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Nova regra da CVM e juros altos aceleram migração de empresas do Sul para o mercado de capitais
Com setor de FIDCs superando R$ 1 trilhão no país, desburocratização de títulos de crédito vira alternativa ao financiamento bancário para indústrias, logística e construção.

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A recente entrada em vigor da Resolução CVM 240 alterou a dinâmica de financiamento do setor produtivo na Região Sul. Ao desburocratizar as operações com títulos de crédito e eliminar travas históricas na negociação de recebíveis, a nova regra liberou o acesso direto de empresas regionais à liquidez do mercado de capitais.
O impacto é prático e imediato.
Em polos industriais, de logística e da construção civil do Sul, companhias têm
utilizado a conversão imediata de vendas a prazo para negociar insumos à vista
com desconto, otimizar custos e blindar o caixa contra a rigidez das linhas
bancárias tradicionais. Em Blumenau, por exemplo, uma construtora adotou a
estratégia para otimizar sua gestão financeira e acelerar o ritmo dos
canteiros.
"Tratamos a antecipação não como uma medida emergencial, mas como um instrumento permanente de planejamento. A agilidade no acesso ao recurso permitiu organizar pagamentos, coordenar fornecedores antes dos prazos convencionais e antecipar nossas entregas em seis meses a um ano", afirma Fernanda Punchirolli Torresani, CEO da construtora.
Esse movimento acompanha a marca
histórica alcançada pela indústria de Fundos de Investimento em Direitos
Creditórios (FIDCs), cujo patrimônio líquido ultrapassou R$ 1 trilhão no
Brasil, segundo dados da Anbima.
"Com o dinheiro caro nos
bancos, o risco para a média empresa é ficar presa a financiamentos engessados.
A gestão de caixa virou uma questão estratégica de sobrevivência",
analisa Luís Carlos Schneider, diretor presidente da SP CAPITAL, sediada em
Itapema, no litoral norte catarinense. "Tão importante quanto vender é
saber estruturar o financiamento desse crescimento com flexibilidade",
ressalta.
Além do ganho de velocidade, a
mudança regulatória reduziu a burocracia nas análises de crédito do
setor. "A análise ficou mais objetiva e concentrada na saúde real
do crédito, cortando etapas jurídicas e reduzindo o tempo de resposta",
explica a analista de crédito Sílvia Perazzolo. "A empresa transforma
suas vendas em dinheiro no caixa de forma muito mais rápida, mantendo total
governança e segurança", conclui.
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