Wellhub coloca mais R$ 100 milhões em FIDC e chega a R$ 200 milhões para academias
Wellhub repete a aposta e transforma o repasse de check-ins em lastro de crédito para academias.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
O Wellhub, antigo Gympass, vai
colocar mais R$ 100 milhões no fundo de direitos creditórios que financia
academias parceiras no Brasil. Com o novo aporte, o veículo chega a R$ 200
milhões. É um exemplo de como empresas não financeiras estão usando o FIDC para
dar crédito à própria cadeia, tendo como garantia um fluxo de recebíveis que
elas mesmas controlam.
Um ano de operação e a primeira tranche consumida antes do prazo
O FIDC (Fundo de Investimento em
Direitos Creditórios) foi criado em agosto de 2025, com R$ 100 milhões
iniciais. A gestão é da Galapagos Capital, e a QI Tech cuida da infraestrutura
e da custódia. A estrutura financia academias de pequeno e médio porte, um
público que costuma ter pouco acesso a crédito bancário em condições
competitivas.
A expectativa era usar o primeiro lote em 12 a 18 meses. Os R$ 100 milhões acabaram em menos de um ano. "Nossa expectativa era consumir esses R$ 100 milhões iniciais no prazo de 12 a 18 meses", afirma Daniel Mazini, líder de parcerias globais do Wellhub. "E cumprimos isso em pouco menos de um ano."
Nesse período, o fundo financiou
mais de 1.000 academias. O tíquete médio foi de R$ 130 mil e o prazo médio das
operações ficou em 30 meses. Hoje, entre 15 mil e 17 mil parceiros já têm
crédito pré-aprovado na plataforma.
Como funciona o lastro: o check-in como garantia
O que diferencia a operação é a
garantia. Os créditos têm como lastro os recebíveis dos valores que o Wellhub
repassa todo mês às academias pelos check-ins dos usuários. Na prática, o
originador conhece o fluxo de caixa do devedor e também controla a fonte de
pagamento, o que reduz bastante a assimetria de informação típica do crédito
para pequenas empresas.
A análise de risco segue a mesma lógica. A aprovação leva em conta o tempo de cadastro da academia na plataforma e o volume de check-ins que ela gera. Quanto mais longo o histórico e maior o movimento, mais previsível é o recebível que garante a operação.
O público reforça a tese. Segundo o Wellhub, de 70% a 80% das academias da base são de pequeno ou médio porte, e 95% dos parceiros têm uma única unidade. "Hoje, entre 70 e 80% das academias da nossa base se enquadram nesse universo", diz Mazini. A empresa também diz que 8 em cada 10 desses estabelecimentos têm financiamentos em outras plataformas, um sinal de que a demanda por crédito existe e está espalhada por várias fontes.
A empresa não divulga as taxas de
juros nem os índices de inadimplência. Mazini afirma apenas que as taxas estão
abaixo da média do mercado e que a inadimplência está bem abaixo da média.
A lógica do originador: retenção, não margem
O objetivo declarado não é
transformar o crédito em linha de receita. "A ideia aqui não é fazer
dinheiro, nem ter uma fintech de lucros elevados", afirma Mazini. "É
cobrir os custos administrativos e tentar retornar o máximo possível para esses
parceiros."
O retorno que o Wellhub busca é a fidelização da rede. "O objetivo final aqui é que esse parceiro fique conosco. É não ter churn", diz o executivo. O mercado de agregadores de academias está mais disputado. O TotalPass, criado pela Smart Fit, tem cerca de 35 mil academias no Brasil, contra 45 mil do Wellhub no país. Nesse cenário, o crédito funciona como ferramenta de retenção.
Para quem acompanha o mercado de FIDC, o modelo lembra outras estruturas de crédito à cadeia, em que a âncora usa o próprio fluxo comercial como lastro. Nesse tipo de operação, a qualidade da carteira depende diretamente da saúde do relacionamento entre originador e cedente.
A ampliação do fundo também tem
peso como histórico. "O benefício de expandir o fundo é ter um credit
rating maior, um histórico", afirma Mazini. Um FIDC com um ano de
performance e carteira pulverizada tende a ter mais facilidade para atrair investidores
e negociar condições melhores em captações futuras.
O ecossistema financeiro em volta da plataforma
O FIDC faz parte de um conjunto
maior de serviços financeiros para os parceiros. Em agosto de 2026, o Wellhub
lançou uma linha de repasses semanais e uma parceria com a Avla Seguros, com
coberturas para roubo de equipamentos, danos ao patrimônio e assistência 24
horas. Antes disso, o Wellhub TV, feito com a Eletromidia, financiou a
instalação de mais de 1 mil televisores nas academias.
"Estamos mais focados em
pensar em quais áreas nossa escala pode trazer algum benefício", resume
Mazini. Globalmente, o Wellhub está em 18 países, tem mais de 110 mil academias
parceiras e quase 50 mil empresas clientes. No mês passado, chegou a Holanda,
França, Bélgica e Luxemburgo.
Perspectivas: México no radar e novas linhas de financiamento
Para 2027, o Wellhub estuda levar
o modelo de crédito a outros países. O México aparece como prioridade, por ter
um perfil parecido com o brasileiro. Europa e Estados Unidos estão em
avaliação, mas com restrições: segundo a empresa, o crédito é mais restrito no
primeiro e as taxas são pouco amigáveis no segundo. A empresa também estuda
novas linhas, como financiamento de projetos no modelo built-to-suit.
Para o mercado de crédito estruturado, os pontos a acompanhar são a velocidade de consumo da nova tranche, a evolução da inadimplência à medida que a carteira amadurece e a possibilidade de o fundo abrir captação a investidores terceiros a partir do histórico formado. Se o desempenho se mantiver, a estrutura pode virar referência para outras plataformas que concentram recebíveis de pequenos negócios.
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








