compra mercadorias, forma estoques e paga fornecedores antes de concluir a venda e, em muitos casos, ainda precisa esperar o recebimento de transações parceladas.
Para Eduardo Sgobbi, CEO do Edan Finance Group, essa característica ajuda a explicar por que o setor aparece com destaque nas análises dos FIDCs. “O varejista coloca dinheiro na operação antes de receber pela venda. Compra estoque, paga fornecedores e sustenta despesas enquanto parte das receitas ainda está para entrar. O crédito estruturado pode ajudar justamente a financiar esse intervalo, transformando recebíveis futuros em recursos para manter o ciclo da operação”, afirma.
Essa necessidade de administrar o intervalo entre desembolsos e recebimentos tende a ganhar importância adicional com a implementação do split payment na reforma tributária. O mecanismo prevê a segregação de IBS e CBS na liquidação financeira das transações, alterando a forma como parte dos recursos das vendas transita pelo caixa das empresas.
Na avaliação de Sgobbi, a mudança pode tornar o planejamento da liquidez ainda mais relevante para setores que já dependem intensamente de capital de giro. “O split payment não significa necessariamente pagar mais imposto, mas muda a dinâmica financeira da operação. Para o varejo, que precisa financiar estoque, fornecedores e prazos de recebimento, ter clareza sobre o caixa efetivamente disponível passa a ser ainda mais importante. Isso pode ampliar a necessidade de antecipação de recebíveis e de outras estruturas de crédito para financiar o ciclo do negócio.”
A possível ampliação dessa demanda é um efeito que ainda não foi medido pelo levantamento da Assertiva, mas uma consequência que o mercado começa a avaliar diante da mudança no fluxo financeiro das empresas. Para os FIDCs, o novo modelo também tende a exigir maior precisão na análise dos recebíveis e na projeção do caixa disponível para o tomador.
Enquanto o varejo se destaca em quantidade absoluta, os segmentos industriais ganham força proporcionalmente. A indústria de bebidas registra 816,8 empresas analisadas para cada 100 mil existentes no segmento, seguida por máquinas e equipamentos, com 434,3, têxtil, vestuário e calçados, com 111,6, e metalurgia e siderurgia, com 97.
“São duas informações que contam histórias diferentes. O volume absoluto ajuda a mostrar onde existe uma quantidade maior de empresas sendo analisadas. Já a comparação proporcional permite identificar setores que aparecem com uma intensidade maior do que seu tamanho na economia sugeriria. É justamente o cruzamento dessas informações que ajuda a construir uma leitura mais completa do mercado”, explica Albertini.
Outro dado do levantamento chama atenção para o perfil financeiro das empresas. Entre os 3.543 CNPJs analisados, 68,9% não apresentavam sinais de restrição, contra 31,1% com algum indicador dessa natureza. Entre as companhias consultadas duas ou mais vezes, 62% não tinham restrições.
A maturidade também é relevante. 60,9% das empresas observadas possuem mais de dez anos de existência, enquanto apenas 4,5% têm até dois anos. Na média, os CNPJs analisados têm 17,6 anos de atividade, faturamento presumido de R$ 44,3 milhões e 189 funcionários.
“Esses números ajudam a afastar a ideia de que a análise por um FIDC está necessariamente associada a empresas em dificuldade. A maior parte dos CNPJs observados não apresentava sinais de restrição e existe uma presença importante de empresas maduras. O dado é compatível com um mercado em que o crédito estruturado também pode ser utilizado por companhias que buscam alternativas para financiar sua operação”, afirma Albertini.
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