IBOV178.000+0.00%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026S&P 5007.601+1.48%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026NASDAQ25.914+2.13%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026DOW53.178+1.32%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026PETR4R$ 43,05-0.85%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026VALE3R$ 74,64-2.15%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026ITUB4R$ 43,17+0.65%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026MGLU3R$ 5,16+2.58%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026BBDC4R$ 18,55+0.65%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026BBAS3R$ 21,27-0.37%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026SANB11R$ 28,93+1.08%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026B3SA3R$ 15,62-0.70%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026ABEV3R$ 15,77-1.38%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026WEGE3R$ 48,20+2.12%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026ITSA4R$ 13,88+0.43%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026PRIO3R$ 58,50-3.86%preço de fechamento do pregão de 03 de agosto de 2026DÓLARR$ 5,10+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00EUROR$ 5,87+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00LIBRAR$ 6,84+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00PESO ARR$ 0,00+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00IENER$ 0,03+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00YUANR$ 0,75+0.00%preço lido em 05/08/2026 às 14:00BITCOINR$ 332.017+1.37%preço lido em 05/08/2026 às 14:00ETHR$ 9.721+1.53%preço lido em 05/08/2026 às 14:00SOLR$ 381+1.05%preço lido em 05/08/2026 às 14:00XRPR$ 5,48-0.37%preço lido em 05/08/2026 às 14:00ADAR$ 0,98-0.31%preço lido em 05/08/2026 às 14:00

Agronegócio

Inadimplência do crédito rural resiste em alta e só deve recuar a partir de 2027

Os dados do Banco Central para junho de 2026 mostram que a inadimplência do crédito rural entre pessoas físicas ficou em 7,5%, patamar quase dez vezes maior do que o registrado três safras atrás. Para gestores de fundos e carteiras expostos ao agronegócio, entre eles FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) que carregam recebíveis do setor, o número reforça um alerta que já dura meses: o ciclo de estresse no crédito rural ainda não deu sinais consistentes de reversão.

.fnFIDC NEWS 05/08/20265 min de leituraSem comentários
Inadimplência do crédito rural resiste em alta e só deve recuar a partir de 2027
Contexto: uma escalada que já dura três safras


A trajetória da
inadimplência no crédito rural chama atenção pela velocidade. Em junho de 2023, o indicador entre produtores pessoas físicas estava em 0,8%. Na metade de 2024, avançou para 1,6%. Em 2025, saltou para 3,5%. Agora, em junho de 2026, atingiu 7,5%, depois de tocar o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano. Em três safras, portanto, o percentual mais que nonuplicou.

Esse tipo de operação, lastreada em recebíveis do agronegócio como CPR (Cédula de Produto Rural), CDCA (Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio) e notas comerciais, costuma compor o lastro de FIDCs multicedentes e de estruturas de securitização voltadas ao setor. Quando a inadimplência sobe na ponta do produtor rural, o efeito se propaga para a qualidade das cessões que sustentam essas carteiras, exigindo atenção redobrada de gestores em relação a PDD (Provisão para Devedores Dudosos) e aos colchões de subordinação que protegem as cotas seniores.

Entre as empresas do agronegócio, a inadimplência é mais estável: está em 0,8% desde abril, depois de ter ficado em 0,7% no início do ano. Há três anos, o indicador entre pessoas jurídicas era de 0,4%, ou seja, dobrou no período, um ritmo bem menos acelerado do que o observado entre pessoas físicas.


O que mudou: os números de junho
de 2026


O dado de junho trouxe uma
ligeira melhora pontual: os 7,5% entre pessoas físicas representam recuo em relação aos 7,6% de maio. Ainda assim, no acumulado do ano, o indicador avançou 0,9 ponto percentual entre pessoas físicas e 0,2 ponto percentual entre pessoas jurídicas, alta que se torna ainda mais expressiva na comparação de 12 meses.

O retrato mais amplo da carteira de crédito rural reforça a cautela. O saldo "problemático" da carteira ativa somou R$ 197,1 bilhões em junho, o equivalente a cerca de 22,5% do total. Desse montante, R$ 20,9 bilhões estão em operações atrasadas, R$ 31,6 bilhões em prorrogadas, R$ 106,4 bilhões em financiamentos renegociados e R$ 38,1 bilhões em situação inadimplente. Os outros R$ 681,8 bilhões seguem em curso normal. Em maio, o saldo problemático era de R$ 202,4 bilhões, sobre uma base de operações sem problemas também mais alta, de R$ 688,3 bilhões. O saldo total da carteira ativa de crédito rural passou de R$ 890,6 bilhões em maio para R$ 897 bilhões em junho.

Um ponto que merece monitoramento por parte do mercado de crédito estruturado é o crescimento das operações em atraso entre 15 e 90 dias após o vencimento: de R$ 14,6 bilhões em março para R$ 15 bilhões em abril, R$ 18,3 bilhões em maio e quase R$ 21 bilhões em junho. As carteiras inadimplentes, com atraso superior a 90 dias, e as renegociadas ficaram estáveis, enquanto o saldo de financiamentos prorrogados recuou de R$ 38,4 bilhões para R$ 31,6 bilhões.

O Rio Grande do Sul concentra o quadro mais delicado. O saldo problemático das operações de crédito rural no estado aumentou pelo terceiro mês consecutivo, atingindo R$ 42,7 bilhões, o equivalente a 39% da carteira ativa nas instituições financeiras locais. Os vencimentos em atraso saltaram de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,1 bilhões entre maio e junho, e a maior parte dos recursos, R$ 23,2 bilhões, já está renegociada.


Análise: o que dizem os especialistas


Para David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna e especialista em crédito para o agronegócio, a inadimplência se mantém alta em razão da baixa rentabilidade dos produtores combinada aos juros elevados. Ele acredita em estabilização gradual do indicador à medida que a alavancagem no campo diminuir. "A expectativa é de redução dos níveis de inadimplência a partir de 2027 até 2030, com melhora na rentabilidade e equilíbrio sobre os investimentos", afirmou ao Valor. Segundo ele, esse cenário deve impactar a aquisição de insumos na safra 2026/27 e resultar em provável redução de área plantada, mesmo com o acesso dos produtores a financiamentos junto a distribuidores e via mercado de capitais, canal que inclui justamente fundos e estruturas de securitização do agronegócio.

Já José Carlos Vaz, consultor jurídico do agronegócio e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, chama atenção para uma limitação relevante dos dados oficiais: eles não incluem as dívidas privadas dos produtores fora do sistema bancário e ainda não capturaram o efeito da Medida Provisória 1.376/2026, que autorizou a renegociação de débitos nas instituições financeiras a partir de julho. "Parte dos saldos problemáticos pode ter diminuído porque houve pagamento ou porque houve baixa da carteira de crédito", afirmou. Para ele, essa renegociação deveria ter sido apresentada dois anos antes, quando os produtores já enfrentavam prejuízos ligados a problemas climáticos e à alta taxa de juros. "Agora vem uma nova crise, por conta das relações de troca e problemas de abastecimento de insumos, as questões geopolíticas, o El Niño e o aperto nas despesas do novo governo", apontou, ao descrever a situação como "a cabeça da cobra do endividamento comendo o próprio rabo".

Perspectivas: o que vem a seguir


Vaz já antevê a necessidade de um reescalonamento do cronograma das dívidas renegociadas pela MP 1.376/2026 em 2027 ou 2028, além de alguma medida específica para o tratamento das dívidas comerciais dos produtores, hoje fora do radar das estatísticas do Banco Central. Para gestores de FIDCs e demais fundos de crédito com exposição ao agronegócio, os próximos meses concentram três pontos de atenção: o efeito real da MP 1.376/2026 sobre a qualidade das carteiras renegociadas, a evolução do quadro crítico no Rio Grande do Sul e o ritmo em que a rentabilidade do produtor rural e a queda dos juros de mercado, que já recuaram de 13,5% para 13% nos financiamentos livres, poderão, de fato, destravar uma reversão sustentada da inadimplência a partir de 2027.


Fontes: Globo Rural/Valor Econômico, matéria de Rafael Walendorff (05/08/2026); Banco Central do Brasil

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O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

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